Sunday, April 08, 2007

300

O diretor Zack Snyder, de Madrugada dos Mortos
(http://olharcinefilo.weblogger.com.br/200404_olharcinefilo_arquivo.htm), baseia sua segunda e esperada película no homônimo álbum de HQ de Frank Miller sobre a Batalha das Termópilas, episódio da guerra entre gregos e persas, no século V a.C.

Nessa batalha, o bravo Leônidas recruta 300 dos melhores soldados espartanos, todos com filhos a quem legar o nome, com o objetivo de impedir o avanço das tropas persas por território grego. O plano de Leônidas (Gerard Butler), com a ajuda de 4000 combatentes de outras cidades-estado, é formar uma barreira humana inexpugnável no desfiladeiro das Termópilas - que, na época, possuía uma passagem de 12 metros de largura -, repelir as investidas, infligir perdas no numeroso exército persa (conforme Heródoto, um milhão de soldados; historiadores modernos calculam em 250 mil), e assim abater o ânimo dos comandados de Xerxes (Rodrigo Santoro). Uma das bonitas cenas do filme é o momento em que Leônidas parte com seus 300 soldados e se despede do filho e da rainha Gorgo (Lena Headey).

Há líderes em que a coragem, a obstinação, a estratégia, a ética e o amor à liberdade se reúnem de forma rara; há filmes onde o apuro, a honestidade, a energia, o idealismo e a paixão se unem de modo empolgante. Líderes como Leônidas, o rei de Esparta, e filmes como 300, de Zack Snyder.

3 comments:

Sidnei Schneider said...

Henrique, justamente essa parte do filme, representada pela fotografia que ilustra teu texto, é que me pareceu a mais definidora, mas negativamente, do filme. Fui ao cinema com a pergunta: o filme tem ou não um papel de estímulo a política belicista de Bush. Mas o que me pareceu mais criticável foi justamente essa cena, na qual o narrador diz que Leônidas não fala nada para a mulher na despedida porque em Esparta não há lugar para a ternura, só para guerreiros fortes e bravos, qq coisa assim. Acho até que, psiquicamente, sem ternura não dava pra arregimentar forças e enfrentar os persas com tanta bravura e ousadia. Outro herói, mais próximo de nós, tocou na questão: hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamas. Respeito muito tua opinião, queria saber o que achas a respeito?

Ique said...

olá, Sidnei, também respeito bastante o que vc pensa. para ser sincero, não creio que Frank Miller e Zack Snyder tivessem intenção de estimular guerras, acho que a moral que eles quiseram passar é 'vale a pena lutar por um ideal' ou 'melhor morrer lutando a viver sem liberdade'.
Leônidas, por suas atitudes, como por exemplo, ao ouvir o soldado relegado, demonstrou ser justo e ter bom coração - como o protagonista de Diários de motocicleta na colônia de leprosos. e se me permite fazer o contraponto: a frase que vc mencionou é a legenda perfeita para a cena da despedida. plena de ternura, não necessariamente verbalizada. abraço.

Sidnei Schneider said...

Lido. Abração.