Sunday, March 05, 2017

JOHN STURGES: Conspiração do silêncio


JOHN STURGES, O MESTRE DA AÇÃO

         Quem gosta de aventura deve procurar nas capas dos filmes um nome: John Sturges. Basta uma rápida olhada no currículo do diretor norte-americano, falecido em 1992, para notar sua predileção pela aventura, seja embalada em formato de faroeste ou guerra: A fera do Forte Bravo (1953), Sem lei e sem alma (1957), Duelo de titãs (1959), Nas trilhas da aventura (1965), A hora da pistola (1967) e A águia pousou (1976), entre outros.

Pau para toda obra, Sturges era um talento à disposição da indústria, dificilmente dizia “não” aos produtores. Para um diretor com esse perfil, é incrível como a sua filmografia consegue manter, ao mesmo tempo, diversidade e coerência. Ele sabia como poucos administrar as vaidades, tinha um faro para as boas histórias e um jeito inconfundivelmente espartano de contá-las.

As aberturas com panorâmicas, as trilhas sonoras de Elmer Bernstein, as histórias repletas de suspense e ação, os personagens heroicos, mas humanos, as tomadas originais e surpreendentes, todos esses ingredientes compõem o multiestratificado tecido dos filmes de John Sturges.

Apesar de ter realizado grandes filmes, só em 2008 foi lançada uma biografia dele: Escape Artist: The Life and Films of John Sturges. Antes tarde do que nunca!  E se você é cinéfilo, mas ainda não assistiu a nenhum filme de Sturges, antes tarde do que nunca.
Que tal começar pela sua tríade de melhores filmes, pelos quais Sturges sempre será lembrado e cultuado? Esses três filmes são, é claro:
  • Conspiração do silêncio (Bad day at Black Rock, 1955);
  • Sete homens e um destino (The magnificent seven, 1960); e
  • Fugindo do inferno (The great escape, 1963).




Conspiração do silêncio
(Bad day at Black Rock)

Este filme de 1955 deu a Spencer Tracy o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes. Ele é John Macreedy, um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial que chega de trem ao longínquo vilarejo de Black Rock e provoca alvoroço entre os desconfiados habitantes. John traz uma das mangas do paletó sempre no bolso, uma lembrança amarga de quem perdeu uma parte do braço na guerra.

Em vez de ser recebido com hospitalidade (fazia vários anos que o trem não parava naquela estação), os gatos pingados que habitam o local começam a hostilizá-lo, não dando as informações de que ele precisa e fazendo de tudo para que ele desista de sua empreitada. Até mesmo o balconista do hotel alega de modo surreal não ter quarto vago para o forasteiro.


Mas o nobre objetivo de sua incursão envolve encontrar um japonês radicado na região, o Sr. Komoko, e o obstinado John Macreedy não vai desistir tão fácil. Um clima de mistério, de algo oculto, paira no ar. Essa sensação permeia a maior parte do filme e o alçou à condição de clássico cult.

Claro que o sucesso artístico do filme é o reflexo da relevância do elenco, que inclui atores gabaritados como Robert Ryan, que interpretava Reno Smith, o líder local; Walter Brennan, o veterinário, três Oscars de Melhor Ator Coadjuvante; Lee Marvin, um dos capangas de Reno, que dez anos depois venceria o Oscar de Melhor Ator por seu papel duplo em Dívida de sangue (Cat Ballou); Ernest Borgnine, Oscar de Melhor Ator por Marty, também de 1955; Anne Francis, que encarna a impetuosa Liz,  e que mais tarde na carreira seria reconhecida com um Globo de Ouro de Melhor Atriz como protagonista da série de televisão Honey West.

Conspiração do silêncio entrou para a história do cinema não por ter sido o primeiro a ser realizado em Cinemascope, mas sim pela ousada temática social e algumas sequências imortais, como a luta no bar entre os personagens de Tracy e Borgnine.  




Este é o primeiro de três posts da Tríade de Melhores Filmes de John Sturges.
O próximo post da série será dedicado ao inesquecível western Sete homens e um destino.

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