O primeiro CD da OSINCA é um belo cartão de visitas de quem logo diz a que veio. Da seleção à execução, dos arranjos aos vocais, as dez faixas do discretamente denominado Nº 1 popularizam o clássico e elevam o pop a patamares etéreos.
Gravado com esmero na acústica perfeita da nave da Igreja Nosso Senhor Bom Jesus, em Carazinho, o CD traz em cada celestial acorde as marcas da gênese da OSINCA: acreditar, perseverar, realizar, transformar sonhos em realidade.
Coloque o fone de ouvidos, feche os olhos.
Impossível não se arrepiar ao ouvir este CD.
A técnica refinada dos músicos é percebida, mas também sua paixão.
O mais lindo de uma orquestra, afinal de contas, não é a individualidade que aflora, mas a harmonia do conjunto, e a OSINCA nesse quesito é imbatível. Os componentes se conhecem muito, ensaiam à exaustão, e isso transparece no resultado.
O CD está chegando ao fim. É hora de um allegretto de Beethoven para educar os ouvidos e preparar o grand finale da faixa 10: Aleluia de Händel.
Por sinal, não é à toa que o compositor barroco, com 3 peças, constrói a “coluna vertebral” do CD: a música de Händel, embora ligada a um “movimento”, é cosmopolita e popular, até mesmo pela trajetória do compositor alemão, naturalizado britânico.
Tanto melhor: são nessas faixas barrocas que o ouvinte tem a oportunidade de captar todas as sutis e delicadas sonoridades do cravo, instrumento em que Fernando Cordella é especialista.
Os 44 minutos do No. 1 passam voando e são uma excelente pedida para relaxar numa chuvosa tarde de sábado ou como trilha sonora de um glorioso amanhecer na rodovia.
Gravado com esmero na acústica perfeita da nave da Igreja Nosso Senhor Bom Jesus, em Carazinho, o CD traz em cada celestial acorde as marcas da gênese da OSINCA: acreditar, perseverar, realizar, transformar sonhos em realidade.
Coloque o fone de ouvidos, feche os olhos.
Impossível não se arrepiar ao ouvir este CD.
A técnica refinada dos músicos é percebida, mas também sua paixão.
O mais lindo de uma orquestra, afinal de contas, não é a individualidade que aflora, mas a harmonia do conjunto, e a OSINCA nesse quesito é imbatível. Os componentes se conhecem muito, ensaiam à exaustão, e isso transparece no resultado.
Nada melhor que a força de um allegro de Mozart para abrir um CD cuja principal característica é a energia, a mescla de ternura e ritmo, alegria e introspecção.
Eine Kleine Nachtmusik de Mozart condensa tudo isso e abre os trabalhos de modo impactante.
O contraste é estabelecido com a melodia calma e as palavras sentidas de Lascia ch’io pianga, da ópera Rinaldo de Händel, na voz da soprano Cintia de los Santos. Como disse Edgar Allan Poe em seu ensaio O princípio poético: “Certa tonalidade de tristeza liga-se inseparavelmente a todas as mais elevadas manifestações da verdadeira Beleza”.
Lascia ch'io pianga mia cruda sorte, e che sospiri la libertà. Il duolo infranga queste ritorte de' miei martiri sol per pietà. Ou em tradução livre de quem pouco entende italiano: Deixe que eu chore/ Minha má sorte/ E que eu suspire/ Por liberdade!/ Que a dor estoure/ Grilhões e corte/ O meu martírio.../ Por piedade! Aqui, a orquestra humildemente se põe a serviço das sublimes cordas vocais da soprano, num dos pontos altos do CD.
A terceira faixa é uma curiosidade, mas também uma afirmação: somos de Carazinho, somos brasileiros. Mas temos sotaque! Somos também gaúchos, da ponta mais austral desta república, falamos “tchê!” e ouvimos música nativista, como este tradicional chamamé argentino. Não só ouvimos, como adaptamos para um arranjo clássico. Sob esse prisma, a adaptação de Km 11, por mais rápida e despretensiosa que seja, é também uma das mais significativas do CD.
Quem brilha na faixa 4, Con te Partiró, de Francesco Sartori, é outra voz, a do tenor Luiz Wiedthauper, na canção gravada por Andrea Boccelli em 1995. Num crescendo, a música de Sartori prepara os ouvidos para Nella Fantasia, ápice orquestral de Ennio Morricone, da trilha sonora do filme A missão. A percussão dá um tom de suspense à peça dominada pela harmonia dos vocais com os múltiplos instrumentos da OSINCA.
Completa a homenagem ao cinema a faixa 6, o solo de violino de A lista de Schindler, do compositor contemporâneo John Williams, num momento de melancolia que serve de interlúdio para o retorno às árias. A faixa 7, Ombra mai fu, da ópera Xerxes, de Händel, enaltece a incomparável sombra de um plátano. Um tema prosaico é o mote para esta que se tornou uma das mais famosas árias händelianas.
A mistura de pop com clássico da OSINCA chega ao auge na faixa 8, talvez a mais emblemática do CD. O maestro Fernando Cordella compôs o arranjo para o sucesso do Alphaville, Forever Young, para sua bem afinada orquestra acompanhar o inspirado dueto de soprano e tenor.
Eine Kleine Nachtmusik de Mozart condensa tudo isso e abre os trabalhos de modo impactante.
O contraste é estabelecido com a melodia calma e as palavras sentidas de Lascia ch’io pianga, da ópera Rinaldo de Händel, na voz da soprano Cintia de los Santos. Como disse Edgar Allan Poe em seu ensaio O princípio poético: “Certa tonalidade de tristeza liga-se inseparavelmente a todas as mais elevadas manifestações da verdadeira Beleza”.
Lascia ch'io pianga mia cruda sorte, e che sospiri la libertà. Il duolo infranga queste ritorte de' miei martiri sol per pietà. Ou em tradução livre de quem pouco entende italiano: Deixe que eu chore/ Minha má sorte/ E que eu suspire/ Por liberdade!/ Que a dor estoure/ Grilhões e corte/ O meu martírio.../ Por piedade! Aqui, a orquestra humildemente se põe a serviço das sublimes cordas vocais da soprano, num dos pontos altos do CD.
A terceira faixa é uma curiosidade, mas também uma afirmação: somos de Carazinho, somos brasileiros. Mas temos sotaque! Somos também gaúchos, da ponta mais austral desta república, falamos “tchê!” e ouvimos música nativista, como este tradicional chamamé argentino. Não só ouvimos, como adaptamos para um arranjo clássico. Sob esse prisma, a adaptação de Km 11, por mais rápida e despretensiosa que seja, é também uma das mais significativas do CD.
Quem brilha na faixa 4, Con te Partiró, de Francesco Sartori, é outra voz, a do tenor Luiz Wiedthauper, na canção gravada por Andrea Boccelli em 1995. Num crescendo, a música de Sartori prepara os ouvidos para Nella Fantasia, ápice orquestral de Ennio Morricone, da trilha sonora do filme A missão. A percussão dá um tom de suspense à peça dominada pela harmonia dos vocais com os múltiplos instrumentos da OSINCA.
Completa a homenagem ao cinema a faixa 6, o solo de violino de A lista de Schindler, do compositor contemporâneo John Williams, num momento de melancolia que serve de interlúdio para o retorno às árias. A faixa 7, Ombra mai fu, da ópera Xerxes, de Händel, enaltece a incomparável sombra de um plátano. Um tema prosaico é o mote para esta que se tornou uma das mais famosas árias händelianas.
A mistura de pop com clássico da OSINCA chega ao auge na faixa 8, talvez a mais emblemática do CD. O maestro Fernando Cordella compôs o arranjo para o sucesso do Alphaville, Forever Young, para sua bem afinada orquestra acompanhar o inspirado dueto de soprano e tenor.
O CD está chegando ao fim. É hora de um allegretto de Beethoven para educar os ouvidos e preparar o grand finale da faixa 10: Aleluia de Händel.
Por sinal, não é à toa que o compositor barroco, com 3 peças, constrói a “coluna vertebral” do CD: a música de Händel, embora ligada a um “movimento”, é cosmopolita e popular, até mesmo pela trajetória do compositor alemão, naturalizado britânico.
Tanto melhor: são nessas faixas barrocas que o ouvinte tem a oportunidade de captar todas as sutis e delicadas sonoridades do cravo, instrumento em que Fernando Cordella é especialista.
Os 44 minutos do No. 1 passam voando e são uma excelente pedida para relaxar numa chuvosa tarde de sábado ou como trilha sonora de um glorioso amanhecer na rodovia.


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