segunda-feira, junho 22, 2026

Honey Don't


 Ah, que delícia gostar de um filme execrado pelos críticos. Estava sentindo falta dessa sensação. A quase totalidade das resenhas que li sobre Honey Don't massacra o novo longa de Ethan Coen, chineleia seu filme de 2025 com a Margaret Qualley no papel de uma detetive lésbica que se vê às voltas com crimes seriais no interior dos EUA.

O humor dos irmãos Coen imortalizado em comédias como Arizona nunca mais tem seu lugar neste filme, mas de um modo diferente; no filme de 1987 a graça está a serviço da história, e nesse de 2025 é um humor mais disperso, mais desconectado com o fio da meada.



Por sinal, essa é a principal crítica que o filme recebe, que não há história sendo contada, que é um exercício de estilo, e blá-blá-blá.

Honey Don't conta uma história, sim senhor.

A história de quem nasce e vive longe das capitais urbanizadas.

De quem nasce e vive no interior.

De quem convive com as bizarrices que só acontecem nesses fundões do mundo.

Esses críticos ultraurbanizados desconhecem ou já perderam seus vínculos com esse interior profundo exposto no filme.

Por isso, repelem as sensações por ele provocadas.

Honey Don't oferece um leque de ingredientes capazes de transformar um filme em filme cult.

A protagonista é adorável, com suas idiossincrasias, seu estilo e sua postura.

Ela em seu dia a dia se relaciona com situações desconcertantes e precisa manter sua família junta, precisa atuar decisivamente para que ela não se desintegre diante de seus olhos.

E com seu imponderável charme conquista todas as mulheres que deseja, ao mesmo tempo que afasta as tentativas dos incautos e ridículos homens que dão em cima dela.

 Um dos únicos comentários positivos está nesta página do site Crime Reads, em que o crítico David Masciotra classifica o filme como "subversivo" e "oportuno".


O leitor e a leitora deste blog ficam então mais do que avisados: Honey Don't é um filme do qual quase ninguém gosta, um filme que não agrada aos críticos, que a Decider em sua coluna Stream It or Skip It sentenciou: Skip It. Portanto, não fique tentado a assistir só porque o host do obscuro blog olhar cinéfilo curtiu o filme, ok.