Monday, June 17, 2019

MIB Internacional




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O diretor F. Gary Gray não é nenhum novato. Tem uma sólida carreira construída em vários gêneros, mas acabou se especializando mesmo em policiais, como Até as últimas consequências (1996), A negociação (1998), Saída de mestre (2003), O vingador (2003) e Código de conduta (2009). Atualmente é um dos diretores negros mais respeitados da indústria, e, com MIB: Homens de preto Internacional, consolida uma trajetória que culmina com um blockbuster 3-D.

E o que um diretor competente faz quando a missão é reavivar uma franquia que fez a cabeça de uma geração, mas estava um tanto esquecida e praticamente desconhecida das pessoas mais jovens?

Sony Pictures/Divulgação
Faz o simples. Pega o roteiro bem amarrado e explora ao máximo as possibilidades de humor e ação, sem esquecer, é claro, das críticas sociais embutidas no subtexto, que enriquecem o material.

O roteiro brinca com outros papéis de sucesso da carreira dos atores Liam Neeson e Chris Hemsworth, mas dá uma grande ênfase à importante participação feminina na instituição. Emma Thompson e Tessa Thompson são as estrelas responsáveis por essa guinada. Tessa é conhecida por suas participações em seriados como Westworld.


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Um deleite para os fãs e uma isca para uma nova geração, que agora vai querer assistir aos três filmes anteriores da franquia.

Saturday, June 15, 2019

Entre vinho e vinagre

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Entre vinho e vinagre (Wine Country) é o primeiro filme dirigido pela premiada comediante Amy Poehler, mais conhecida por suas participações no Saturday Night Live. 

No filme Amy também atua no papel de Abby, a idealizadora de uma viagem com as amigas para comemorar o aniversário de Rebecca. As amigas formaram um vínculo quando trabalharam juntas numa pizzaria, anos atrás. 

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Agora resolveram aproveitar a ocasião para se desligar das atribulações da rotina e passar uns dias no encantador vale dos vinhedos californiano. No Brasil, seria o equivalente a passar uns dias fazendo degustações nas vinícolas da Serra Gaúcha. 

O forte do filme é o elenco que esbanja experiência e tarimba na arte de fazer humor. De quebra, Jason Schwartzman, colaborador frequente de Wes Anderson, encarna Devon, uma espécie de faz-tudo que "vem junto" (e o trocadilho com o verbo "to come" é aproveitado no roteiro) com o imóvel que as damas alugaram. Ele é motorista da van, cozinheiro (que nunca termina a paella) e, nas horas vagas, exerce outras atividades mais lúdicas com algumas das fogosas/enrustidas cinquentonas/quarentonas.

Claro que as situações engraçadas são mescladas com momentos de introspecção e de "lavagem de roupa suja" entre as amigas, afinal, nem tudo são flores numa amizade.

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Mas, no frigir dos ovos, Entre vinho e vinagre está mais para o vinho do que para o vinagre, ou seja, prova que uma boa amizade pode ser tão especial quanto um vinho de primeira qualidade.




Friday, June 14, 2019

Terra à deriva

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Esqueça dos filmes chineses existenciais, os pacatos dramas de volta para a casa, os singelos romances ingênuos, os arrastados libelos contra a globalização. 

O novo cinema chinês tipo exportação é a antítese disso tudo. 

Terra à deriva é um blockbuster made in China e falado em mandarim. 

Temos ainda é claro aquelas indefectíveis cenas de um sentimentalismo que beira a pieguice, típicas do cinema chinês (ou seria do povo chinês?).

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Efeitos especiais de uma qualidade superior, um roteiro de uma ousadia que beira a inverossimilhança (baseado no conto The Wandering Earth de Cixin Liu) e um sucesso de público que beira o estrondoso (o filme arrecadou 700 milhões de dólares nas bilheterias para um custo de 50 milhões).

O diretor Frant Gwo realizou em 2014 My Old Classmate, drama sobre dois colegas de aula de longa data que crescem e amadurecem juntos.

Este filme de 2019 inaugura uma nova fase em sua carreira e no cinema de ficção científica na China.

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Este novo filme dessa tão amada plataforma de streaming cuja variedade de produtos beira o insuportável.

Terra à deriva não é apenas um filme eficiente, é a prova cabal da competência chinesa para tudo.

E, é claro, um triunfo da globalização. 

Earth, first.




 



Friday, June 07, 2019

Vício frenético (2009)

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Quem fala que o Nicolas Cage é um canastrão não entende nada de cinema.
Não viu Feitiço da lua, Coração selvagem e Vício frenético.
Frenética é a rotina do tenente Terence.
Solucionar um homicídio quíntuplo de uma família de senegaleses.
Atender às chamadas de emergência da namorada Frankie (Eva Mendes).
Cuidar do cachorro do pai alcoólatra.
Apaziguar os pitis da madrasta chegada numa ceva.
Controlar as excruciantes dores na coluna, resultantes de um ato de bravura.
Proteger a testemunha ocular do crime.

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E frenética também é a sua drogadição.
Viciado em heroína e Vicodin, Terence também é um apostador incorrigível, que gasta o que tem e o que não tem em apostas esportivas, no caso, futebol americano.

O outro vício de Terry é a sua tendência a não respeitar as leis que deveria defender.
Terry é um tira eficaz, mas é um tira corrupto, regido pela máxima maquiavélica de que "os fins justificam os meios".

Algumas cenas antológicas:
==> Terry interrogando (pela segunda vez) as senhoras na casa geriátrica.
==> Terry contando a Frankie sobre a colher de prata.
==> Terry tentando convencer outro tira na cena de um acidente a cometer um ato corrupto;
==> Terry no aquário ao lado de uma pessoa importante.

Em tempo: Vício frenético também é o título brasileiro do filme Bad Lieutenant, de Abel Ferrara com Harvey Keitel feito em 1994.

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Werner Herzog não queria que o filme dele se chamasse Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans. Na verdade é uma referência ao fato de que ambos os filmes têm um tenente corrupto. Mas não é um remake nem uma continuação. Apenas uma transcriação da história.

O resultado é um dos três melhores filmes da carreira de Nicolas Cage.

Este filme da "fase americana" de Werner Herzog é considerado um dos 10 filmes essenciais de sua vasta e mágica filmografia pelo site The Culture Trip. Não consta, porém, na lista da Rolling Stone.

Sunday, May 26, 2019

Sad Hill Unhearthed


Este inusitado documentário conta uma história sobre uma paixão, e não é qualquer paixão. É a paixão cultivada por cinéfilos em torno de um filme cultuado por eles. O filme é Il buono, il brutto, il cattivo (1966), do italiano Sergio Leone, que foi filmado na Espanha e no Brasil virou Três homens em conflito.



O filme começa com o take de um show do Metallica. Qual a ligação? O vocalista da banda é um dos cultuadores deste expoente do cinema spaghetti. Tanto que a banda mostra cenas do filme e utiliza a música de Enio Morricone para "aquecer" a plateia antes dos shows.



O diretor Guillermo de Oliveira apresenta os protagonistas desta história: os cinéfilos do vilarejo, que se unem e formam uma associação para resgatar a ligação do local com o filme que passou a ter muitos cultuadores desde o seu lançamento.

Um dos objetivos do grupo era localizar o ponto exato onde o Sad Hill Cemetery tinha sido construído há quase 50 anos. Por incrível que pareça, na época, a produção do filme contou com a ajuda de um batalhão de soldados do Exército do ditador Franco, que também atuavam como figurantes em diversas cenas de batalha que simulavam a Guerra Civil dos EUA.


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Com muita pesquisa e procura, os cinéfilos espanhóis descobriram o local exato. A partir daí, começou um trabalho de "arqueologia". Contando com a ajuda de voluntários, realizaram escavações para desenterrar o grande círculo central, com piso de pedras brancas irregulares, que foi palco da sequência final que culminou com o "trielo" mais famoso do cinema.

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Esse trabalho começou alguns anos antes do 50º aniversário do The Good, the Bad and The Ugly, e a meta era reunir os fãs do filme para comemorar a data.

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É essa saga de amor, denodo e obstinação que o documentário mostra com bastante objetividade, com pitadas de curiosidades sobre a realização do filme e depoimentos de pessoas importantes, como operadores de câmeras, editores, figurantes, sem falar, é claro, de diretores como Joe Dante e Alex de la Iglesia, e dos lendários Enio Morricone e Clint Eastwood.

Tudo culmina com o dia em que os fãs do mundo inteiro peregrinaram ao vale espanhol e assistiram a uma encenação da clássica cena, e, mais tarde, ao anoitecer, uma exibição do filme, com algumas surpresas que foram preparadas para o deleite dos fãs e dos membros da Associação.

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Além de contar uma história interessante,
Sad Hill Unhearthed, de quebra, traz algumas informações relevantes sobre o cinema de Sergio Leone, como a sua aversão a "tomar partido" e a se posicionar politicamente. Ele acreditava que bastava retratar e deixar que o público interpretasse.


Outra coisa que fica bastante clara é a obsessão de Leone pelo perfeccionismo. Um dos figurantes conta que ao terminar cada take o diretor dizia "Molto bene", mas em seguida mandava repetir de novo.

O diretor teria pesquisado livros com fotos da Guerra Civil Americana como subsídio para dar veracidade às filmagens.

Vale a pena conferir essa curiosidade feita de cinéfilos para cinéfilos.


Friday, May 17, 2019

Detetive Pikachu

No Dia das Mães, levei a esposa e os dois filhos para assistir a Detetive Pikachu, do diretor Rob Letterman.

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Após atuar na codireção de animações como O espanta tubarões (Shark Tale, 2004) e Monstros versus alienígenas (2009), o americano nascido em 1970 estreou em 2010 em filmes "live action" com As viagens de Gulliver e voltou a dirigir Jack Black em Goosebumps: monstros e arrepios (2015). 

A ironia é que um dos temas de Detetive Pikachu é a relação pai x filho. Mais exatamente, o que pode acontecer com a relação pai e filho na ausência da mãe, se a relação não tiver diálogo, se pai e filho não conseguirem se comunicar direito... É sempre a mãe que contemporiza e costura essas relações. Mas e se a mãe não estiver mais lá para fazer isso?

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Tim Goodman é um jovem de 21 anos que trabalha numa seguradora. Ele perdeu a mãe aos 11 anos e foi criado pela avó. Afastou-se da figura paterna naturalmente, pensando que o pai dele não se importava com ele, que o pai não o amava.

Tim está com a vida financeira em ordem, mas para os amigos ele padece de carência afetiva. Além desse problema com o pai, Tim não tem um Pokémon de estimação, como a maioria das pessoas normais (essa é uma das premissas do roteiro).

Todas essas informações são dadas no começo do filme. São subsídios para conhecermos a personalidade do protagonista, interpretado por Justice Smith.

Quando ele recebe um triste telefonema, Tim terá de enfrentar uma série de percalços em uma verdadeira saga em busca de respostas. Para isso vai contar com a ajuda inesperada de ninguém menos que... PIKACHU!!

Uma das figuras mais icônicas das animações, games e séries Pokémon, o simpático/mimoso/fofo personagem amarelo literalmente ganha vida para encantar muitos fãs mundo afora.

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No Japão, em geral, o filme foi bem recebido.  A bilheteria está boa mundialmente.

A popularidade de uma franquia dessas não pode ser subestimada.

Por exemplo, lá em casa, meus filhos tiveram a influência da mãe, que, aficionada pelos desenhos, introduziu os meninos ao universo.

E assim o número de fãs de Pokémon vai aumentando numa retroalimentação positiva.

Tuesday, May 14, 2019

Fronteiras do Pensamento: Graça Machel fala sobre igualdade e aceitação



Dia 13 de maio de 2019, Salão de Atos da UFRGS. Um vídeo inaugura o Fronteiras do Pensamento, preparando a entrada do apresentador e moderador, o jornalista Tulio Milmann.



Antes da palestra da conferencista Graça Machel, o reitor da UFRGS fala breves palavras sobre os 85 anos da Universidade.

Em seguida, Tulio Milmann retoma a palavra para resumir os principais pontos da carreira de Graça Machel.



Nascida em Moçambique, Graça Machel é dona de um currículo espantoso, em uma trajetória de vida em que criou oportunidades para exercer seu pendor para trabalhar em prol de uma sociedade mais igualitária e mais justa.

Em seu país natal, lutou pela liberdade e foi casada com o primeiro presidente após a independência, exercendo então o cargo de Ministra de Educação por vários anos.

Ficou viúva e, em uma outra etapa de sua vida, casou-se com o líder de outra nação, a África do Sul. Ninguém menos que Nelson Mandela.

Essa senhora de tantas e ricas experiências entrou e falou em um português bastante compreensível, pausado, com leve sotaque lusitano. Apenas duas palavras eu tive mais dificuldade de entender: "independentemente" e "distorções". No mais, as diferenças de entonação não foram obstáculo para compreender a graciosa fala de Graça Machel.



Em um sóbrio traje vermelho, ela propôs à plateia presente no Salão de Atos da UFRGS uma conversa sobre coisas simples, coisas básicas, como ela mesma fez questão de frisar.

Em essência, ela passou uma mensagem de que nós, seres humanos, somos iguais. Nascemos da mesma maneira, os nossos corações batem, respiramos, sangue vermelho corre em nossas veias, e no final, encerramos nossa existência da mesma forma.

Todos nós, seres humanos, somos iguais. Diferenciações de gênero, raça, religião não são coisas da natureza. 

Dona de múltiplas identidades, mulher, negra, africana, mas sobretudo, um ser humano. E como tal ela declarou que ambiciona ser vista e tratada.

A sua palestra desenvolveu-se em torno desse tema, abordando outros aspectos, como a importância de aceitarmos os nossos semelhantes como eles são.

Aceitar é mais do que apenas tolerar, explicou Graça Machel.

Ela frisou a importância e a necessidade de nos articularmos em movimentos que busquem a valorização e a dignidade do ser humano.

Também mencionou a preocupação com a tecnologia, que nos permite a comunicação imediata com milhares de pessoas no mundo, mas que muitas vezes está diminuindo a capacidade de contato "olho no olho", de convívio familiar.

A tecnologia pode ser usada a favor dos seres humanos, mas sem prejudicar o desenvolvimento das relações humanas.



Após a palestra, o público, que a aplaudiu de pé, pôde interagir com perguntas, e também o moderador formulou algumas.

Nessa parte, ela contou que Nelson Mandela conseguiu mesmo com 27 anos na prisão perdoar as pessoas que o privaram da liberdade e, por isso, pôde exercer uma liderança positiva e capaz de criar as pontes necessárias rumo a uma sociedade mais igualitária.

Respeitosamente, ela declarou sua surpresa e sua discordância com os cortes de 30% no orçamento das Universidades Federais do Brasil. Ela procurou manifestar a sua opinião de modo bastante cauteloso, mas fez uma comparação bastante forte. Na opinião dela, o corte equivale a amputar as asas de alunos de condição social menos favorecida. Segundo Graça Machel, os mais pobres serão os mais prejudicados com o corte, já que os mais ricos poderão pagar pelo ensino em outras universidades.

Deixando de lado as questões locais e voltando à universalização, Graça Machel concluiu conclamando os presentes a se articularem e a se esforçarem para criar uma sociedade que valorize a igualdade e a dignidade humanas.



E assim terminou a primeira das 8 conferências do Fronteiras do Pensamento 2019.



Texto e fotos de Henrique Guerra.




Saturday, May 11, 2019

Bird Box


O escritor Josh Malerman, também letrista e vocalista da banda The High Strung, durante as viagens da banda, que faz cerca de 250 shows por ano, escreveu 14 livros sem nunca tentar vendê-los. Até que, incentivado por um amigo, aceitou submeter um dos manuscritos às Editoras. A sua estreia como autor publicado foi Bird Box.

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No Brasil, o livro ganhou o título de Caixa de pássaros. Em Portugal, Às cegas.


Em 2018, foi lançada no Netflix a versão fílmica, com Sandra Bullock e John Malkovich no elenco, dirigidos pela cineasta dinamarquesa Susanne Bier, com roteiro de Eric Heisserer (roteirista de A chegada).

Bier tem no currículo o filme Em um mundo melhor, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011.

Desta vez, a preocupação de Bier com o "lado escuro" do ser humano, já explorada no filme que lhe deu o Oscar, é exacerbada de um modo impactante.

Bird Box é um filme aterrador. Um filme aterrorizante. Um filme de terror em que a sobrevivência é a principal meta. A esperança em um mundo melhor? Ficou para trás. Restou um modo de vida demente, depressivo e deprimente.

Sandra Bullock conduz as ações na pele de Mallory, grávida prestes a dar à luz, que se vê numa situação apocalíptica e acaba confinada numa casa com um grupo de pessoas desconhecidas. 

Nessa parte do filme existem alusões a Um anjo exterminador, de Buñuel. Estar numa casa com pessoas de quem não gostamos e não poder sair dali. A sensação de claustrofobia toma conta do espectador.

Alternando as cenas de puro terror com diálogos destinados a "desenvolver os personagens", o filme tenta avançar e conquistar os espectadores.

Confesso que, em certos momentos, pensei em interromper a sessão, principalmente nos primeiros 30 minutos. Algo na ideia toda de Bird Box exige um mergulho ficcional que talvez eu não seja mais capaz de me permitir. Tive a mesma sensação ao ver Nós.

Mas persistente eu sempre fui. Resiliente, eu prossegui e terminei de assistir ao filme.
A minha sensação ao terminar de assistir a Bird Box foi a de dever cumprido. 

A propósito, o final do livro é mais sombrio, segundo este artigo. Nele Susanne Bier explica as suas decisões sobre as diferenças entre a conclusão do livro e a do filme.

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Sendo um cinéfilo que respeita a carreira do realizador, não vou massacrar Bird Box como fez este crítico iconoclasta.

Talvez seja esta a maior diferença entre um cinéfilo e um crítico. 

O cinéfilo não consegue dissociar a obra de seu autor. Por isso, aborda os filmes com mais reverência e admiração.

O crítico consegue deixar de lado o currículo dos envolvidos. Por isso, concentra-se apenas no filme que está vendo.

Críticos também são cinéfilos a seu modo. No sentido de que amam o cinema. Mas precisam ser frios em sua análise.

Cinéfilos também são críticos a seu modo. No sentido de que analisam o cinema. Mas precisam ser fiéis a seu amor.  
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Friday, May 10, 2019

Um homem de sorte




















Henrik Pontoppidan é um escritor dinamarquês vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 1917. Sua obra-prima, Lykke-Per, publicada entre 1898 e 1904, entrou em 2006 para o Cânone Cultural Dinamarquês.  A primeira tradução para o inglês, de Naomi Lebowitz, surgiu apenas em 2010.


Em 2018 foi lançada uma nova tradução, do irlandês Paul Larkin. Ele explica neste artigo por que todo mundo deveria ler o livro e também sua abordagem em relação à tradução literária. Uma resenha sobre a tradução compara a grandeza de Pontoppidan à de Tolstoy.




O renomado diretor Bille August é um dos dinossauros do cinema que souberam "dançar conforme a música" e procurar meios para continuar a produzir filmes valorosos. O dinamarquês antes de embarcar neste projeto realizou o filme A viúva chinesa, lançado em mandarim. Aqui no olhar cinéfilo, August marcou presença em 2013, na resenha sobre o filme Trem noturno para Lisboa.

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Da união de uma grande obra literária com um grande diretor, em geral, surgem grandes filmes.
Um homem de sorte é uma afortunada escolha para um cinéfilo zapeando no Netflix.

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Sob todos os prismas, como adaptação de uma obra literária, Um homem de sorte beira o sublime. Parece que estamos lendo o calhamaço de 900 páginas em pleno dinamarquês, ouvindo os diálogos no musical idioma, comparando as palavras parecidas com as do português e com as do inglês. É possível calcular que o livro é escrito com um narrador neutro, que só vai acompanhando os fatos ligados à trajetória de altos e baixos do protagonista, Per Sidenius. 

Em determinadas situações, imaginamos que estamos diante de personagens redondas, aquelas que em teoria literária são as mais difíceis de perscrutar, as capazes de surpreender o leitor, as multifacetadas. Jakobe, a primogênita de uma rica família judaica, é uma dessas personagens.

O próprio Per vai mostrando aos poucos uma personalidade fragmentada, um herói pelo qual tentamos torcer, mas que a cada movimento pode acabar surpreendendo a todos, por motivos dos mais variados.

Em essência, Per Sidenius está em constante luta interna. De um lado, a sua ambição pecuniária, o seu idealismo técnico, o seu talento de engenheiro. De outro, a criação ultracristã que ele deixou para trás e tenta negar a todo custo. É nesse embate que se travam as batalhas de uma alma perturbada e que ironicamente parece sempre querer fugir da felicidade.

O título da obra original brinca com a ambiguidade da palavra lykke, que pode significar "sortudo" (lucky) ou "feliz" (happy). A primeira tradução para o inglês optou por Lucky Per, enquanto a segunda por A fortunate man. Este último acabou sendo o título adotado internacionalmente para comercializar o filme.

O produto também foi vendido para a TV, no formato de minissérie de 4 capítulos, com metragem estendida.

A versão cortada para filme de longa-metragem, que passou em festivais de cinema, está agora disponível no Netflix.

É justamente por filmes como este que um cinéfilo como eu está começando a aceitar o Netflix e aprendendo a aproveitar o que a plataforma oferece de melhor. 

Abaixo um vídeo em que o diretor Bille August é entrevistado durante uma carona para a exibição do filme.





Este outro vídeo (Lykke-Per er en kæmpe idiot = Lykke-Per is a huge idiot) contém uma entrevista com os dois protagonistas (bem que eu gostaria de ter a sorte de entender o que eles estão dizendo):





Tuesday, May 07, 2019

Vingadores: Ultimato e as citações sobre viagem no tempo




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Uma das qualidades de Vingadores: Ultimato é a palpitante conversa sobre viagem no tempo entre Nebulosa, Máquina-de-Combate, Homem-Formiga, Hulk e Gavião-Arqueiro. 

No brainstorm são citados nada menos que 11 filmes ou seriados com a temática "viagem no tempo". À exceção, é claro, de Die Hard, que aparece na lista apenas como piada. Abaixo transcrevo o roteiro original:

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Scott Lang: Look, we go back, we get the stones before Thanos gets them, Thanos doesn’t have the stones. Problem solved.
Clint Barton: Bingo.
Nebula: That’s not how it works.
Clint Barton: Well, that’s what I heard.
Bruce Banner: What? By who? Who told you that?
James Rhodes: Star Trek, Terminator, TimeCop, Time After Time.
Scott Lang: Quantum Leap.
James Rhodes: A Wrinkle in Time, Somewhere in Time.
Scott Lang: Hot Tub Time Machine.
James Rhodes: Hot Tub Time Machine. Bill and Ted’s Excellent Adventure. Basically, any movie that deals with time travel.
Scott Lang: Die Hard? No, that’s not…
James Rhodes: This is known.
Bruce Banner: I don’t know why everyone believes that, but that isn’t true. Think about it, if you travel to the past, that past becomes your future. And your former present becomes the past. Which can’t now be changed by your new future.
Nebula: Exactly. 
Scott Lang: So Back to the Future’s a bunch of bullshit?


A seguir, os títulos nacionais dos filmes e seriados citados.Resultado de imagem para série passageiros do tempo

Star Trek = Jornada nas Estrelas
Terminator = O exterminador do futuro
TimeCop = O guardião do tempo (com Jean-Claude van Damme)
Time After Time = Um século em 43 minutos (filme de 1979) e/ou Passageiros do tempo (série de 2016)
Quantum Leap = Contratempos (série de 1989)
A Wrinkle in Time = Uma dobra no tempo (filme de 2018)
Somewhere in Time = Em algum lugar do passado (filme de 1980)
Hot Tub Time Machine = A ressaca (filme de 2010)
Bill and Ted's Excellent Adventure = Bill e Tedd -
 Uma aventura fantástica (filme de 1989)
Die Hard = Duro de matar (filme de 1988)
Back to the Future = De volta para o futuro (1985)

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Na dublagem, por economia e pelo número de sílabas, os nomes desses filmes não apareceram todos. Mas entre os mencionados na dublagem está Em algum lugar do passado, filme que, por coincidência, foi resenhado aqui neste blog há poucos dias. Resta saber qual foi a solução da legendagem, porque certamente também não havia espaço para mencionar todos os títulos citados no original.

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