Sunday, February 12, 2017

Um lobisomem americano em Londres


 

            Por que certos filmes são marcantes? Por que sobrevivem ao tempo? Rever Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, responde plenamente a essas questões.

            Em primeiro lugar, o roteiro é original, dosa humor negro com o mais puro terror. Em segundo lugar, os efeitos são perfeitos e, arrisco dizer, mais realistas que os atuais. A transformação assinada pelo maquiador Rick Baker impressiona até hoje porque é maquiagem pura, sem nada virtual. Terceiro, o elenco é ótimo, um tanto desconhecido na época, hoje, mais desconhecido ainda. Contribui também para tornar o filme imortal a sua duração: uma hora e vinte minutos.


            O ator mais conhecido é Griffin Dunne, que trabalhou com Martin Scorsese em Depois de horas. Ele e seu amigo são dois americanos em férias, perambulando pelo interior da Inglaterra. Chegam num pequeno vilarejo, entram no bar. Um cara erra o arremesso de dardo. Os demais param de conversar e olham para eles. Sinistro. Pedem algo para comer, não tem. Então os dois resolvem ir embora, não sem antes ouvir uma recomendação: não saiam da estrada.

            Papeando distraidamente, a dupla, ainda chocada com o modo estranho com que foi tratada, afasta-se do caminho sem notar. A lua está cheia. Um ruído assustador atravessa a noite. Os dois se entreolham, apavorados. Algum animal selvagem? Reparam, tardiamente, que não seguiram o conselho dado na taverna.

            Essa cena de grande poder de tensão e suspense é só a primeira de muitas cenas do mesmo nível ao longo do filme. E quer saber, para não me chamarem de barriga-fria, não vou contar mais nada.

            Só mais uma coisa. Um lobisomem americano em Londres é um filme sem "partes chatas". Nenhuma cena pode ser cortada. Todas cenas são memoráveis. E muitas delas são clássicas, pois, além de bem dirigidas, são surpreendentes e reservam ao espectador um bom susto ou uma boa gargalhada.

            Por isso, quem ainda não viu terá uma grata surpresa. Quem já viu uma vez, tem tudo para revê-lo com prazer. Mesmo para quem já perdeu a conta das vezes que o assistiu, é incrível: continua uma diversão garantida.

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