Tuesday, October 24, 2017

OSINCA SURPREENDE COM CONCERTO APOTEÓTICO




A Orquestra Sinfônica de Carazinho, sob a batuta do maestro Fernando Cordella, apresentou no dia 21 de outubro de 2017, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Carazinho, talvez o concerto artisticamente mais ousado de sua história.



 O público que lotou a igreja teve a honra de assistir, pela primeira vez, à interpretação do Bolero de Ravel pela orquestra, composta por músicos locais e convidados.

A cada trecho, a cada novo compasso, mais instrumentos vão se somando aos outros, até o ápice final.


Como de praxe, Cordella tomou a palavra e conversou com a plateia. Brincou com o lapso ocorrido no programa, no qual constava "Bolero" de Beethoven. Esse pequeno contratempo de revisão gerou um bem-humorado improviso da orquestra, que "sampleou" o Bolero de Ravel com melodias de Beethoven.



Conforme explicou o maestro, o Bolero de Ravel se caracteriza pelo seu marcante e exemplar "crescendo". 

E, cresce, também, a cultura musical dos espectadores com a sequência do programa.

Incluiu nada menos que Pur ti miro, de Claudio Monteverdi, em dueto da soprano Marilia Vargas e do contratenor Paulo Mestre.

Em seguida, composições de Händel ecoaram na perfeita acústica da igreja.

Nessa parte do concerto, para os apreciadores da música barroca,

Fernando Cordella tocou cravo para acompanhar.

As peças de Handel incluíram algumas das chamadas "árias furiosas":

Svegliatevi nel core, tenor Flávio Leite.



Piangeró la sorte mia, soprano Marilia Vargas.

Eternal Source of Light Divine, contratenor Paulo Mestre.

Why do the nations so furiously rage together (pergunta bem atual, por sinal), baixo Mauro Pontes. 

Marilia Vargas explicou o contexto de sua ária, que envolvia o destino de Cleópatra na ópera Giulio Cesare.




Cada solista fez seu show à parte, encantando os ouvidos e os corações da plateia.




A apoteose da noite foi a Fantasia Coral de Beethoven. Ao som do piano de André Loss, e às vozes do Coro Juvenil da Academia de Música de Osinca, somaram-se as potentes vozes dos solistas já citados, com o reforço de Andiara Mumbach (soprano) e Luiz Carlos Wiedthäuper (tenor).




Como bis improvisado, a orquestra repetiu a parte final da Fantasia Coral, em que os solistas se levantam, e, junto com o coral, e os bem afinados violinos, violas, violoncelos, contrabaixo, flautas transversas, oboés, clarinetes, clarone, fagote, trompetes, trompa, trombones, tímpano, percussão e piano, formam uma densa e poderosa massa sonora para involucrar a bela melodia beethoviana e encerrar o concerto de modo apoteótico.



O vídeo abaixo é uma pequena amostra do concerto, e inclui o finzinho do Bolero de Ravel, um trecho de Händel e a parte final da Fantasia Coral de Beethoven.


Texto, fotos e vídeo de Henrique Guerra.

1 comment:

Anelise Scheibe said...

Henrique!
Você tem razão , foram momentos únicos e surpreendentes naquela noite e você conseguiu surpreender também com o seu registro !
Parabéns