sexta-feira, fevereiro 16, 2024

Pobres criaturas


Com roteiro do australiano Tony McNamara e direção do grego Yorgos Lanthimos, Pobres criaturas (Poor Things) é uma fábula feminista com óbvias influências da obra de Mary Shelley, Frankenstein
A fonte original adaptada por McNamara é o romance Poor Things: Episodes from the Early Life of Archibald McCandless M.D. Scottish Public Health Officer, de Alasdair Gray, publicado a primeira vez em 1992, por sua vez, fortemente influenciado pelo clássico shelleyano.

Não é preciso ser um gênio em literatura universal para perceber esse vínculo logo ao ver o trailer do filme. A propósito, a revista Time abordou a ligação entre o filme Pobres criaturas e o feminismo no clássico Frankenstein nesta reportagem.

Godwin Baxter, cientista sequelado, mas brilhante (Willem Defoe), faz um experimento bizarro: encontra o cadáver de uma jovem suicida grávida, retira o cérebro da neném, implanta na mulher adulta, e em seguida a ressuscita.

Para acompanhar passo a passo a evolução de Bella (Emma Stone), contrata Max (Ramy Youssef), estudante de Medicina que, inevitavelmente, se apaixona pela destrambelhada, porém deslumbrante jovem.

Dia após dia, anota a evolução da moça, o vocabulário crescente, a inaptidão social.

Quando Bella dá um passo importante em sua vida sexual (aprende a se masturbar e a ter orgasmos), o Dr. Godwin resolve casá-la com Max. Para fazer o contrato, entra em cena um inescrupuloso advogado, o dândi Duncan Wedderburn (Mark Ruffalo), que acaba se interessando por conhecer quem é essa misteriosa pessoa.

A partir daí, o filme envereda por um caminho em que Bella assume o protagonismo e as rédeas de seu destino.

A jornada de autoconhecimento de Bella vai passar por muitas etapas.



Em meio a viagens a países exóticos, aventuras e desventuras, a ingenuidade vai dando lugar à experiência e ao entendimento de como o mundo funciona.

O filme tem ótimos momentos de comédia, com atuações consistentes. 

Perde um pouco o ritmo na segunda metade, talvez menos por culpa de Yorgos (cujo filme A favorita, de 2018, foi sucesso de crítica e público, faturando sete vezes o valor do orçamento) e mais dos tempos em que vivemos. 

Hoje em dia, a metragem dos filmes está numa fase mais elástica do que antigamente. Diretores se apaixonam por suas obras e as estendem ao máximo, sem que ninguém ouse os repreender ou ordenar sábios e bem desejados cortes.

Pobres criaturas é um bom entretenimento, com uma forte crítica social, principalmente a nós... limitados, ridículos e patéticos seres do sexo masculino.


domingo, janeiro 28, 2024

Anatomia de uma queda


 Fiquei pensando uma palavra que definisse o filme vencedor da Palma de Cannes e me veio à mente o adjetivo "ambicioso".

O trabalho de Justine Triet não é menos que isso, começando pela metragem de 2h36m. 

Outro detalhe que torna o filme ambicioso é o fato de ser uma espécie de estudo de personagem às avessas, afinal de contas, o personagem estudado nunca aparece vivo.

A primeira cena em que ele aparece está estirado na neve avermelhada com os miolos arrebentados e sangue coagulado no crânio.

Outra característica que torna o filme ambicioso é o fato de ser um thriller sem um detetive formal, na verdade o detetive é o espectador.

As pistas vão sendo fornecidas pelas cenas em tempo real, paulatinamente, e depois, em flashbacks, na fala das personagens sobreviventes à queda.

Snoop é o cão que merecia um Oscar de melhor atuação. Ao redor dele o filme se constrói, ele tem uma relação especial com os três personagens principais, o garoto Daniel (Milo Machado Granier), a mãe dele, Sandra (Sandra Hüller) e a pessoa que morreu na queda, o pai de Daniel e marido de Sandra, Samuel (Samuel Theis).




Com Daniel, Snoop é o protetor e maior companheiro. O menino de 11 anos tem uma deficiência visual decorrente de um atropelamento, aos 6 anos. Mas ao lado de Snoop, Daniel se sente confiante e amado o tempo inteiro, explorando a paisagem nevada em dias de sol.

O cenário é uma cidadezinha da França, a cidade natal de Samuel. O casal mora com o filho e o cão em uma casa retirada, na zona rural de Grenoble. Sandra é escritora e tradutora, Samuel é professor e um aspirante a escritor, que tem boas ideias, escreve bem, mas não consegue terminar os romances devido a bloqueios.

A investigação sobre a queda se dá por meio da polícia, que vai fazendo induções e deduções, coletando indícios, fazendo descobertas. Passo a passo, o que poderia ser um mero acidente se torna uma morte suspeita que acaba em um tribunal, com Sandra sendo acusada de homicídio.

A maneira como a diretora Justine Triet conduz a trama é ambiciosa pelos motivos citados, ela confia que os espectadores vão aceitar a narrativa não linear, o vaivém na linha do tempo, a angústia crescente de Sandra e, principalmente, de David, a maior vítima de toda a situação.


O menino que está tentando processar o luto começa a questionar a inocência da mãe e se perguntar se ela está dizendo a verdade.

De quebra, no tribunal, se vê obrigado a saber detalhes íntimos sobre a vida dos pais.

Pela sensação de opressão crescente e dos sentimentos de culpa que permeiam os personagens, Anatomia de uma queda fez um intertexto com outro filme ambicioso, pesado e dramático, também sobre um homem angustiado, Manchester à beira-mar.

Ser ambicioso per se não é algo ruim.

O filme de Justine Triet em muitos aspectos se mantém íntegro e passa uma honestidade que o filme de Kenneth Lonergan na época não me transmitiu.

O que diferencia o filme de Triet são dois fatores: um humor que corre por baixo da superfície, críticas sociais muito discretas, sem levantar bandeiras ou coisas do tipo, um humor que alivia tanto sofrimento que as personagens vivenciam. E, claro, todas as cenas de ternura com o cão Snoop, interpretado pelo border collie Messi. O expressivo Messi inclusive ganhou a Palm Dog, prêmio não oficial que existe há 22 anos no Festival de Cannes. Este ano foi um dos mais disputados e Messi acabou vencendo.




 





quinta-feira, janeiro 04, 2024

Agradecimentos e desculpas

 


Quarto longa-metragem de Lisa Aschan“Tack och förlåt” (Thank You, I'm Sorry) recebeu em português o pouco atraente título Agradecimentos e desculpas.
Os distribuidores deveriam se desculpar pela falta de inspiração.

Em contrapartida, as pessoas interessadas em ver um filme diferente, com idioma musical, ansiosas por mergulhar numa história sobre relações familiares, perdas, lavação de roupa suja, verdades entaladas nas gargantas, mentiras desmascaradas, misto de ternura com brutalidade, só têm a agradecer à Netflix e à diretora Lisa Aschan.

Diálogos muito bem construídos deixam florescer o talento de um elenco enxuto, mas soberbo.

Mágoas soterradas vêm à tona na vida de Sara (Sanna Sundqvist), quando, com um filho pequeno e mais um a caminho, o marido dela avisa que vai embora. No dia seguinte, o que parecia ruim fica ainda pior e a vida de Sara é posta em xeque.

Com a barriga no ápice, ela desce degraus de costas enquanto procura reformular seus conceitos. Nesse processo, terá de conviver com Helen (Ia Langhammer), a sogra um tanto invasiva, e Linda (Charlotta Björk), a irmã mais velha com quem havia cortado relações.

Outros personagens são o namorado abusivo de Charlotta e o pai das duas irmãs, que mora em uma espécie de casa geriátrica.



A intricada rede afetiva é entretecida com delicadeza pela premiada diretora Lisa Aschan, que tem no currículo She Monkeys (2011), White People (2015) e Call Mum! (2019).

O bem trabalhado roteiro de Marie Østerbie culmina em um filme sueco, demasiadamente sueco, com tudo que o cinema sueco tem de bom, inclusive a tal "profundidade" que muita gente sentiu falta em Rebel Moon.

Tenso do início ao fim, Agradecimentos e desculpas envolve o espectador em um tipo de agonia, uma ansiedade, simbolizada na criança prestes a nascer: a angústia de sermos humanos, demasiadamente humanos, guardadores de rancores, com sérias dificuldades para perdoar e virar a página, para agradecer e pedir desculpas...


terça-feira, janeiro 02, 2024

Rebel Moon


Sempre que penso em escrever algo sobre o cinema de Zack Snyder me vem à mente uma palavrinha da língua inglesa: self-indulgement.

Essa palavrinha, além de bonita e chique, exige do tradutor algo mais que uma solução fácil. 

Na categoria de dificuldade para traduzir, enquadra-se como "tricky".

A letra de uma canção de Lulu Santos me vem à mente quando me lembro da palavra "self-indulgement".


Tempos modernos

Eu vejo a vida melhor no futuro

 Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia

Que insiste em nos rodear

Eu vejo a vida mais clara e farta

Repleta de toda satisfação que se tem direito

Do firmamento ao chão


Eu quero crer no amor numa boa

Que isso valha pra qualquer pessoa

Que realizar a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era

De gente fina, elegante e sincera

Com habilidade pra dizer mais sim do que não


Hoje o tempo voa, amor

Escorre pelas mãos

Mesmo sem se sentir

Não há tempo que volte, amor

Vamos viver tudo que há pra viver

Vamos nos permitir


Zack Snyder é o tipo do cara que, mesmo sem conhecer a canção de Lulu Santos, vive se permitindo fazer filmes assim, self-indulging.

E digo mais. Eu sou o tipo do cinéfilo que se permite assistir a filmes de Zack Snyder pelo puro prazer de assisti-los.

Ficar julgando um filme de Zack Snyder com palavras rasas é algo surreal como Sucker Punch, outro filme de Zack Snyder, talvez o mais self-indulging de todos os filmes, com o elenco mais delicioso de todos os tempos.

Eis que a discussão sobre Rebel Moon empacou numa outra palavrinha, esta da língua portuguesa. Você lê os comentários do honorável público sobre o filme e se depara em 7 a cada 10 com variações desta palavra.

"Raso". 

Até o fato de essa palavra se repetir parece uma certa falta de profundidade, ao menos por parte desses pseudocríticos de araque de plantão.

Em se tratando de algo como arte, o que é raso e o que é profundo varia conforme a percepção de cada um.

Às vezes, a profundidade pode estar oculta no que aparenta ser "raso".

"Cópias" podem ser encaradas como influências e citações ou homenagens.

Mas, entrando no mérito da questão, acredito que, em seu novíssimo filme Rebel Moon, disponível na Netflix, Zack Snyder não tentou ser profundo. Tentou ser ele mesmo.

E não há maior mérito a um diretor autoral.

Ele não é o tipo de pessoa que a toda hora tenta chamar atenção para si mesmo, dizendo: "Olhem como sou profundo".

Se você quiser posar de cinéfilo metido a profundidades, assista aos filmes de Ingmar Bergman e Fellini.

Escreva sobre eles.

Não assista ao novo do Zack Snyder só para malhar.

E se quiser malhar, não seja "raso" na escolha dos adjetivos, procure embasar melhor o seu texto, com uma resenha de meio, começo e fim.




 


sexta-feira, dezembro 15, 2023

O lume de Sidney Lumet: cinco grandes filmes

 Sidney Lumet (1924-2011) é um diretor que admiro, mas que não entrou na minha lista do TOP TEN DIRETORES FALECIDOS

E por que ele não entrou?

Por que uma lista de TOP TEN é um recorte bem reduzido para quem gosta de cinema, pode crer.

E porque para entrar no TOP TEN diversos tipos de sensações precisam ser levadas em conta. 

Filmes do tal diretor devem provocar reações de várias naturezas, como emocionais, táteis, auditivas, intelectuais...

Já declarei outras vezes que muitos diretores despertam meu intelecto, mas não tocam meu coração.

Outros conseguem fazer isso com um ou dois filmes, mas para entrar no TOP TEN, tem que ser algo recorrente.

Enfim, tudo isso para me desculpar com o Lumet, porque embora ele mereça estar no TOP TEN de qualquer cinéfilo que se preze, no meu caso está "apenas" no meu TOP TWENTY.

É um deleite esmiuçar a carreira dele.

Tenho assistido a vários este ano, todos retirados no acervo da Zílvia Locadora de Passo Fundo.

A seguir uma pincelada sobre cinco grandes filmes representativos de sua intensa filmografia:

LONGA JORNADA NOITE ADENTRO (1962)


Uma das características mais marcantes da obra de Lumet (sim, afinal, alguém aí duvida que ele seja um cineasta autoral?) é a íntima relação com o teatro e com os ensaios dos atores.

Lumet baseia seu trabalho nesse contato com os atores, em explorar o talento de cada um, empoderar, apoiar, ensaiar e improvisar.

É um cara de muitos verbos e poucos adjetivos.

Busca uma linguagem sem floreios, uma narrativa visceral.

Isso pulsa nesta adaptação da peça teatral de Eugene O'Neill.

Personagens tipicamente eugenianos e tipicamente lumetianos.

Densos, redondos (ou seja, no jargão da Teoria Literária, personagens surpreendentes, não lineares), com traumas a serem superados.

Para dar uma ideia da força deste filme só vou dar um depoimento bem intimista.

Estava lá eu assistindo a um filme preto e branco, sem explosões, tiros e cenas de ação na sala de vídeo, que é um dente da sala de estar sem porta de separação quando o meu caçula de 11 anos passou por ali, sem eu chamar é claro, e se deitou diante da mesa de centro e escorou os pés na gaveta dos blu-rays, como ele gosta de fazer, e se abancou no tapete preto de cerdas longas, olhos vidrados.

Como eu, embrenhou-se naquela narrativa baseada em diálogos fortes e cenas de uma força absurda.

Alô minha querida amiga de Brasília, minha maior crítica por expor meus filhos a filmes acima da idade recomendada, dessa vez, não tive culpa. 

Põe a culpa no Lumet.

VIDAS EM FUGA (1960)

Este é um dos filmes que teria sido oferecido a Elvis, mas que o Coronel Parker teria vetado.

De posse dessa informação, é difícil não imaginar como Elvis teria se saído vivendo o papel que acabou no colo de Marlon Brando.

Um músico perdido nos confins de uma cidadezinha, acaba sendo "adotado" por uma senhora mais velha, casada com um inválido.

A tensão sexual vai crescendo e o inevitável só não explode porque as cenas são delicadamente construídas e sugeridas. Mas o fato é que Val Xavier e Madame Torrance (Anna Magnani) cedem ao desejo.

Victor Jory faz um tremendo trabalho no papel de Jabe Torrance, um homem doente e amargurado que vai revelar um horrível segredo à esposa.

Elvis perdeu de trabalhar com Lumet, mas o filme seria um anticlímax para os seus fãs, que em novembro de 1960 lotaram os cinemas para assistir a Saudades de um pracinha.

O HOMEM DO PREGO (1965)

Filme sobre a desilusão, sobre o humano transformado em algo sem alma, ou será que o homem do prego, interpretado imortalmente por Rod Steiger, ainda tem alma por trás daqueles olhos vazios, aquela voz monótona, aquela aparência de zumbi e aquela rigorosa postura comercial?

Que sofrimentos passou esse homem para ter se tornado assim?

É a pergunta que Lumet responde ao espectador, da forma mais mágica e verdadeira possível.

Não é à toa que muitos consideram essa atuação a melhor de Steiger.

UM DIA DE CÃO (1975)


Um dos clássicos de Lumet, filme para ser visto e revisto. 

Primeiro filme de Lance Henriksen.

Primeiro filme de Chris Sarandon.

Oscar de Melhor Roteiro Original.

Se não viu ainda, dê um jeito de ver.

Básico no currículo de qualquer cinéfilo que se preze.

Please, faça um favor para si mesmo(a) e

assista a este filme e de preferência assista aos extras do dvd.

Cada vez que assisto a este filme eu me faço a pergunta que fiz acima na introdução ao post, e fico um pouco envergonhado por Lumet não estar no meu TOP TEN...

REDE DE INTRIGAS (1976)



Uma dobradinha admirável na sequência após Um dia de cão.

Quatro Oscars desta vez: 

Melhor Roteiro Original.

Melhor Ator

Melhor Atriz

Melhor Atriz Coadjuvante.

O fato de Lumet nunca ter ganho Oscar de Melhor Diretor mostra o quanto a categoria é competitiva,

e talvez, o quanto as decisões da Academia podem ser discutíveis.

Como prêmio de consolação, em 2004, ele ganhou um Oscar Honorário.

Mas o fato de que seu elenco foi premiado ameniza um pouco essa lacuna, pois mostra o quanto ele deixava o elenco brilhar, sem chamar atenção para si mesmo.

Uma grande qualidade para um diretor - não só de cinema, mas de qualquer atividade.










sexta-feira, setembro 01, 2023

Peckinpah em dose dupla

 O magnífico acervo de uma das poucas locadoras que ainda persiste em atividade estimula os cinéfilos a se transformarem em garimpeiros.

De uns tempos para cá, encontrei um veio ainda inexplorado por mim nessa verdadeira mina que é a Zílvia Locadora de Passo Fundo, cidade encravada no coração do Planalto Médio Gaúcho.

Estou falando da rica filmografia do lendário e genial diretor Sam Peckinpah.

Já resenhei o cult Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia.

Este post aborda dois outros filmes fundamentais na trajetória de Peckinpah:

Sob o domínio do medo

e

Pat Garrett & Billy The Kid.


1. SOB O DOMÍNIO DO MEDO (1971)


O jovem casal Amy e Charlie Sumner vai passar uma temporada no interior da Inglaterra, onde a moça nasceu e tem suas raízes. O americano com quem ela casou (interpretado por Dustin Hoffman, cuja carreira decolou após o estrondoso sucesso de A primeira noite de um homem) é um acadêmico e pesquisador que passa os dias enchendo um quadro negro com cálculos e mais cálculos. Cheia de vida e sensualidade, Amy (Susan George) se sente alijada e desprezada pelo impassível marido.


Um grupo de trabalhadores locais está fazendo uma obra no terreno da propriedade (pelo jeito não é só o povo brasileiro que gosta de fazer um "puxadinho").

O problema é que um dos caras já foi namorado dela anos atrás.

A violência e a tensão sexual são os focos neste filme de Sam Peckinpah inspirado no livro The Siege of Trencher's Farm (O cerco da Fazenda Trencher). 


Eles convidam o marido para caçar e então a violência, em suas mais variadas formas, se precipita de um modo avassalador.

Nos extras do dvd, Peckinpah conta detalhes sobre a produção e a decisão sobre mudar o título para Straw Dogs. Os extras também trazem entrevistas interessantíssimas com Dustin Hoffman e Susan George.


Em tempo: no Brasil Straw Dogs foi lançado como Sob o domínio do medo e em Portugal, Cães de palha.



2. PAT GARRETT & BILLY THE KID (1973) VERSÃO DO DIRETOR




O filme segue a relação entre dois amigos que se separam, após muitos anos de camaradagem e vida desregrada. Tudo muda quando Pat Garrett se torna um xerife e pede para Billy The Kid ir embora para outras plagas.

Billy, porém, não é o tipo de sujeito que se intimida.

O impasse que se instaura é o background perfeito para Peckinpah realizar uma obra-prima estética e formal.




Críticas têm sido feitas aos protagonistas que teriam deixado de imprimir profundidade a seus personagens. James Coburn encarna um Pat Garrett implacável e Kris Kristofferson, um Billy The Kid não menos implacável, com a diferença de ser mais simpático e caloroso como ser humano.

A atuação de Bob Dylan também motivou críticas pela simplicidade e economia, mas também seria querer demais do bardo, que criou clássicos para a trilha.

A genialidade de Sam Peckinpah salta aos olhos - e ouvidos - quando no meio de um faroeste começa a tocar uma canção singela, que se tornaria um clássico da música pop, gravado por Guns N'Roses 



e Zé Ramalho



, entre outros artistas de peso.

E o pasmado espectador se dá conta de quem inventou a arte de mesclar música pop com imagens. Sim, Sam Peckinpah inventou o videoclipe propriamente dito nesta cena: 



Em tempo: no Brasil o filme foi lançado como Pat Garrett & Billy The Kid e em Portugal, Duelo na poeira.

sexta-feira, agosto 11, 2023

Barbie

 


Eis outra experiência emocionante para os cinéfilos rio-grandenses. Na reestreia do que hoje se tornou o único "cinema de rua" da capital gaúcha, o Cine Vitória, levar a família para curtir um filme recém-lançado, digo, o mais badalado filme de nossos dias.

Hordas de detratores tentam erguer vozes que são abafadas pela multidão avassaladora de fãs.

Enquanto isso, o cinéfilo pondera:

"Assisto a filmes, logo existo".

Aos cinéfilos essa discussão toda ideológica é inútil.

O cinéfilo e a cinéfila têm a mente aberta.

São livres-pensadores.

Eles se interessam por Barbie tanto quanto se interessam por Sound of Freedom.

Levei a esposa e meus dois filhos varões para assistir ao novo filme da Greta Gerwig, cujo roteiro provocou muitas lágrimas em minha esposa, conforme ela me relatou no fim do filme. Já os meninos se divertiram e tenho a certeza de que o filme não vai influenciar negativamente no desenvolvimento deles.

Quanto a mim, curti muito a experiência de revisitar uma sala que me traz boníssimas lembranças, de Serpentes a bordo até Planeta Terror, de Robert Rodriguez (parte do projeto Grindhouse, que inclui um programa duplo com À prova de morte de Quentin Tarantino), para citar apenas alguns filmes que eu havia assistido no antigo Vitória.

O renovado Vitória lotou com uma plateia de adultos, jovens, adolescentes, meninas e meninos para assistir a uma reflexão sobre o feminismo e o machismo, uma imersão no mundo do consumismo com senso crítico e autocrítico. 




Alguns momentos do roteiro podem ser destacados, que se transformam quase em discursos fervorosos na fala dos personagens. Um deles é quando Gloria (America Ferrera) toma a palavra e comenta as agruras e dilemas de ser mãe e trabalhadora no mundo atual.

No geral o filme é bem divertido, e a diretora Greta Gerwig, auxiliada pelo ótimo corroteirista Noah Baumbach, conseguiu a façanha de realizar um filme que agradou aos fãs da Barbie e, ao mesmo tempo, abordou temas importantes do ponto de vista social e filosófico.

E que o remodelado e charmoso Cine Vitória siga em sua trajetória de mesclar o tradicional e o novo.

domingo, julho 30, 2023

Oppenheimer

 Experiência de cinefilia da mais alta potência, caso o espectador seja realmente cinéfilo e faça o esforço para assistir ao filme em um cinema com tecnologia IMAX.

Após Dunkirk, a minha relação com o cinema de Christopher Nolan já havia entrado em uma nova e mais apreciativa fase.

Com Oppenheimer sou obrigado a tirar o chapéu para o cineasta e dizer que agora ele fez algo realmente admirável.

Levar hordas de jovens ao cinema para assistir a um drama em que os diálogos são a base de sustentação do filme é sem dúvida uma façanha digna de nota e que ajuda a criar novas gerações de cinéfilos pensantes.

Já quanto às gerações de cinéfilos mais céticas e maduras, o potencial do filme é outro, ainda mais notório.



O filme de Nolan é daqueles capazes de levar um cinéfilo ao "êxtase de cinefilia", um estado em que os sentidos ficam supridos de imagens, sons, palavras, gestos, sentimentos, tudo em um nível soberbo.

O tema é palpitante em sua superfície, mas Nolan consegue imergir o espectador em vários aspectos do universo da trajetória do físico que comandou o Projeto Manhattan, e faz isso com muito talento e aproveitando ao máximo as oportunidades visuais.

O roteiro é um primor e dificilmente poderia ter uma vírgula tirada ou acrescentada.

Oppenheimer é a obra-prima de Nolan, seu melhor trabalho, e pelo qual receberá mais louros.

O elenco entrega um trabalho magnífico, e temos vários candidatos a indicações a Oscar.


Cillian Murphy sempre fez boas atuações (vide Ventos da liberdade de Ken Loach), mas em Oppenheimer mostra o mesmo que o diretor, um misto irresistível de inspiração e maturidade.

Sim, esse é o tipo de filme capaz de levar o cinéfilo ao êxtase.

E se alguém aí pensa em ver o filme em uma sala que não for IMAX, assista ao featurette a seguir e repense o seu plano:





quinta-feira, julho 13, 2023

Indiana Jones e a relíquia do destino

 Eis o tipo de filme que entrega o que promete.
 

Fãs da franquia, saudosos por um filme de aventura com fundo arqueológico-científico, e, de quebra, com brechas e viagens no tempo, sairão do cinema plenamente satisfeitos.




Recém-chegados e novatos ansiosos por criticar, seja lá por que motivo, terão também um prato cheio para se deleitar: "os furos" do roteiro, as cenas proverbialmente absurdas, a falta disso, a sobra daquilo.

Então, Indiana Jones alcança em seu quinto filme uma nova proeza: agradar e desagradar a gregos e troianos, romanos e cartagineses.

Uma coisa vai ser difícil para os detratores e críticos e sua postura blasé: criticar o "casting" e a presença forte da atriz Phoebe Waller-Bridge na pele de Helena Shaw, e também a do francês Ethann Isidore, que encarna Teddy Kumar, o garoto marroquino fiel escudeiro de Helena em suas peripécias.

Charmosa e carismática, Phoebe é a coadjuvante ideal para Harrison Ford brilhar novamente como um de seus personagens mais icônicos.  




Outros pontos fortes do filme são a recriação de um ano específico no tempo, no caso, 1969, de um modo cuidadoso e minucioso, com uma direção de arte e figurinos maravilhosos; a presença de Antonio Banderas como o capitão do barco caçador de tesouros; e múltiplos detalhes mirabolantes do roteiro, envolvendo uma figura importante da Matemática: Arquimedes (287-212 a.C.), o cientista que ao entrar numa banheira descobriu o princípio do empuxo e saiu pelado nas ruas gritando "Eureca!" (Descobri!). 




E justamente essa ânsia de gritar "Eureca!", de fazer novas descobertas, que move as psiques de Helena Shaw e de Indiana Jones, cada um por motivos aparentemente distintos: a primeira, para ganhar dinheiro; o segundo, por paixão.

No frigir dos ovos, e no fundo, no fundo, porém, Helena também traz em seu espírito um sopro de idealismo, e é nessa ambiguidade que se constrói a relação entre padrinho e afilhada.


O título em inglês, The Dial of Destiny, foi vertido pragmaticamente no título nacional como "Relíquia do destino".

Dial é um termo técnico demais para um título. Ao longo do filme, na dublagem, o termo foi traduzido como "mostrador".

Os distribuidores apelaram para o batido e genérico "relíquia".

Algo que era específico se torna vago, e é isso que os "críticos" do filme têm feito.

Deixam de lado tudo que a franquia tem de especial e mágico para se ater às banalidades de quem adora criticar só por criticar.

Um programa dominical com a família, comprar ingressos e pipoca, foi isso que o diretor James Mangold nos proporcionou com louvor.








quinta-feira, maio 25, 2023

Homenagem a Nádia Polidori (10/6/31-25/5/23)

 Faleceu hoje a Professora de Piano Nádia Barbosa Polidori, no município de Porto Alegre. Ela atuou décadas no ensino dos primeiros passos no instrumento. D. Nádia tinha um carinho especial pelos(as) aprendizes e bordava o nome de cada um(a) no feltro verde que usava para proteger as teclas. 

Uma senhora culta que adorava ler Seleções Reader's Digest, ouvir óperas, desfrutar da companhia das filhas Inara e Thais, andar de bicicleta na praia com a neta Andrea (que lhe deu a alegria de ter 2 bisnetos), ir ao cinema com a irmã Namir e reunir as amigas para um chá.

Abaixo ilustro esta pequena homenagem com fotos das 5 seções do citado feltro.















quinta-feira, maio 11, 2023

A montanha dos sete abutres

 Ace in the Hole movie review & film summary (1951) | Roger Ebert 

Filme que deveria ser passado no primeiro semestre de Jornalismo.

Billy Wilder dirige Kirk Douglas num papel de um repórter sem escrúpulos, Chuck Tatum.

Ele é obrigado a sair dos grandes centros e busca refúgio num jornal do interior.

Quando surge a oportunidade de fazer uma grande cobertura de um fato digno de nota, um homem preso numa mina de uma montanha chamada pelos índios d' A Montanha dos 7 abutres, Tatum a agarra com a mesma avidez que aves necrófagas consomem uma carcaça.

 Leo Minosa (Richard Benedict) acredita que tudo é culpa dos espíritos que não gostavam de suas pilhagens de artefatos, que ele vendia em seu estabelecimento jogado às moscas.

Mas com a publicidade que os artigos de Tatum trazem ao acontecimento, tudo vai mudar.

 O título brasileiro é evocativo e resume bem a história... Até poderíamos citar quem seriam os 7 abutres no filme. 

Ace in the Hole (1951) - Turner Classic Movies

Uma delas com certeza é Lorraine (Jan Sterling, estupenda), a esposa inconfiável de Leo, que se torna cúmplice de Tatum num plano maquiavélico: retardar o socorro para conseguir mais sensacionalismo, mais atenção midiática. 


Ace in the Hole (1951) - A Review - HaphazardStuff

Daí o título original, o ás na manga, Ace in the Hole (a.k.a. The Big Carnival).

O segundo título com o qual foi lançado enfatiza o "circo" que é formado. O drama do homem preso na mina se transforma uma "mina" de dinheiro, em que até uma roda-gigante é montada para distrair os visitantes que chegam aos milhares.

 

Ace in the Hole

 Em tempos de fake news, em que a ética e a verdade no jornalismo adquirem cada vez mais importância, assistir a um filme assim nos ajuda a fortalecer o respeito por uma imprensa livre, honesta e isenta.

sexta-feira, maio 05, 2023

O sol é para todos


 To Kill a Mockingbird (1962) valeu o Oscar de Melhor Ator a Gregory Peck. É o tipo de filme para ver e rever, um filme modelar em todos os sentidos.

Do roteiro às atuações, do desenvolvimento ao desenlace, tudo no filme é bem realizado e consumado.

Além de Melhor Ator, o filme abiscoitou também Melhor Direção de Arte em P&B e Melhor Roteiro Adaptado.

No caso, Horton Foote, o responsável por adaptar o romance homônimo de Harper Lee, que venceu o Pulitzer em 1961.



Todos os personagens são significativos, mas claro que tudo gira em torno de Atticus Finch, o viúvo pai da caçula Scout (Mary Badham) e do menino Jem (Philip Alford). A família vive numa cidade do interior no Alabama.

O filme não é um filme de tribunal, muito embora uma de suas sequências mais famosas seja a do tribunal.

Com isso quero dizer que o filme aborda outros temas e outras tramas paralelas, como a de Boo Radley, um morador da cidade que nunca aparece na rua e que as crianças da vizinhança temem.

O ponto de vista do filme é sempre o das crianças. 

A narradora é Scout, que, em idade adulta, relembra as aventuras da infância. 

Muitas vezes o roteiro do filme passa o protagonismo a Jem, quando o menino acompanha o pai numa visita à família do réu de um chocante caso que está mexendo com a sociedade local.

Um negro está sendo acusado de estuprar uma jovem branca.

Atticus Finch é o único advogado capaz de defendê-lo, e vai fazer isso com unhas, dentes e muita perspicácia.

O ator Gregory Peck afirmou que raramente passou um dia sem pensar em quanto foi afortunado em ser escalado para fazer este filme. 

O astro de Os canhões de Navarone, Os bravos morrem de pé e A conquista do Oeste encarnou o personagem com uma naturalidade tamanha que muitos afirmam ter apenas sido ele mesmo, já que Gregory também diz que o roteiro o lembrou de seu background, um menino nascido em cidade pequena.



O post que eu fiz sobre Os bravos morrem de pé traz um texto extra, que escrevi em 2003, há 20 anos portanto, por ocasião do falecimento de Gregory Peck.

O texto, intitulado Poderosa, nua e imortal, refere-se a um dos recursos mais característicos do ator: a sua voz inconfundível.

O júri formado por homens brancos terá que decidir o futuro do rapaz afroamericano.

O dvd tem um extenso making of, um verdadeiro longa-metragem que aborda vários aspectos da realização do filme. 

Uma coisa que só notei nessa revisita foi que o ator Robert Duvall faz parte do elenco, num papel surpreendente.

Tocante e singelo, O sol é para todos é um eterno libelo contra as injustiças. 

sexta-feira, abril 28, 2023

Amor em tempos de polarização + Plano de aula

 Eu apoio o novíssimo cinema polonês na Netflix. 

Sempre que assisto a um filme polonês seleciono os dois joinhas, mesmo sabendo que, no fundo, o filme não merecia tanto.

É um sinal de minha reverência e respeito à escola polonesa de fazer filmes e um voto de confiança a esses jovens cineastas, ainda tateantes, mas que revelam facetas de um talento ainda não completamente polido.

PLANO DE AULA

Estranha mistura de "Sociedade dos poetas mortos" com "Um dia de treinamento", Plano de aula é um bom filme de ação dos "Daniels" poloneses.

O diretor: Daniel Markovicz. O roteiro: Daniel Bernardi.


O herói (sim, herói ainda tem acento, meus amigos e minhas amigas, porque é oxítona terminada em ditongo decrescente, como hotéis) aqui é um ex-policial traumatizado, que afoga no uísque as mágoas de ver a esposa assassinada em represália a sua atuação no combate ao tráfico de drogas.

Um professor amigo dele pede ajuda para investigar um esquema de distribuição de drogas numa escola. 

Não espere profundidade na construção dos personagens. Mesmo assim, o roteiro, apesar dos deslizes e exageros, tem lá seus bons momentos e algumas reviravoltas.


No final tudo meio que se precipita, e essa é a maior crítica que tenho a fazer, tanto a Plano de aula (Plan Iekcji) quanto ao próximo filme.

AMOR EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO

Palpitante assunto abordado com viés tragicômico. 

O filme de Pietr Kumik aposta no maniqueísmo do "eu estou certo e você está errado".

A "certa", no caso, é a heroína (sim, heroína tem acento, meus amigos e minhas amigas, porque o "i" é a vogal tônica do hiato), Pola, uma linda e inteligente estudante, apesar de "esquerdista radical". 

O "errado" é Staszek, um jovem que, após abandonar o futebol por conta de uma lesão, se deixa levar pela influência de um primo e começa a acompanhar um grupo de neonazistas. A ideologia deles não interessa a Staszek, mas sim o fato de ser aceito em um grupo. O roteiro se esforça para mostrar que, apesar disso, Staszek é no fundo um cara legal. 


Eventually (cuja tradução NÃO é "eventualmente") o grupo começa a radicalizar suas ações.

O líder dos neonazistas, Roman, e primo de Staszek, é um doido de pedra que planeja ora explodir uma sinagoga, ora mandar pelos ares um ônibus numa parada gay.

Eventually (cuja tradução NÃO é "eventualmente") Staszek acaba se apaixonando por Pola e a posição política da gatinha também o faz balançar e a questionar sua participação no grupo.

O que sustenta o filme não é, como seria de se esperar, um roteiro com tiradas inteligentes mostrando os pontos fracos de alguém ser "polarizado", mas sim a química entre os dois protagonistas.

Sim, o casal de pombinhos consegue sustentar o interesse pelo filme, que é deveras limitado do ponto de vista de crítica social, mas que tem lá suas ironias tipicamente polonesas e o humor tipicamente polonês.

Entre os clichês que funcionam está o do neonazista que descobre, digamos, uma nova faceta de sua personalidade.

Amor em tempos de polarização (Kryptonin: Polska) também se resolve apressadamente e dá uma sensação de frivolidade no final. Mas tem lá seus momentos engraçados, principalmente quando mostra a estupidez dos extrema-direitas. E aí que reside o principal problema do filme. Ele só ridiculariza um dos lados. 


Faltou, é claro, mostrar o quanto os extrema-esquerdas também podem ser estúpidos, o quanto a esquerda caviar pode ser contraditória e patética.

O desafio seria fazer um filme sério, em que alguém de centroesquerda se apaixonasse por alguém de centrodireita e cada um se esforçasse sinceramente por tentar entender o pensamento do outro. Isso seria algo construtivo.

Mas, pensando bem, seria um tanto boring! É tão mais fácil e divertido se deixar atrair pelos polos, mesmo para quem mora num país governado pelo centro, digo, centrão. 

terça-feira, abril 25, 2023

Joe Kidd


Raridade no catálogo da Netflix, um faroeste "das antigas", de um diretor clássico, John Sturges, estrelado por ninguém menos que Clint Eastwood. 

Diversão incontestável numa história em que o protagonista Joe Kidd é uma mistura de todos os personagens já encenados por Eastwood, um sujeito sem muitos escrúpulos para algumas coisas, com alguns escrúpulos para outras, cheio de recursos práticos, ótimo com armas de fogo, amado pelas mulheres, odiado pelos oponentes e respeitado pelos locais.



O antagonista Frank Harlan é encarnado por Robert Duvall, ambicioso empresário do ramo fundiário com menos escrúpulos do que Joe Kidd, que planeja fazer uma expedição para caçar Chama, o revolucionário da região (John Saxon).

O filme tem boas cenas de ação, além de uma inusitada sequência não facilmente encontrável em outros filmes, mas não posso contar porque seria spoiler. 

Digamos que tem a ver com o modo surpreendente usado por Joe Kidd para "chegar chegando" na hora do tiroteio final...

Assista e deleite-se, não é sempre que a Netflix tem disponível um filme de John Sturges, que está na lista de meus TOP TEN DIRETORES FALECIDOS