Sunday, April 12, 2015

Uma viagem extraordinária

T. S. Spivet (Kyle Catlett) mora com os pais, o irmão gêmeo Layton que usa armas de fogo e a irmã mais velha que sonha em participar de um concurso de beleza num rancho de Montana que se situa numa região divisora de águas. A água que chove a Leste corre ao Oceano Atlântico, a que chove a Oeste corre ao Pacífico. Águas correm para lados opostos, e opostas são as qualidades desse menino filho de um casal bastante heterogêneo. O pai de poucas palavras é um prático criador de cabras. A mãe articulada é uma teórica que cataloga insetos. T. S. nasceu com esses dois talentos e enquanto cada pessoa e animal do rancho toca a sua vida aparentemente pacata, o menino de 10 anos faz desenhos, escreve artigos e projeta protótipos. Mas ninguém parece dar muita bola para seus talentos, nem o professor de ciências da escola, nem o seu pai, a quem T. S. apresenta uma maquete para solucionar um problema de captação de água do rancho. Quando a família se depara com a fatalidade, cada membro reage à sua maneira. T. S. precisa superar a perda e resolve fazer uma longa jornada por conta própria, para receber um prêmio científico pela invenção de um mecanismo de movimento perpétuo.
O diretor Jean-Pierre Jeunet (de filmes aparentemente tão díspares quanto O fabuloso destino de Amélie Poulain e Alien, a ressurreição) adapta em 3-D o romance de estreia de Reif Larsen, The Selected Works of T. S. Spivet  (por sinal, o escritor nascido em Cambridge, Massachusetts, em 1980, acaba de lançar o segundo livro, chamado I am Radar). O resultado é similar aos demais itens da não prolífica filmografia desse diretor: bizarro, exótico, estranho, esquisito, excêntrico... A qualidade do 3-D é excelente, pois o filme foi realizado com equipamento para essa tecnologia, e não adaptado em "pós-produção" para caçar níqueis. Mais uma prova cabal de que o 3-D pode enriquecer outros "gêneros" além de ficção, aventura e animação. Para quem torce o nariz para o 3-D ou fica tonto (como acontece com minha irmã, por exemplo), o blu-ray tem a versão 2D, mas é uma pena perder a sutileza com que Jeunet usa a tecnologia em prol de contar a terna história de um menino em busca de ser reconhecido e... amado.

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