domingo, junho 23, 2013

Piranha 3DD

DDe acorDDo com uma otimista tese cinéfila, até mesmo DDos piores filmes se aproveita algo. Uma cena, uma piaDDa, uma participação especial, um fugaz instante de luciDDez em meio à ariDDez de boas iDDeias. Pois mesmo quem acredita nessa tese terá certa DDificulDDaDDe DDe encontrar em Piranha 3DD um aspecto positivo. A cena pela qual o filme será sempiternamente lembraDDo é uma DDas mais grotescas e DDantescas já imaginaDDas pelo(s) cérebro(s) DDoentio(is) DDe um (DDescerebraDDo grupo DDe) roteirista(s), envolvenDDo uma moça que DDeseja perDDer a virginDDaDDe. Ator DDe gabarito que constrangeDDoramente DDá as caras é Christopher LloyDD, o patético cientista Sr. GooDDman, cuja razão DDe viver é ultrapassar no YouTube o número DDe visualizações DDe um escatológico bebê. A DDireção de John Gulager não ajuDDa, como revela a DDesconjuntaDDa sequência em que Ving Rhames combate as jurássicas piranhas que penetram no parque aquático DDo inescrupuloso paDDrasto DDe MaDDDDy (DDanielle Panabaker) provocanDDo um panDDemônio. Nesse cenário de salve-se quem puder, pense DDuas vezes antes de locar Piranha 3DD.

segunda-feira, junho 10, 2013

Dentro da casa

- Dentro de casa. 
- Dentro da casa - corrige a bilheteira do Guion. - Artigo definido - completa ela. E explica: - Não é dentro de casa, fora de casa. É dentro de uma casa específica. 

Agradeço e descubro que a sessão será na sala 1, que eu chamo de confortável e me despeço da informativa cinéfila. Sim, pois fica evidente que ela não está ali por qualquer paixão. O cinema parece ser a paixão da vida dela. 

Afinal, assistir ao novo filme do diretor François Ozon (Potiche: esposa troféu)
apenas confirma a importância do artigo definido para o título do filme. Artigo, por sinal, repetido no título em outras línguas (Dans la maison, In the house). O roteiro adaptado pelo próprio diretor baseia-se na peça do espanhol Juan Mayorga, El chico de la última fila. Enquanto corrige as redações do ensino médio, o professor de literatura encarnado por Fabrice Luchini reclama para a mulher (Kristin Scott Thomas) sobre a baixa qualidade da escrita dos adolescentes e os compara a bárbaros. Súbito começa a ler uma redação diferente das outras, com estilo cativante, franco e irônico, de autoria de um aluno desconhecido que se senta na última fileira: Claude Garcia (Ernst Umhauer). No final do texto intimista, a palavra "Continua..." deixa o professor fisgado, e ele resolve incentivar o pupilo. 

O filme aborda várias atrações: a atração por mulheres mais velhas (Emanuelle Seigner), a atração por homens mais jovens, a atração entre pessoas do mesmo sexo, a atração pela China, a atração intelectual entre mestre e aluno, a atração irremediável pela literatura. Sim, Dentro da casa não funciona apenas como comédia de costumes da classe média: é também um inspirador filme sobre o processo literário e o amor à literatura.


A hora da escuridão

O filme de Chris Gorak, A hora da escuridão, ao mesmo tempo confirma e desafia a máxima do Barão de Itararé "De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo". O que se esperaria de um filme obscuro de baixo orçamento que mistura horror e ficção e cria, na moderna Moscou pós-perestroika, um cenário apocalíptico por conta do ataque de alienígenas invisíveis que desintegram seres humanos com sua tez elétrica? Pouco ou quase nada. E o filme realmente nada tem de extraordinário. Por outro lado, as agruras dos quatro americanos e um sueco que sobrevivem ao ataque arrasador até têm seu charme por nos remeter à globalizada terra dos czares e por acrescentar alguns "fundamentos científicos" nos artefatos de proteção e de reação contra os invasores. O elenco desconhecido tem certo carisma. Ou seja, A hora da escuridão pode até surpreender positivamente aqueles espectadores sem tendência a só criticar e com tendência a gostar de trashs inconsequentes.

O mar não está pra peixe 2 - tubarões à vista

O maior capital de um cinéfilo é seu tempo. E a pergunta crucial ao abrir o jornal no segundo caderno ou ao perscrutar as prateleiras das locadoras é: em qual filme devo investir esse recurso valioso e limitado? Às vezes, é melhor se aventurar em filmes de estúdios menores, que não ofendem a inteligência de pais nem de filhos. É o caso deste The Reef 2: High Tide (O mar não está pra peixe 2: tubarões à vista), do competente Wonder World Studios, com sedes em Seul e Jacarta. Tubarões famintos liderados pelo vingativo Troy planejam atacar a fauna do recife na próxima maré alta. Em contrapartida, Pê tenta treinar outros espécimes do ecossistema para ajudá-lo na defesa do recife, mas sofre com a concorrência de Ronny, um cação impostor que finge ser um caça-talentos só para confundir e impedir a reação contra os predadores.

sábado, junho 01, 2013

Madagascar 3

Tudo conspirava a favor de Madagascar 3. Como se não bastassem os já conhecidos e carismáticos personagens (Alex, o leão; Gloria, a hipopótama; Marty, a zebra e Melman, a girafa), uma história sobre a necessidade da volta para casa, uma homenagem ao clássico Dumbo (com a trupe circense que viaja de trem) e os excelentes efeitos 3-D, Madagascar 3 ainda tem como corroteirista um dos cineastas promissores da nova geração: Noah Baumbach. Todos esses ingredientes deviam dar novo fôlego e ainda acrescentar novas nuances à comercialmente bem-sucedida franquia. Entretanto, a obsessão em fazer de Madagascar 3 um hiperbólico road movie (África, Monte Carlo, Roma, Londres e Nova York) e em inserir piadinhas pseudointelectuais compromete o resultado final.

segunda-feira, maio 27, 2013

Outback - uma galera animal

 
As qualidades de Outback, uma galera animal não são poucas. Primeira: nos transporta a um país maravilhoso, com fauna e flora exóticas e endêmicas, de paisagens inigualáveis e típicas, de utensílios famosos como o bumerangue e poços de água profunda conhecidos como billabong. Um dos locais mais atraentes da Terra, que nos deu bandas como Men at Work e Midnight Oil e cineastas como Peter Weir: down under, em outra palavra, Austrália. Segunda: cria um universo ficcional tendo como personagens justamente representantes de várias espécies australianas, como o diabo-da-tasmânia, o dingo, o wombat, o canguru e, é claro, o coala. Terceira: homenageia o mundo dos parques e circos, tão adorado por crianças de todas as idades, e ao mesmo tempo nos conduz por uma história cujo leitmotiv é a busca pela aceitação e o enfrentamento das discriminações. Johnny, o coala albino transformado em atração no "show de aberrações" de um circo itinerante no sertão australiano, tem a oportunidade de ajudar um grupo de animais que tem seu habitát ameaçado por um crocodilo gigante. A quarta qualidade é não ser uma produção de mainstream e revelar o potencial da animação sul-coreana. O diretor Kyung Ho Lee faz um bom trabalho que só não fez mais sucesso porque as vozes dos protagonistas não foram dubladas por astros de Hollywood, mas sim por ilustres desconhecidos. Já a dublagem nacional é um caso à parte. Acho que poucas pessoas reconhecem a extrema qualidade das nossas dublagens. Filme após filme, cada vez mais me dou conta do talento das muitas pessoas envolvidas na indústria da dublagem nacional, de tradutores a dubladores, de músicos a produtores, que, com pouco tempo e muito profissionalismo, adaptam trabalhos de diversas origens e transformam nosso planeta numa verdadeira aldeia. Outback é apenas mais um exemplo disso.

A viagem 2: a ilha misteriosa (3-D)

 Filme dirigido por Brad Peyton e estrelado por Dwayne Johnson, que encarna Hank, fortão de alma delicada que deseja conquistar o respeito e a amizade do enteado Sean. Para isso, embarca numa aventura rumo à Palau, na Polinésia, em busca da "ilha misteriosa" citada no livro homônimo de Júlio Verne. O roteiro tenta amarrar uma possível ligação entre três ilhas de três obras clássicas da literatura universal: A ilha do tesouro (Robert Louis Stevenson), A ilha misteriosa (Júlio Verne) e a ilha de As viagens de Gulliver (Jonathan Swift). A boa notícia é que Michael Caine está na ativa (e cavalgando mamangavas gigantes, diga-se de passagem!). O clássico ator é Alexander Anderson, avô de Sean (Josh Hutcherson, o menino de A viagem ao centro da terra, de 2008, agora adolescente), que supostamente estaria na suposta ilha e teria enviado uma suposta mensagem cifrada ao neto. Completam o elenco o conhecido rosto de Luis Guzman (como Gabato, um piloto de helicóptero um tanto não confiável) e a garota Vanessa Hudgens, que interpreta Kailani, a filha de Gabato e alvo das atenções amorosas do incauto Sean. A viagem 2: a ilha misteriosa, sucesso de bilheteria no mundo todo, é uma colagem que mescla soluções fáceis com momentos inteligentes.

sábado, maio 18, 2013

O corvo

John Cusack encarna Edgar Allan Poe em O corvo (2012), escrito por Hannah Shakespeare e dirigido por James McTeigue. A ideia é boa: sobre os últimos dias da vida de Poe (Boston, 1809-1849, Baltimore) ainda pairam muitos enigmas que os mais dedicados biógrafos ainda não deslindaram. "Alagado de suor, com os membros trementes, pálido e falando sem cessar, num 'delírio continuado mas não violento ou ativo, todo o quarto para ele estava agitado e, numa conversação lacunosa, falava aos espectros, que se sumiam e apareciam nas paredes". Assim foi encontrado Edgar Poe poucos dias antes de morrer, nas palavras de Oscar Mendes, tradutor de Israfel, Vida e Época de Edgar Allan Poe, de Hervey Allen. Eis que alguém (com imaginação fértil que faz jus ao sobrenome Shakespeare, diga-se de passagem) resolveu explorar essa brecha e criar um universo ficcional que reconstrói os últimos dias da vida do autor, lançando mão de recursos como mortes escabrosas e engenhocas horripilantes extraídas, nada mais, nada menos, dos próprios contos de Poe. Com a ajuda do detetive vivido por Luke Evans, Poe/Cusack tenta antecipar os passos de um serial killer que conhece sua macabra obra de cabo a rabo. Fãs de Poe vão identificar e se deleitar com o verdadeiro liquidificador de referências, desde o poema mais conhecido de Poe, que dá título ao filme, até algumas das histórias mais tensas e densas da literatura fantástica. Contos do grotesco e do arabesco, como O poço e o pêndulo, O enterramento prematuro, O barril de Amontillado, A máscara da morte escarlate, O coração revelador, O mistério de Marie Rogêt e O estranho caso do Sr. Valdemar, entre outros. Cusack consegue dar à Poe certa credibilidade e um pouco da angústia inerente a esse autor imprescindível em qualquer biblioteca de literatura universal.
 O que aconteceu nas últimas semanas de vida de Poe, ninguém sabe, mas sobre sua morte, uma coisa é certa: "Um demônio pior do que todos os que ele tinha imaginado atormentava-o num longo e violento delírio. (....) Nada mais comovente pode verdadeiramente dizer-se que afirmar tenha sido a morte de Edgar Allan Poe mais penosa que sua vida".

Cowboys e aliens


Cowboys e aliens, com Harrison Ford e Daniel Craig liderando o elenco, sob a direção de Jon Favreau (Um duende em Nova York, Homem de Ferro, Homem de Ferro 2), é o tipo do filme cujo roteiro não tem qualquer outro compromisso além de fazer a coisa andar e inserir clichês e citações a granel. Até a clássica cena em que, na hora de acender o pavio, sem fósforos, o mocinho recorre ao cigarro aceso. Esse tipo de coisa se repete de minuto a minuto em Cowboys e aliens. Por isso mesmo, é um prato cheio para aficionados tanto de ficção científica quanto de faroestes.

domingo, abril 28, 2013

Skyfall



O apuro estético e o estilo clássico do diretor Sam Mendes fizeram bem à franquia. Roteiro bem configurado que dá estofo ao protagonista e direção que mescla ação trepidante e suprema plasticidade transformam Skyfall em primoroso entretenimento.
Exemplo desse estofo é a cena chave em que 007 visita um museu e admira um quadro de William Turner (1775-1851): O navio de guerra “Temerário” é rebocado ao seu derradeiro atracadouro para ser desmontado (1838). É uma cena importante, não só porque o espião encontra o seu novo contato, mas também por questões simbólicas: o jovem agente compara Bond ao Temerário.
Skyfall é justamente a história de um velho guerreiro lutando contra uma precoce aposentadoria. O roteiro estrutura-se em três atos bem definidos:
Ato I: morte e ressurreição de Bond.
Ato II: entra em cena o vilão Silva (Javier Bardem) / escaramuças e romances.
Ato III: combate final, tendo como cenário a velha propriedade da família Bond.
O imponente e inexpugnável casarão dos Bond tem, como a casa de campo alugada pelo casal Clarissa e Henry em A teia da aranha (peça teatral de Agatha Christie adaptada à prosa por Charles Osborne, sucesso de vendas na coleção L&PM pocket), um priest hole, ou seja, uma passagem secreta para esconder ou facilitar a fuga de padres católicos perseguidos na Inglaterra na época da Rainha Elizabeth.
É inegável que boa parte do charme deste filme reside no Ato III, que remete ao suspense de faroestes clássicos como Matar ou morrer e Sem lei e sem alma.

domingo, abril 21, 2013

Carros 2

Em Carros 2 (2011), John Lasseter realizou uma ousada guinada em relação à simplicidade de Carros (2006). Além do acréscimo da tecnologia 3-D, novos personagens são introduzidos a granel: Finn McMíssil, Holly Caixadebrita, Francesco Bernoulli, Miles Eixoderroda, Professor Z, etc. Espião, agente secreta, carro de F-1, empresário do ramo dos combustíveis, cientista louco, etc. O enredo nada simplório mescla aventura de espionagem e competição automobilística. Mate e Relâmpago Mcqueen são tragados num turbilhão de intrigas, suspeitas e sabotagens entremeadas com uma subtrama envolvendo laços de amizade abalados pela vergonha que Mcqueen sente do amigo caipira. Por sinal, se em Carros o protagonista era McQueen, em Carros 2, Mate é alçado à condição de personagem principal, na esteira do sucesso da coletânea Car Toons: As grandes histórias de Mate. Em tempo: um dos bônus de Carros 2 é Mate aéreo, curta em 3-D que vem complementar a coletânea lançada com as aventuras do simpático guincho. Em tempo 2: já havia escrito en passant sobre Carros 2, no post Amizades e... rodas!

Cars Toon: As grandes histórias do Mate

Primores de concisão, repletas de citações cinéfilas, Car Toons: As grandes histórias do Mate (2010) seguem sempre a mesma premissa: a turma reunida ao redor de Mate que narra um incrível "causo" ocorrido com ele. Lá pelas tantas, McQueen protesta que a história é implausível, quando Mate revela: o carro de corrida não só estava lá, como também teve atuação relevante para o desfecho da história. Todos os nove curtas são excelentes exemplos de valorizar o essencial e, ao mesmo tempo, rechear cada valioso segundo com detalhes somente percebidos após várias reprises. Difícil destacar algum, mas sem dúvida o que conta a "origem" do heavy metal beira a genialidade. Lasqueira!

A origem dos guardiões

Quando Breu desencadeia um plano maligno e globalizado para que as crianças deixem de acreditar nos guardiões (Papai Noel, Fada do Dente, Sandman e Coelho da Páscoa), os quatro são obrigados a solicitar a ajuda de Jack Frost, o adolescente que domina a água em estado sólido – geada, neve, granizo. Relutante, Jack concorda em ajudar, com a esperança de descobrir suas origens – o moço de cabelos gélidos não se lembra de sua infância. Com ações maquiavélicas (o rapto de um batalhão de fadinhas do dente e a destruição de uma remessa de ovos de páscoa), a perversa entidade vai paulatinamente minando a credibilidade dos guardiões, até restar apenas uma só criança com verdadeira fé nas criaturas boas e protetoras. A animação da Dreamworks,  estreia na direção do desenhista Peter Ramsey, não ironiza quem deve ser levado a sério: as crianças e seus guardiões.

domingo, abril 07, 2013

O mistério da libélula

Este blog completou 10 anos de existência no dia 6 de abril.
Esta semana não assisti a nenhum filme, pois perdi um ente querido, de quem herdei a paixão pelo cinema: a minha mãe, D. Nidia Müzell de Oliveira Guerra, que aos 74 anos nos deixou. Em memória dela e para não deixar passar em branco o aniversário de uma década do blog, resgato um texto escrito em agosto de 2002, de uma espécie de "arquivo perdido" com as resenhas escritas "pré-blog". Tempos que não voltam mais, tempos em que Carazinho, minha cidade natal, ainda tinha cinema.


 O mistério da libélula
       O carro percorre lentamente as ruas de Carazinho, anunciando pelo alto-falante. "Não percam! O mistério da libélula, em cartaz, no Cine Brasília. Um filme especial para os admiradores de bons programas cinematográficos!" Tucanaram os cinéfilos!
      Quanto ao filme de Tom Shadyac, tenho a dizer que fui seduzido pelo título, e pela curiosidade de conferir o atual estádio de interpretação do Kevin Costner. Encarei.
      Sabia, de antemão, que não podia esperar muito.
      Quando o filme é só uma desculpa para poder consumir uma boa pipoca e sair de casa, saca?
      Muito bem, lá estava eu, triturando as saborosas polpas de milho ao avesso, e o Kevin Costner enfrentando sérios problemas na tela.
      A história é bem triste. Um médico despede-se da esposa, ela está grávida, mesmo assim não recusa o chamado da Cruz Vermelha Internacional, da qual é voluntária.
      Um acidente acontece, e ele recebe a pior das notícias. Não há sobreviventes. E o corpo da esposa não é resgatado. Dias depois, o viúvo recebe uma encomenda que sua esposa havia feito para o quarto da criança. Um enfeite de libélulas. A partir daí, coisas estranhas e sobrenaturais começam a ocorrer.
      Ele vai se tornando obcecado, e resolve conhecer o setor que a esposa trabalhava no hospital - a oncologia infantil. Com as crianças que a esposa cuidava, recebe mais indícios de que ela está tentando se comunicar com ele. Um dos guris doentes, depois de ser reanimado e salvo da morte, desenha sempre um símbolo, uma espécie de cruz ondulada.
      O que significa aquele símbolo? O que sua esposa, esteja onde estiver, está tentando lhe dizer? Para obter essas respostas, Kevin Costner procura Linda Hunt, a anãzinha que fez o fotógrafo de O ano em que vivemos em perigo, lembra? Fazia tempo que essa excelente atriz não dava as caras. Ela é uma freira que vai ajudar o desesperado personagem de Kevin Costner.
     O mistério da libélula tem tudo para receber críticas, ser taxado de melodrama, de apelar para o clichê, de ser previsível, piegas, exagerado e forçado. Porém (sempre há um porém) (e vão dizer que porém também é clichê) (e chega de parênteses), o filme pode emocionar quem não foi ao cinema para criticar e pegar furos do roteiro.




domingo, março 31, 2013

Monstros vs Alienígenas

O 3-D aguça os sentidos e não os embota. O 3-D colabora para o efeito de um bom filme, mas não conserta um mau filme. O fato de ser 3-D não torna o filme intrinsecamente melhor. Assisti a Monstros vs Alienígenas em 2-D, mas quero muito assisti-lo em 3D.
Há um bom tempo não ria tanto. General coleciona monstros em programa secreto e, quando o presidente dos EUA precisa de ajuda para contra-atacar alienígenas, sugere ao comandante-em-chefe que solte as “feras” contra os invasores. O roteiro bem trabalhado faz as coisas andarem e, ao mesmo tempo, ironiza homens, mulheres, militares e políticos.
 Atores talentosos emprestaram suas vozes às curiosas e interessantes personagens, desde os monstros Ginórmica (Reese Witherspoon ), Dr. Barata (Hugh Laurie) e B.O.B. (Seth Rogen) até o general Monger (Kiefer Sutherland).
É isto que se espera de filmes 3-D: entretenimento de alta qualidade. Em outras palavras, a tecnologia a serviço de bons roteiros e boas histórias.

Os smurfs 3D

Raja Gosnell, diretor de Scooby-Doo, assina Os smurfs 3D. As criaturas azuis de 3 maçãs de altura, chamadas de acordo com suas características/funções (Desastrado, Padeiro, Narrador, etc.),  vivem na floresta numa aldeia de cogumelos gigantes escondida por um mágico campo de força que os protege de seu principal inimigo: o bruxo Gargamel. Porém, Desastrado atrai o pérfido felino do bruxo, que invade o vilarejo, causando um pandemônio. Em meio à balbúrdia, um grupo de smurfs acaba entrando num túnel de água que só se abre na Lua Azul e os conduz a Nova York, onde serão perseguidos pelo arqui-inimigo e, de quebra, participarão de momentos importantes na vida de um jovem casal nova-iorquino. Em Donnie Darko, filme cult do século XXI,  há um diálogo sobre os Smurfs. Isso mostra a popularidade das criaturinhas e sua, digamos, “influência” na cultura, contracultura e anticultura estadunidenses. A legião de smurfãs talvez consiga relevar o fraco roteiro e aproveitar a participação de Tim Gunn, o som do Aerosmith e o smurfuniverso de Os smurfs 3-D.

Space dogs 3D


Animação russa 3-D de 2009. É a face humana, digo, canina da globalização. O roteiro nos remete à ocorrida espacial entre EUA e URSS, mais especificamente ao período do lançamento, em 1960, da Korabl-Sputnik 2 - a primeira a colocar animais em órbita e trazê-los a salvo. São muitas as peripécias das duas cadelinhas, a vira-lata Belka e a artista de circo Strelka, e do rato Leni até o trio ser recrutado para a missão. A propósito, nota-se na primeira parte do filme que se trata de uma “escola” diferente da "ocidental", já que há certa lentidão para engajar os personagens na trama principal, ou seja, o recrutamento, o treinamento e a escolha de cães, ratos e camundongos para participar do histórico momento. E a própria missão encerrará muitos perigos e surpresas. Detalhe: a história é contada pela filha de Strelka, que foi dada de presente à primeira-dama dos EUA, Jackie Kennedy. Da metade em diante o filme engrena, com direito a cenas com as cadelinhas verdadeiras nos créditos.

sexta-feira, março 29, 2013

Alvin e os esquilos 2


Em um show de Alvin e os esquilos, Dave se machuca, precisa ser internado em Paris e deixa as "crianças" sob a tutela de uma tia cadeirante, que também sofre um acidente, restando por fim a Alvin, Simon e Theodore os cuidados de Toby, jovem tímido, atrapalhado e irresponsável, que estudou na mesma escola em que Alvin e os dois irmãos se matriculam e começam a cursar, escola cuja diretora é fã deles e faz questão de inscrevê-los no concurso musical interescolar, a fim de abiscoitar os 25 mil dólares de prêmio e investir na academia de música da escola, mas também entram na escola três esquilinhas, que, manipuladas por um ganancioso agente, querem alcançar a fama, e como ainda não coloquei ponto final nessa resenha, resta dizer que Alvin e os esquilos 2 foi, como seria de se prever, mal recebido pelos críticos e críticas sem filhos e que o filme, apesar disso, ou justamente por isso, arrecadou 443 milhões de dólares.

quarta-feira, março 27, 2013

Bel-ami, o sedutor

Adaptado do romance homônimo de Guy de Maupassant (conhecido por ser autor de alguns dos melhores contos fantásticos da literatura universal), Bel-ami foi filmado em Paris e Budapeste. O elenco conta com três excelentes atrizes: Uma Thurman (a inacessível Madeleine), Christina Ricci (a insaciável Clotilde) e Kristin Scott Thomas (a aparentemente impassível Madame Rousset). O roteiro aproveita bem as peripécias de Georges Duroy, filho de camponeses que tenta entrar na alta sociedade parisiense a qualquer custo, numa espécie de romance de costumes do fim do século XIX. A história transcorre em 1890 e aborda até que ponto alguém se permite ser manipulado para alcançar seus objetivos, até que ponto alguém se deixa contaminar pela hipocrisia reinante no meio, até que ponto uma pessoa vazia consegue virar a cabeça de pessoas de cabeça vazia. Recrutado por Forestier, editor de um jornal com quem servira na Argélia, Georges passa e escrever artigos com a ajuda de Madeleine, a esposa do ex-companheiro de caserna. Madeleine, por sua vez, não demonstra interesse sexual
pelo belo mancebo, mas tem uma estranha amizade com um conde que a visita todas as terças. Madeleine indica a Georges a casada Clotilde, de quem Georges logo se torna amante. O loverboy ainda vai levar outras mulheres para cama no festival de sordidez que grassava na França in those days. Filme com tudo para dar certo, não fosse um porém: o ator principal estremeceu ao contracenar com atrizes tão tarimbadas e talentosas.

domingo, março 17, 2013

Hitchcock


Hitchcock é menos um filme sobre a realização de Psicose (1960) e mais sobre a importância de Alma Reville, a discreta esposa, na vida e na carreira do famoso diretor. Traz menos cenas sobre a filmagem em si e mais sobre como os percalços e acontecimentos da vida do casal influenciaram o andamento das filmagens. Conforme retrata o filme do estreante Sacha Gervasi (roteirista de O terminal, de Spielberg), a amizade de Alma (Helen Mirren) com um roteirista inexpressivo deixou Hitch enciumado, desconcentrado e adoentado, quase colocando a perder as filmagens. Ponto para o diretor/roteirista britânico o fato de Hitch (vivido por Anthony Hopkins) não ser pintado como um crápula em seu relacionamento com Janet Leigh (Scarlett Johansson). Algumas curiosidades contadas no filme: Hitch teve de hipotecar sua casa para levantar os 800 mil dólares necessários para as filmagens. Comprou os direitos do livro de Robert Bloch e recolheu todas as cópias das livrarias, para que ninguém soubesse o fim. Britanicamente sutil, Hitchcock  sustenta-se pelo tema envolvente e pelo prazer de ver dois excelentes atores contracenando.