Saturday, July 16, 2011

Krokodyle

O cineasta Stefano Bessoni (que estreou com a coprodução espanhola e italiana Imago Mortis em 2009) realiza com Krokodyle o seu segundo longa. De acordo com o diretor, que conversou com a plateia antes e depois da exibição, trata-se de uma obra essencialmente autoral e bastante particular. Kaspar, o personagem principal, é o alter ego de Stefano. Ambos são film-makers e ilustradores. A moradia de Kaspar é na verdade a moradia de Stefano na vida real. As piras do personagem, em última análise, que tem amigos imaginários e o sonho de fabricar homúnculos, são as piras do diretor. Stefano contou para os espectadores que o filme nasceu da vontade de escapar do controle artístico imposto pelos produtores, coerção que ele sentiu na pele ao fazer o primeiro filme, uma produção de mainstream. Krokodyle é uma produção mais independente, sem as concessões inerentes a uma superprodução. A proposta de Stefano, cujo sonho quando criança era ser coveiro, é realizar um cinema macabro que entretenha o público e o instigue a pensar.
Um dos fios condutores de Krokodyle é a envolvente música de Michael Nyman, compositor que se tornou famoso pela parceria com outro cineasta, Peter Greenaway, que, por sinal, é citado em Krokodyle. Wim Wenders e seu soporífero Asas do desejo (em cuja sessão às 24 horas no cine ABC eu adormeci) também são homenageados em Krokodyle. O roteiro é subdividido em rápidos capítulos que contam a saga de Kaspar, um cineasta que espera um telefonema dos produtores para poder rodar o próximo filme. Há no roteiro uma mágoa com o "sistema" que talvez não seja muito producente para um diretor que deseja se firmar. E a julgar pelas palavras acerbas de Stefano contra o cinema comercial, a intenção dele é ficar à margem e não "vender a alma". Louvável a intenção de se manter íntegro, mas é preciso ressaltar que muitos diretores conseguem autonomia artística justamente por conseguirem autonomia econômica e poder na indústria (vide Steven Spielberg).
Até que ponto essa postura de animosidade contra o "sistema" vai ajudar a carreira de Stefano, o tempo dirá. Quanto ao filme em si, não chegou a empolgar a plateia presente ao Cinebancários. Destaque para a música e as ilustrações bizarras de Kaspar/Stefano. Ilustram esse post o cartaz de Krokodyle e ilustrações feitas pelo diretor para o filme Imago Mortis. Diga-se de passagem, outro diretor italiano também gostava de desenhar: Federico Fellini.

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