Tuesday, April 25, 2006

Um Herói do Nosso Tempo


Radu Mihaileanu não é um cineasta muito prolífico. Sua filmografia engloba Trahir (1993), Train de Vie (Trem da Vida, 1998) e Va, vis et deviens (Go, See and Become / Um Herói de Nosso Tempo, 2005). Xodó do público no Festival de Berlim, vencedor do César de Melhor Roteiro Original, a nova película do diretor romeno está em cartaz no Guion, em sessões concorridas. Seus projetos são demorados mas sempre contundentes. Trem da Vida chamou atenção pela originalidade e ousadia da história. E ao acender das luzes de Um Herói de Nosso Tempo, queda o público imóvel, como que envolvido por uma forte carga emotiva, e como quem demora um pouco para se recompor e/ou disfarçar as lágrimas.
O apelo ao sentimento é uma constante nos 140 minutos do longa-metragem, que parte de um fato histórico, a Operação Moisés, que removeu em 1984 milhares de falashas (judeus etíopes) de seu país de origem para uma nova vida em Israel. Ao contar as peripécias de Schlomo, menino, adolescente e jovem adulto, a produção franco-israelense debate temas como fome, amor filial e ao torrão natal, discriminação racial e religiosa, adoção, relações familiares, descoberta da sexualidade e idealismo.
A diversidade étnica mostrada no filme aparece no elenco. Yaël Abecassis (israelense) e Roschdy Zem (francês filho de marroquinos) interpretam mãe e pai adotivos de Schlomo. Três atores talentosos vivem o personagem principal: o primeiro é Moshe Agazai, de 11 anos, nascido em Rehovot, um dos subúrbios pobres de Tel Aviv; Mosche Abebe (16), nascido em Adis Abeba, capital da Etiópia e Sirak M. Sabahat (25), de Walita, norte da Etiópia. A mais jovem participante do elenco é a comportada e meditativa Rivkalée Abravachy. Nascida há 5 anos num kibutz a 40 Km ao norte de Tel Aviv, interpreta Mandala, a vaca holandesa. Outra promissora atriz é a namorada de Schlomo (Roni Hadar).
Problemas na cadência do filme – a história é contada sem pressa até uma altura e então passa a acelerar demais – não chegam a comprometer a força da obra. Um diálogo possível ao final do filme é trocar idéias do tipo “Em que parte você chorou?”

1 comment:

Caroline Uni said...

OI!
eu vi o trailer deste filme quando assisti a "em minha terra" (já assitiu?). Achei bem interessante, até havia anotado o nome do filme.
agora estou ainda mais empolgada!
abraço