Sunday, May 18, 2008

Encurralados

O título original de Encurralados (Butterfly on a Wheel), produção independente britânica (cujo DVD recebeu nos EUA o título Shattered ), é uma referência à frase "Who breaks a butterfly upon a wheel?", citação de Alexander Pope; por sua vez, alusão à forma de tortura em que as vítimas eram amarradas a uma roda e tinham fêmures e úmeros quebrados por uma barra de ferro. Uma das conotações da expressão "estraçalhar uma borboleta sobre uma roda" é dispender um esforço grande para alcançar algo sem importância. Para quem gosta de música pop: Butterfly on a Wheel é, também, o título da bela canção do Mission, cujo refrão é Love breaks the wings of a butterfly on a wheel.
E o amor de Amy (Maria Bello) e Neil Warner (Gerard Butler) pela filha Sophie será colocado à prova. Neil Warner, bem-sucedido executivo do ramo de publicidade, na agência onde trabalha cultiva a inveja de alguns e a admiração de outros, como o seu chefe e a secretária Judy (Claudette Mink). Num fim-de-semana em que Neil tem programado um encontro com o chefe e Amy um encontro com as amigas, o casal é obrigado a contratar uma babá para cuidar da filha Sophie (Emma Karwandy). Tudo parece estar calmo, mas de súbito os dois se vêem raptados por Tom Ryan (Pierce Brosnan) e informados de que a filha deles, na verdade, está nas mãos de uma cúmplice. A partir daí, o roteirista William Morrissey tenta fazer de Tom Ryan um vilão implacável com objetivos obscuros. Os fatos sucedem-se de modo tão vertiginoso que, se o espectador se deixar confundir, pode até chegar a pensar que está vendo um bom thriller. Porém, a despeito dos esforços dos atores, o argumento é mesmo frágil como asas de borboleta. Não bastasse o exagero e a falta de bom senso das situações, o filme conta com uma das cenas finais mais mal-resolvidas e constrangedoras dos últimos tempos. Não à toa o filme nem entrou em cartaz nos Estados Unidos: ir ao cinema para assistir Encurralados é despender muito esforço para um retorno ínfimo.

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