Saturday, November 25, 2017

Contatos imediatos do terceiro grau


O que define um "clássico" do cinema?
Ultimamente se convencionou chamar tudo que é antigo de "clássico".
O que abre margem para outra pergunta: o quão antigo precisa ser um filme para se tornar "clássico"?
Levando em conta apenas o quesito "antiguidade", talvez hoje em dia pudéssemos afirmar que filmes realizados na década de 70 já seriam clássicos.



E filmes da década de 80, será que já se tornaram clássicos? Bem, alguém poderia tranquilamente chamar Sociedade dos poetas mortos (1989) de filme clássico sobre a relação entre um professor revolucionário e seus alunos. Blade Runner (1982), um clássico da ficção. E Um lobisomem americano em Londres (1981), um clássico do horror. Pensando bem, talvez tenhamos chegado ao ponto em que os filmes da década de 80 possam ser chamados assim.

O que nos leva a pensar com propriedade: será que simplesmente a década em que o filme foi realizado define se ele é ou não um clássico?
Em tese, não.
Na verdade, o que está acontecendo hoje em dia é a banalização do termo "clássico".
Qualquer filme relativamente importante e relativamente antigo corre o risco de ser rotulado assim.
Como eu definiria um clássico, então? 



Clássico do primeiro grau é o filme que resiste ao tempo, que envelopa tudo que o cinema tem de excelência, desde o roteiro, a direção, o elenco, as atuações, os efeitos especiais, a maquiagem, o figurino, a trilha sonora e os demais aspectos da produção.

Clássico do segundo grau preenche os requisitos acima e além disso fez muito sucesso na época em que foi lançado. Muitas vezes, cria uma legião de fãs incondicionais. Sim, todo bom clássico também pode ser cult. 

Clássico do terceiro grau é a experiência cinéfila extrema. É o filme cujas cenas permanecem na retina. Claro que isso é apenas outro clichê ou modo de falar. Para ser clássico, as cenas têm mesmo é de permanecer na memória de longo prazo, não apenas na memória de trabalho, e voltar à retina quando pensarmos no filme. E quando revemos aquelas cenas, pensamos: esta é uma cena clássica do cinema.



Contatos imediatos do terceiro grau tem várias cenas desse gabarito.

Uma curiosidade: nos extras, Spielberg conta que para o papel principal convidou ninguém menos que Steve McQueen, que tomou umas bebidas com ele, mas no final o experiente ator recusou o papel, alegando que não conseguiria verter lágrimas diante das câmeras, coisa que nunca fizera em sua carreira, e o roteiro assim exigia.
Richard Dreyfuss, que já havia trabalhado com Spielberg em Tubarão, tanto insistiu que acabou ganhando o papel.




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