Monday, September 18, 2017

EMOJI - O FILME

Resultado de imagem para emoji o filmeUm de meus passatempos preferidos neste blog é escrever textos que façam um reles contraponto à unanimidade espinafrativa que certos filmes evocam. Afinal de contas, como bem frisou Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Quanto maior a so-called "unanimidade", maior é a minha vontade de levantar a mão, pedir a palavra e fazer o contraponto. Data vênia, Emoji - o filme tem pontos positivos. Basta trocar o "olhar crítico" pelo "olhar cinéfilo", coisa que eu defendo desde os primeiros posts deste blog.

Pois bem, eis que Emoji - o filme ganhou meia estrela no site do Roger Ebert. Ao que parece, o currículo do grego Tony Leondis como diretor de animação (que tem como ponto alto Lilo & Stitch 2) não desperta muito respeito nos críticos de plantão, ávidos por  ridicularizar o trabalho alheio. 
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Sem dúvida, Emoji demora um pouco a engrenar, mas melhora da metade em diante, quando o trio de amigos formado por Toca Aqui, Rebel e Gene (o Emoji protagonista, que não se "encaixa" por ser multifacetado) se reúne e parte em busca da reprogramação, cada qual por seu motivo. Os personagens do filme comentam que hoje em dia é mais importante "ser curtido" e ter popularidade do que ter amigos de verdade.

Emoji - o filme acaba se mostrando um curioso exercício de metalinguagem que nas entrelinhas critica a superficialidade das redes sociais.
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De quebra, os admiradores de "Hotel Transilvânia" terão uma surpresa agradável antes de Emoji, o filme: um curta que mostra o neto do Conde às voltas com um "cachorrinho" de estimação. Boa sacada da Sony que indica mais novidades para a franquia.

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Saturday, September 16, 2017

GREAT FILM DIRECTORS - A TO Z

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Este livro ilustrado por Andy Tuohy e escrito por Matt Glasby apresenta um breve perfil de 52 diretores nascidos em diferentes países e diferentes décadas, alguns deles já falecidos, outros bem vivos. É um panorama vasto que contém alguns nomes esperados e também algumas surpresas, como Yasujiró Ozu, a dupla Michael Powell e Emeric Pressburger, Satyajit Ray, Ousmane Sembène e Wong Kar-Wai, oferecendo a possibilidade para o cinéfilo ampliar seus horizontes e procurar conhecer a obra desses "great", mas menos famosos, diretores de cinema.

Andy Tuohy é um conceituado ilustrador britânico que faz pôsteres sofisticados e modernos. O livro sobre os diretores pertence à coleção A to Z que inclui também GREAT MODERN ARTISTS e GREAT MODERN WRITERS. Para cada livro, ele faz uma parceria com um especialista da área, que entra com o texto, e ele faz ilustrações superoriginais.

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Neste livro sobre os cineastas, o texto é de Matt Glasby, crítico de cinema do London Critics' Circle.

A qualidade estética da obra é primorosa, e o formato é do tipo feito para leitores que não têm tempo para perder, e querem informação concisa e selecionada, sem tanta profundidade, mas também não superficial. Uma página de texto, outra de ilustrações e fotos. Tudo muito ágil e bonito. Do you know what I mean?

A estrutura é outra grande sacada do livro. Umas breves pinceladas sobre a obra e a vida do/a cineasta. Uma coluna chamada FILMS TO SEE, com os 5 filmes icônicos do/a realizador/a em questão, ladeada pelo quadro DID YOU KNOW?, que focaliza um fato curioso na carreira ou vida pessoal de cada um dos 52 diretores. Cada capítulo traz também o desenho feito por Tuohy além de citações dos filmes, fotos e cartazes.


Dá ou não dá vontade de ter na estante?

Tuesday, August 29, 2017

007 - Viva e deixe morrer

A franquia 007 continua sendo um grande sucesso, mas poderia se inspirar em filmes como este para recuperar um ingrediente importante: o senso de humor.
O James Bond anda muito sisudo hoje em dia. Não estou falando do ator em si, não estou apenas comparando Daniel Craig com Roger Moore, estou me referindo ao roteiro, à dosagem de ação, de aventura, com as cenas de alívio cômico.

O roteirista Tom Mankiewicz  se esmerou nesta parte. 007 - Live and Let Die contém algumas das cenas mais engraçadas da franquia, e também um dos personagens coadjuvantes mais queridos, e que, devido à acolhida do público, voltou a aparecer no filme seguinte: o impagável xerife J. W. Pepper, interpretado por Clifton James, falecido em abril deste ano.
Na parte da icônica perseguição das lanchas, o xerife Pepper tem uma atuação destacada, praticamente se torna o protagonista da história.
O clima do filme é todo permeado por um humor essencialmente britânico, que brinca com as palavras e com as idiossincrasias das personagens.
Desde o primeiro diálogo entre Bond e M (Bernard Lee), a verve cômica/irônica/satírica do roteirista domina a obra, sem, é claro, perder de vista as proverbiais cenas de ação inacreditáveis.

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Assistir a um filme realizado em 1973 também suscita outros prazeres: é voltar ao tempo em que se fazia cinema com cenas descaradamente gravadas em estúdio (cena de Bond na asa-delta, cena de Felix Leiter e Bond no barco), mas, em contrapartida, em que os dublês eram bastante exigidos. Nada de efeitos especiais digitalizados e o diabo a quatro. Tudo orgânico e visceral.
Falando em visceral, que tal mencionar um pouco do "enredo"?
O argumento é inspirado no romance homônimo de Ian Fleming, mas é tão fiel ao texto quanto são parecidas as capas das muitas edições da obra.
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Três agentes britânicos são mortos e Bond é escalado para investigar. Em pleno bairro Harlem de Nova York, se infiltra no covil do Sr. Big, temido chefe local, que usa a casa noturna Fillet of Soul como fachada para seus negócios escusos. James Bond tem sua pistola inutilizada por Tee Hee, que tem um braço mecânico e um alicate no lugar da mão. Na ocasião, conhece ali Solitaire (Jane Seymour), uma bela moça que tem o dom de ler o futuro nas cartas do tarô. Ela pede para Bond puxar uma carta e se surpreende quando ela é virada: é a carta dos amantes.

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Claro que Bond aproveita a deixa e vai acabar seduzindo a moça, apenas uma das três "Bond-girls" que ele leva para cama no filme. A namoradinha da cena inicial e também a agente da CIA, Rosie Carver (Gloria Hendry). Rosie é o apoio de Bond na ilhota de San Monique, no Caribe, dominada pelo misterioso Mr. Kananga, o tutor/protetor de Solitaire, e suposto sócio/amigo de Mr. Big. Outro personagem que surge em momentos chave do filme é o Barão Samedi, uma espécie de performer que volta e meia aparece nas circunstâncias mais bizarras (vide última cena).Resultado de imagem para live and let die

A direção é assinada por Guy Hamilton, que marcou época na franquia, realizando nada menos do que quatro filmes, três deles com roteiro de Tom Mankiewicz. Hamilton é o tipo do diretor pragmático que entrega o produto involucrado especialmente para o público-alvo, e, na percepção dele, o público de 007 queria se divertir, ver cenas apenas possíveis nos filmes da franquia. Hamilton faleceu em 2016 e neste artigo é chamado de um "importante arquiteto de nossa cultura pop contemporânea". 
Outra particularidade do filme é a música-título, de autoria de Paul McCartney e Linda McCartney, interpretada pela banda do casal, Wings, que não só toca na abertura e no final, como também ao longo da história.
A música fez tanto sucesso que até hoje está no setlist dos shows de Mr. Paul McCartney.

Sunday, August 27, 2017

DUO RITTER & CORDELLA




No dia 26 de agosto de 2017, no Teatro do SESC, em Carazinho - RS, apresentaram-se os musicistas Alexandre Ritter (contrabaixo) e Fernando Cordella (cravo).

O espetáculo foi aberto com o Improviso sobre Sonnerie de Ste. Geneviève du Mont-de-Paris, de Marin Marais (1656-1728).

Em seguida, os dois explicaram a gênese do projeto, e Alexandre Ritter declarou sentir-se honrado com o convite para tocar na cidade natal de Cordella, que é o diretor artístico da OSINCA (Orquestra Sinfônica de Carazinho).






Johann Baptist Vanhal (1739-1813) compôs o concerto para contrabaixo com cravo que deu continuidade aos trabalhos. O concerto teve três movimentos: allegro moderato, adagio e allegro.

Ao término do concerto de Vanhal, o duo ausentou-se do palco para um intervalo.

Após o descanso necessário, na segunda parte do espetáculo, o duo apresentou o concerto para contrabaixo com cravo de Carl Ditters von Dittersdorf (1739-1799), também em três movimentos: allegro moderato, adagio e allegro.

Ao cabo da apresentação, o público aplaudiu de pé e pediu bis.

Em tempo: o próximo concerto promovido pela OSINCA será em 30 de setembro, na bela Igreja da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Carazinho - RS, com os solistas da OSINCA interpretando movimentos da 5ª Sinfonia de Beethoven, entre outras peças selecionadas.

Thursday, August 10, 2017

A Bandinha no Teatro do SESC - Carazinho - RS

Rosivaldo Cordeiro, virtuose das cordas radicado na França

O projeto Sonora Brasil, circuito 2017/2018, trouxe a Carazinho a banda formada por oito músicos amazonenses.


Banjo open-back e cavaquinho

De formação eclética, A Bandinha inclui militares reformados, maestros, professores universitários, músicos de renome e também um estudante (Paulo Dias, no trompete), cujo Trabalho de Conclusão de Curso terá como tema A Bandinha e a sua trajetória, incluindo a turnê dentro do projeto do SESC.



Maestro e flautista Cláudio Abrantes

O ingresso foi um kg de alimento não perecível.


No clarinete, o polonês Vadim Ivanov, radicado em Manaus

A nossa família compareceu inteira, apenas o pequeno de 5 anos, que havia acordado muito cedo, capotou antes mesmo de ouvir a percussão, que só começou a funcionar na terceira música do repertório.

Paulo Dias no trompete



A propósito, o setlist seguiu uma ordem cronológica e mostrou a evolução das composições, desde as quadrilhas do século XIX, com influências europeias e cinco movimentos, até o surgimento do xote, do choro e da lambada.



Jonaci Barros no saxofone

Carlos Alexandre no sousafone

Mas, diga-se de passagem, o caçula prestou bastante atenção no começo, tanto que cochichou para mim, apontando para o percussionista:

"Por que aquele não está cantando (sic)?".



O percussionista Ronalto Alves e Rosivaldo Cordeiro

Antes de cada música, o flautista Cláudio Abrantes e o especialista em instrumentos de corda (banjo, cavaquinho) Rosivaldo Cordeiro contextualizavam o compositor e a peça a serem executados.



A Bandinha executou dez peças formando um panorama histórico

Muito curiosa a história da verdadeira "lambada", surgida com a mescla de influências das fronteiras amazonenses com a Colômbia e o Peru.


Rodrigo Nunes no bombardino

Além dos três musicistas já citados, completam A Bandinha: Jonaci Barros (saxofone), Vadim Ivanov (clarinete), Rodrigo Nunes (bombardino), Carlos Alexandre (tuba ou sousafone) e Ronalto Alves (percussão).


Obrigado, SESC, obrigado, Bandinha!


Carlos Alexandre, sua incrível tuba
e o menino Félix com o CD "Jonaci e seu sax, na arte do Beiradão"



Tuesday, August 01, 2017

Em ritmo de fuga


Baby Driver, de Edgar Wright, é a antítese de Dunkirk. Os personagens têm nome (ou codinome) e  outros sentimentos além daqueles motivados por instinto de sobrevivência, patriotismo e orgulho.

É um filme simples sobre a importância da música, da audição e do amor.

Também os realizadores não poderiam ser mais díspares: Edgar Wright é o despretensioso e bem-humorado responsável por filmes de orçamento relativamente baixo, à exceção deste Baby Driver, que conta com um elenco de atores mais conhecidos e até oscarizados, como Jamie Foxx e Kevin Spacey.

O roteiro do próprio Wright faz o espectador criar empatia com o protagonista. Ele se autodenomina Baby, e é um jovem com cicatrizes no rosto que sofre de um problema auditivo, um zumbido que não cessa. Por isso, escuta constantemente músicas em fones auriculares.

O background do personagem é contando em flashbacks, que mostram o relacionamento conturbado dos pais e o acidente que deixou o então menino com as sequelas físicas mencionadas. As sequelas
psicológicas? Essas, jamais cicatrizam.



O trabalho que Baby executa é dirigir. E no mundo da superespecialização, Baby tem a sua especialidade: dirigir carros em fuga para quadrilhas de assalto a banco. 

Seu destino está inexoravelmente atrelado a Doc (Kevin Spacey), um figurão do mundo do crime que alicia Baby para fazer seus trabalhos sujos. Mas Baby está prestes a ficar quites com ele, e, assim, talvez libertar-se do jugo deste mafioso/fora-da-lei.

Nesse meio-tempo, Baby se apaixona pela garçonete Debora (Lily James), que inevitavelmente será envolvida no submundo.

Mas felizmente o casal de pombinhos não pretende ser uma nova versão de Bonnie & Clyde, nem dos doidos desvairados de Assassinos por natureza.



Ao contrário: Baby (Ansel Elgort) é um gentleman, um estranho no ninho com o coração selvagem. Não gosta de homicídios e se dedica a cuidar de Joseph, o seu tutor surdo e paralítico.

Após sua trilogia de sangue e sorvete (Todo mundo quase morto, Chumbo grosso e Heróis de ressaca), o diretor Edgar Wright começa uma ascensão irresistível aos blockbusters...

Espera-se que ele não deixe isso lhe subir à cabeça.

Monday, July 31, 2017

Dunkirk

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Dunkirk é um radical exercício de estética com elevados anseios artísticos. O conceituado diretor Christopher Nolan mira indicações a Oscar e, como todo bom cineasta, pretende surpreender e colher elogios pela ousadia e pelo talento. Tem sido assim desde o começo de sua carreira. Nolan tornou-se conhecido com o incensado Amnésia, cujo roteiro nada tinha de especial, apenas a montagem do filme tinha sido feita de trás para frente. Isso confundiu muita gente que jura até hoje que Nolan é um gênio.
Eis que a esta altura da carreira, após o esplendor cerebral de Interestelar, é possível constatar que Nolan realmente amadureceu em seu ofício.
Porém, seus principais defeitos continuam ali, escancarados. 
Realmente parece difícil fazer um filme simples, com personagens desenvolvidos e uma história bem amarrada, contada do início ao fim. O ponto de vista tem que ser o de um soldado sem nome querendo escapar com vida de uma arapuca chamada Dunquerque, tem que ser uma sucessão infindável de situações limite, um tal de sai-de-barco-entra-em-barco, do tipo de "tirar o fôlego".
Sim, o filme é eficiente em demonstrar o medo de um soldado durante um bombardeio na praia aberta ou no molhe abarrotado. Parece que o foco de Dunkirk é a angústia das tropas encurraladas querendo escapar. Do ponto de vista histórico, são pouquíssimas as pretensões de Nolan. Em outras palavras: ninguém ficará sabendo nada mais detalhado sobre a retirada, sobre a estratégia (ou falta dela), sobre as questões ligadas à colaboração entre exércitos francês e inglês. É tudo centrado na (pseudo)ação.

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Que Nolan é um cineasta estudioso, isso ninguém pode negar. Ele realiza cenas vertiginosas nos combates entre os caças britânicos (Spitfire) e os alemães (Heinkel), reverenciando respeitosamente Wings (1927), o primeiro a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Embora belíssimas, estonteantes e supereficazes no IMAX 2-D, as cenas aéreas de Dunkirk não têm nada de superior nem de original em comparação com as do filme de William Wellman.
Curiosamente, na curadoria de um ciclo dos filmes que o teriam influenciado na realização de Dunkirk, Nolan cita, entre outros filmes, Alien, O salário do medo, A filha de RyanSem novidades no front, mas não menciona Wings.

AVISO DE PSEUDOSSPOILER
A PESSOAS ALTAMENTE SPOILERSSENSITIVAS:
SE AINDA NÃO ASSISTIU AO FILME, INTERROMPA A LEITURA AQUI.

Pernóstico, pretensioso? Use o adjetivo que você quiser. Mas por que, afinal, aquelas legendas "enigmáticas" no filme? Tudo para que no final as três histórias se entrelacem e tudo subitamente "faça sentido"?
O ponto alto do roteiro, o momento mais surpreendente, é também o mais falso. Falso, não: inverossímil. Será que existe um jovem assim tão compreensivo e sábio quanto o filho do dono do barco? Ele dá uma resposta surpreendente ao soldado que é resgatado por eles, mas tenta convencê-los a voltar à Inglaterra em vez de continuar a operação de resgate em apoio à Marinha.
Aliás, diga-se de passagem, essa participação dos civis também não fica suficientemente contextualizada no filme.
Por outro lado, o "inimigo" é apenas mostrado em forma de bombas, projéteis, torpedos. É um inimigo sem rosto, e não é por aí que Nolan desconstrói o clichê dos filmes de guerra.
Essa desconstrução acontece no ponto alto do roteiro, o momento mais surpreendente, já citado no parágrafo anterior. É que essa resenha tem a influência do filme. A montagem é meio irritante mesmo. Embora soe falso, funciona. Tal é a proeza de Nolan: criar uma situação em que um velejador de vinte anos mostra uma sensibilidade aterradora diante dos fatos desproporcionalmente viscerais.
Entretanto, é essa sequência que, embora inverossímil, surpreende o espectador e humaniza Dunkirk.
Só para encerrar e completar o meu raciocínio. Até na dedicatória Nolan não consegue ser simples: dedica o filme apenas a todas as pessoas cujo destino foi afetado direta ou indiretamente pelos eventos representados no filme. Ou seja, dedica o filme a todos os habitantes do planeta Terra!

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Thursday, July 27, 2017

O nevoeiro



The Mist é o tipo de filme essencial para as pessoas que têm uma queda por literatura fantástica. O diretor Frank Darabont (cuja filmografia é tão interessante quanto sucinta, compreendendo, além de O nevoeiro, Cine Majestic, À espera de um milagre, Um sonho de liberdade e Sepultado vivo) reuniu um elenco eficaz, sem grandes estrelas, aproveitou (para variar) um texto relativamente pouco conhecido de Stephen King, mudou o final para melhor, recrutou a maquiagem de Greg Nicotero e os efeitos em CG da CafeFX (a mesma empresa que trabalhou em O labirinto do fauno, de Guillermo del Toro), pinçou a dedo a hipnótica The host of the seraphim do Dead Can Dance, colocou tudo isso no liquidificador de suas tomadas bem boladas e... bingo! Eis que temos um dos filmes de suspense/terror/fantasia mais significativos do novo século. O filme já vai fazer 10 anos este ano, mas acaba de ser lançado um seriado que também se baseia na noveleta do mestre Stephen King.

Sunday, July 23, 2017

What I've Done



Nesta despedida

Não há sangue
Não há álibi
Pois extraí arrependimento
Da verdade contida
Em mil mentiras
Então deixe a misericórdia
Lavar 

O que eu fiz

Vou me enfrentar
Para eliminar o que me tornei
Me apagar
E deixar para trás o que eu fiz

Deixe pra lá
O que você pensava de mim
Enquanto eu limpo esta lousa
Com as mãos
Da incerteza
Então deixe a misericórdia
Lavar

O que eu fiz
Vou me enfrentar
Para eliminar o que me tornei
Me apagar
E deixar para trás o que eu fiz

Pelo o que eu fiz
Vou recomeçar
E seja lá qual dor surgir
Hoje isto termina:
Estou perdoando o que eu fiz

Vou me enfrentar
Para eliminar o que eu me tornei
Me apagar
E deixar para trás o que eu fiz

O que eu fiz

Perdoando o que eu fiz



In this farewell
There's no blood
There's no alibi
'Cause I've drawn regret
From the truth
Of a thousand lies
So let mercy come
And wash away

What I've done
I'll face myself
To cross out what I've become
Erase myself
And let go of what I've done

Put to rest
What you thought of me
While I clean this slate
With the hands
Of uncertainty
So let mercy come
And wash away

What I've done
I'll face myself
To cross out what I've become
Erase myself
And let go of what I've done

For what I've done
I'll start again
And whatever pain may come
Today this ends
I'm forgiving what I've done

I'll face myself
To cross out what I've become
Erase myself
And let go of what I've done

What I've done

Forgiving what I've done

Sunday, July 16, 2017

Paul McCartney: a biografia

Meu primogênito completa 10 anos em 9 de outubro.
Em 13 de outubro, ele estará no Estádio Beira-Rio lotado para ver seu primeiro show de rock.
Quem vai estar comandando as ações no palco será um jovial senhor de 75 anos de idade, que atende pelo singelo nome de Paul McCartney.
Ou apenas Paul, para os mais íntimos. No caso, para quem já leu a biografia escrita por Philip Norman, cuja edição brasileira tem a tradução de Rogério Galindo e Cláudio Carina.
Tive alguns receios ao longo da leitura desta obra.
Primeiro, o de não conseguir terminar o livro, afinal de contas, são 800 páginas.
Fiquei com medo de "perder o fôlego" e abandonar, ou perder o "momentum".
Na prática, fui deixando esse medo de lado e simplesmente degustando o texto.
Lá pelas tantas, o receio voltou.
Será que a leitura se tornaria menos interessante após o fim dos Beatles?
Mas, ufa, meu fôlego não arrefeceu, pois vieram as brigas, as pendengas judiciais, as desilusões com os amigos.
A estrutura da obra ajuda, com capítulos não muito longos. O estilo literário de Norman (bem respeitado pelos tradutores) é pragmático, objetivo; a escolha do material a ser incluído visa a fazer a história andar, não entra em detalhes desnecessários.
Norman demonstra entender do primordial: das músicas. Do imenso repertório dos Beatles e de Paul, comenta en passant a criação de algumas essenciais, como Yesterday, Hey Jude e Mull of Kintyre.

A impressão que temos é a de um biógrafo no auge de sua forma escrevendo sobre um biografado que continua lotando estádios e fazendo shows de mais de 3 horas de duração com um público empolgado.
Ainda assim, fiquei com receio de perder o interesse pelo livro após a morte de John Lennon.
Depois, após o término dos Wings. Depois, após a morte de Linda.
Mas não: todas as noites, antes de dormir, eu pegava o livro com a mesma vontade e ímpeto.
O derradeiro medo: o casamento com Heather Mills.
Havia lido um comentário criticando a biografia por se estender muito nesta parte relativamente curta da vida de Paul.
Eis que não concordei com a crítica, achei tudo bem equilibrado, e como foi um dos assuntos mais polêmicos da vida dele, é justo que o biógrafo se detenha um capítulo a mais para colocar os pingos nos ii, mas, como frisei, tudo sem perder o foco, mantendo o livro dentro de um planejamento mais amplo, sem fazer muitas revelações bombásticas, apenas britânica e cavalheirescamente descrevendo os fatos e uma vida.
Em outubro, Porto Alegre vai escrever mais uma singela página da vida deste grande músico e compositor. Mas que é gente como a gente.

Wednesday, July 12, 2017

Por um punhado de dólares versus Yojimbo

            


         Quem é mais rápido? O pistoleiro de aluguel de Por um punhado de dólares ou o samurai de Yojimbo?  
        Toshiro Mifune mata seis em um piscar de olhos, usando somente a espada. Clint Eastwood chega à cidade encomendando caixões ao coveiro.



            Em um duelo a pouca distância, Eastwood crivaria Mifune de balas, ou seria decapitado antes de sacar?


            À medida que vamos assistindo a Yojimbo, vamos nos recordando dos lances equivalentes em Por um punhado de dólares. A história é a estritamente a mesma.
            
      Um forasteiro chega a uma cidade onde duas famílias disputam o poder. Em Kurosawa, é o samurai sem destino e emprego, representado por Toshiro Mifune.



       Tem a mania de tirar o braço da manga e coçar a cabeça passando-o pela gola de seu quimono. É um cara sem escrúpulos, que não hesita em roer a corda, ou em fazer jogo duplo.

   Em Leone, é o pistoleiro vivido por Clint Eastwood. Barba por fazer, estilo cool e quieto, mas com os mesmos defeitos do personagem original.

         Apesar do mau caráter, os dois personagens desenvolvem certa empatia com o espectador. Afinal, estão, cada um a seu modo, desafiando quem tem, quem explora e humilha o povo. E os dois diretores tentam redimir as ações espúrias de seus protagonistas quando eles usam a força para reparar injustiças.
           



     
       As semelhanças são muitas em termos de fundamentos do roteiro, mas param por aí. Na forma e no estilo, Yojimbo e Por um punhado de dólares são obras completamente diferentes.
            
    Yojimbo é filmado em preto e branco, enquanto Por um punhado de dólares é a cores. 



    Yojimbo é uma sátira dramática, com cenas consistentes e fortes. Por um punhado de dólares ameniza a sátira e o drama, dá ênfase para o movimento e os tiroteios.
    
      Sérgio Leone, o mestre dos faroeste "spaghetti", traduziu para a linguagem ocidental o cinema denso de Akira Kurosawa.
     
   Dois pequenos clássicos, um de samurai, outro de faroeste. Dois diretores brilhantes. Dois atores carismáticos. Para mim, está empatado o duelo.