domingo, novembro 10, 2019

O exterminador do futuro: Destino sombrio

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Tim Miller estreou como diretor em Deadpool (2016) e agora realiza com Terminator: Dark Fate apenas o seu segundo longa-metragem em live-action.

O sexto filme da franquia não deixa a desejar no quesito "ação de tirar o fôlego".

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Do começo ao fim são poucos os minutos em que o/a espectador/a pode respirar fundo, e, mesmo nesses breves instantes, já sabe que dali a pouco uma nova cena de perseguição, lutas e intensa violência vai começar.

A escolha de uma protagonista mexicana foi uma decisão ousada da produção e serviu para "universalizar" mais os sentimentos em relação a Daniela, ou "Dani" para os amigos. Não resta dúvida de que nós, brasileiros, temos mais em comum com o México do que com os EUA. O português é um idioma da mesma família que o espanhol. Nosso sangue é mais latino que saxônico. Assim, esse aspecto do roteiro serviu para aproximar os brasileiros da heroína do filme.


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A sequência de perseguição em que o caminhão com lâmina frontal, pilotado por Rev-9 (Gabriel Luna), persegue a caminhonete dirigida por Grace (Mackenzie Davis), a soldado aprimorada enviada para proteger Dani (a atriz colombiana Natalia Reyes), remete à clássica sequência de O exterminador do futuro 2 - o julgamento final, em que o exterminador vivido por Robert Patrick persegue a caminhonete pilotada por T-800 (Arnold Schwarzenegger), levando a bordo Sarah Connor (Linda Hamilton) e John Connor (Edward Furlong).

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A propósito, a presença de Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger no novo filme dividiu opiniões. Uns consideraram uma demonstração de que esses icônicos atores não querem "largar o osso". Outros se divertiram e acharam uma participação válida, uma atração a mais para o filme, que culmina com todos reunindo forças para combater o temível e indestrutível Rev-9.

Seja como for, é inegável que os roteiristas souberam utilizar muito bem o carisma de Schwarza, bem como o seu natural pendor para ser discretamente engraçado.

Por sinal, quem quiser conhecer melhor os primórdios da carreira do ator e um pouco do universo do fisiculturismo, vale a pena conferir o documentário "O homem dos músculos de aço", que permite entender melhor a personalidade vibrante e competitiva de Arnie.

No frigir dos ovos, O exterminador do futuro: destino sombrio de Tim Miller oxigena a franquia e permite que Schwarzenegger roube a cena nos breves minutos em que aparece, com sua falas sempre lacônicas, mas significativas. Sua versão humanizada do T-800, na pele de um pai de família e humilde colocador de cortinas, já paga o ingresso.


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sábado, novembro 09, 2019

Raridades da Zílvia: O cão dos Baskervilles






Em Passo Fundo existe uma locadora cujo acervo contém uma riqueza de raridades e filmes fora de catálogo. 

Esta série de 4 posts é um reconhecimento a todas as locadoras que bravamente resistem Brasil afora.






Peter Cushing é Sherlock Holmes e Christopher Lee é Henry Baskerville, o último membro de uma família perseguida por uma maldição. 

O roteiro permite-se muitas liberdades em relação à obra de Conan Doyle.

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O filme é eficiente em sua missão de provocar suspense e manter a tensão até o desfecho.

O diretor Terence Fisher, especialista em terror, marcou época no gênero.

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Ele fazia filmes para a Hammer Films e repetia atores profusivamente.

Por exemplo, em Drácula (1958), Christopher Lee é o Conde Drácula e Peter Cushing é o Dr. Van Helsing. Os dois também estrelam A maldição de Frankenstein (1957) e A múmia (1959). 


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Todos os filmes citados foram dirigidos por Terence Fisher e estrelados por Peter Cushing e Christopher Lee. 

Isso mostra o quanto havia de entrosamento entre a equipe e como o diretor confiava em seus atores.

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O cão dos Baskervilles é uma boa introdução ao universo da Hammer Films e, é claro, um convite à leitura do texto original de Sir Arthur Conan Doyle, publicado em 1902.






A lavanderia de Steven Soderbergh

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O multipremiado e "engajado" Steven Soderbergh realiza um filme que tem mais de "engajamento" do que "drama". A lavanderia é a prova cabal que um diretor tarimbado e um elenco multioscarizado não resultam necessariamente num grande filme. 
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O elenco supertalentoso e superfamoso faz o que pode, mas o roteiro é o ponto fraco. Scott Burns perde o foco e não consegue costurar bem suas ideias, o que acaba colocando em risco a consistência do filme.

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O ponto positivo é que a postura do longa é de crítica às falcatruas do capitalismo selvagem. Uma sátira ao modo como paraísos fiscais foram criados e são utilizados por cidadãos que desejam pagar menos impostos. Até aí, tudo bem. Mas tudo vai ficando um pouco cansativo e forçado com o tempo, e eu tive que interromper a sessão, para retomar outro dia.

São vários "sketches" com situações e personagens de países diferentes, amarrados pela história de uma viúva, Ellen Martin (Meryl Streep), que busca receber o valor do seguro, mas enfrenta dificuldades, e pelos protagonistas das maracutaias, Mossack (Gary Oldman) e Fonseca (Antonio Banderas), que "derrubam a quarta parede" e conversam com a câmera para narrar a sua saga de ganância e lucro.

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Lá pelas tantas os brasileiros serão surpreendidos com a menção de uma empresa brasileira, que é citada como exemplo de corrupção ativa bem organizada.

O espectador tupiniquim sente um misto de emoções. De um lado, a tristeza por sermos citados como um modelo de propinas que chocou o mundo. De outro, o orgulho ao ver que a Lava-Jato desmascarou um esquema dessa magnitude.

The Laundromat Poster #1
Mas essa referência ao Brasil só prova a mixórdia em que o roteiro se enfiou. A ideia inicial, de devassar os "Panama Papers", acaba se transformando num vale-tudo, com direito a incluir toda e qualquer notícia mundial sobre corrupção e falcatrua.

O diretor Steven Soderbergh parece que "criou fama e deitou-se na cama". Ou seja, ficou devendo mais uma vez.




quarta-feira, novembro 06, 2019

El Camino: A Breaking Bad Movie

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Este é o depoimento de uma pessoa que, apesar das indicações dos amigos, jamais viu um episódio sequer da série Breaking Bad.

Acho que sou mais a movie person do que a series person.

Eis que El Camino é a oportunidade perfeita para alguém como eu conhecer o universo Breaking Bad.

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O filme de Vince Gilligan tem um roteiro bastante envolvente e funciona como uma espécie de "estudo sobre um personagem".

Quem é Jesse Pinkman? Quais crimes ele cometeu? A quais torturas e agruras foi submetido? Para onde está indo? O que move o seu âmago?

Em essência, é isso que este bom longa-metragem procura responder.

Um filme desta qualidade deve ser um deleite para os fãs do seriado.

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Eu que não sou fã nem nada posso atestar que o filme também funciona para "outsiders", para quem não entende nada desse universo, nem necessariamente deseja entender.

O roteiro e a montagem dinâmica do filme, sem linearidade, sem respeitar a linha do tempo, exigem um alto grau de atenção do espectador e tornam a experiência lúdica e divertida.

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A estrada de El Camino - Bastidores de El Camino: A Breaking Bad Film

"Making-of", teaser, featurette... 

Este vídeo de 13 minutos dá uma palhinha sobre o longa-metragem que explora o universo e os personagens da série Breaking Bad

Elenco e realizadores opinam e falam sobre o quanto sentiram saudades dos personagens e de como foi bom revivê-los.

Este vídeo com os bastidores pretende primordialmente despertar o interesse das pessoas para assistir ao filme.

A julgar pelo próximo post, A estrada de El Camino - Bastidores de El Camino: A Breaking Bad Film cumpriu plenamente seu objetivo.


segunda-feira, outubro 28, 2019

A incrível aventura de Rick Baker







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Uma boa matinê para um domingo chuvoso, com direito a pipocas recém-estouradas na pipoqueira sem óleo.

As paisagens neozelandesas enchem os olhos, a história parece uma mistura de vários outros filmes, o diretor Taika Waikiti é o mesmo do premiado Boy (2010), Thor - Ragnarok (2017) e do surpreendente Jo Jo Rabbit (2019), que valeu ao neozelandês nada menos que o Oscar de Melhor Roteiro Original na cerimônia de 2020.

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Escrito e dirigido pelo neozelandês de origem maori, A incrível aventura de Rick Baker acompanha a trajetória de um menino de 12 anos, que durante o filme completa 13 anos. Ricky (Julian Dennison) é adotado por um casal que mora nos confins da civilização e tenta fugir.

Mas o amor que a sua mãe adotiva lhe dedica acaba amolecendo o coração deste adorável preá (forma sincopada e carinhosa de "pré-adolescente").

O moçoilo não vai com a cara do Tio Hec (Sam Neill).

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Neste começo o dejavù que eu tive foi com "Minha vida de cachorro", mas se eu contar o motivo, será spoiler. Mais pro final me veio à mente uma cena de "Thelma e Louise".

 Acho que o diretor Taika Waikiti foi construindo seu roteiro assim, com várias referências e múltiplos intertextos.


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O nonsense de muitas situações acaba se tornando uma das características mais significativas do filme. A relação entre Ricky e o tio Hec é a base emocional em que se constrói todo o roteiro. O fato é o que filme ganhou um séquito de admiradores, e mantém um site com um quiz para ver se você sobreviveria na mata.

Para quem gosta de cinema neozelandês, ou para quem gosta de um misto de comédia e aventura, A incrível aventura de Rick Baker é uma boa pedida para a matinê de um domingo chuvoso, com direito a pipocas recém-estouradas na pipoqueira sem óleo.


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Eu vi no Brasília: Selvagens cães de guerra

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Esta série de três posts encerra hoje com um filme cuja cena mais forte permaneceu gravada em minhas retinas de cinéfilo precoce. O menino que ia todos os sábados às matinês no Cine Brasília de Carazinho não selecionava. Caiu na rede é peixe.

Se você analisar os três filmes que compõem a série (Pânico na multidão, Orca, a baleia assassina e Selvagens cães de guerra), eles têm em comum várias coisas.


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Uma delas é o fato de terem sido desdenhados pela crítica. Foram severamente massacrados com resenhas nada lisonjeiras. Os guias os classificam com cotações inferiores.

Isso não impediu de se entranharem em minhas lembranças cinéfilas mais ternas, de terem provocado sensações fortes e inesquecíveis, que ficaram guardadas com carinho na gaveta das cenas mais chocantes e memoráveis já vistas na sala escura.

No caso, na sala escura do Cine Brasília.

A música dos discos de Frank Pourcel. O badalar que avisava: as luzes vão ser apagadas. A expectativa para o começo da projeção. O lanterninha que ajudava os retardatários.

Muitas vezes, antes do filme, passava o cinejornal do Canal 100, com gols de partidas de futebol, em geral dos times do Rio do Janeiro.


Em seguida, a abertura.





Selvagens cães de guerra abre ao estilo dos filmes de James Bond, com uma "música tema" tocando com imagens temáticas sucessivas. Somos enviados ao continente africano, o cenário em que se passará a ação.

A música "The Flight of the Wild Geese" é de Joan Armatrading e se tornou um sucesso da cantora. A letra da canção consegue um equilíbrio perfeito entre o comercial com pitadas de cunho social. Dê o play no vídeo acima e acompanhe a inspirada letra:
Sad are the eyes
Yet no tears
The flight of the wild geese
Brings a new hope

Rescued from all this
Old friends
And those newly found
What chance to make it last
When there's danger all around
And reason just ups and disappears

Time is running out
So much to be done
Tell me what more
What more
What more can we do

There were promises made
Plans firmly laid
Now madness prevails
Lies fill the air

What more
What more
What more can we do

What chance to make it last
What more
What more can we do

O roteiro do filme é de Reginald Rose, o mesmo roteirista do clássico Doze homens e uma sentença, inspirado no livro de Daniel Carney.

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Agora na revisita pude aproveitar todo o humor da parte inicial, que envolve a contratação e o recrutamento dos mercenários que empreenderão uma perigosa missão em um remoto país da África.

São impagáveis as cenas da apresentação dos personagens de Richard Burton (Coronel Faulkner), Roger Moore (Tenente Fynn) e Richard Harris (Capitão Janders).

Este filme marcou época na categoria de "compor uma equipe para cumprir uma missão militar". A cartilha é seguida à risca e a sequência em que os oficiais entrevistam os praças candidatos a participar da missão é outra que provoca muitas risadas e divertimento.

A ação em si também é diversão pura. O diretor Andrew  V. McLaglen não é nenhum diretor grandioso, mas me lembra um pouco outro diretor "matter-of-fact", ou seja, que não faz alarde e cumpre o prometido: John Sturges.

O corpulento diretor, que pode ser visto no featurette da première de The Wild Geese, realiza um trabalho focado na simplicidade e eficácia das cenas.



Acho que ele acertou em cheio no tom que imprimiu ao filme. Um nome nos créditos não pode deixar de ser mencionado: John Glen, que trabalho na montagem e também como diretor de segunda unidade. Ele estava "pedindo passagem" e mais tarde acabou se tornando um diretor especializado em ação, com vários filmes da franquia James Bond no currículo.

Glen ou McLaglen: quem terá dirigido a cena que ficou na minha cabeça por décadas? 

Sei que só agora pude revê-la, ao lado de meus dois filhos (7 e 12 anos).


O mais velho assistiu ao filme inteiro comigo. 

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O mais novo só foi chamado a partir da hora em que um dos mercenários utilizaria uma besta com setas envenenadas para eliminar os sentinelas. Falar isso foi o suficiente para ele interromper o jogo de Plantas x Zumbis Garden Warfare e vir correndo conferir.

E adivinhe, o garotinho não desgrudou os olhos da tela até o fim do filme e ficou bastante impressionado. Tanto que no dia seguinte contou à mãe dele sobre o filme e adivinhe qual cena ele descreveu? Exatamente a mesma cena que me deixou impressionado no cinema, a cena que eu jamais havia esquecido!

A qual, é claro, não será descrita aqui.

Quem já teve o privilégio de assistir ao filme deve saber de qual cena estou falando.


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Ao rever o filme fiquei com a impressão de que o Cine Brasília apresentou uma versão cortada do final. Era normal alguma emenda do rolo se perder em meio à peregrinação que o filme fazia desde ser lançado nos grandes centros até chegar a uma longínqua e aprazível cidadezinha do interior.

Seja como for, os cortes faziam parte da experiência de ser um assíduo frequentador do Brasília, e, quando aconteciam, o público sempre se manifestava com uma sonora vaia.


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Aguarde em breve uma espécie de "Epílogo" para esta série, em que vou resenhar o curta-metragem realizado sobre o Cine Brasília.

terça-feira, outubro 22, 2019

Fratura

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Um dos lançamentos recentes na Netflix é uma incursão no gênero explorado com maestria por Scorsese em Ilha do medo e por Harry Kümel no cult Malpertuis.

O tênue limite entre o real e o fantástico, a sanidade e a loucura.

Com direção de Brad Anderson, cujo trabalho mais importante foi O operário (The Machinist, 2004), estudo sobre paranoia e sanidade mental protagonizado por Christian Bale, Fratura (Fractured, 2019) tem no protagonista seu maior trunfo.

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O ator Sam Worthington torna Ray Monroe um personagem crível, com o qual podemos nos identificar. Ou seja, um ser humano falho, recuperando-se do alcoolismo, que já sofreu um grande abalo na vida e está tentando reconstruí-la. 

 Começando com uma discussão familiar na rodovia que cruza a gélida paisagem, o filme tem um clima bastante soturno e claustrofóbico, pois se passa quase todo dentro de um hospital. Corredores, salas de espera, elevadores, salas de atendimento coletivo, seção de medicamentos, sala de cirurgia, escritório da segurança, recepção... Enfermeiros, médicos, recepcionistas, guardas. Todos esses locais serão frequentados por Ray Monroe em sua busca por respostas. Todos esses profissionais serão colocados à prova ao lidar com esse homem desesperado para achar a família.


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A fotografia é granulada, cinzenta e neutra. A atmosfera que o roteiro perpassa mescla o assustador com o horripilante, o revoltante com o paranoico, o grotesco com o arabesco, e pitadas de uma neurose com a "indústria" da doação de órgãos, algo que remete ao clássico literário "Coma".


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A pergunta que não quer calar: vale ou não vale a pena assistir ao filme?

Vai depender do quanto você é um espectador resiliente e decidido a tirar proveito da experiência.

Falar mais seria cometer o sempre famigerado
e odiado

SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER SPOILER



POR FAVOR, SÓ TERMINE DE LER APÓS TER ASSISTIDO AO FILME

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Comentar o filme seria incorrer em "tentar explicar" e para isso já tem muitos sabe-tudos na web que fizeram posts do tipo "Entenda o final", "Fãs ficaram chocados", etc.

Sendo assim, apenas vou declarar que pessoalmente fiquei um pouco chateado com o rumo do filme. Em vez de ser o tipo de "Redenção do protagonista em quem ninguém acredita" é do tipo "Prova cabal de que, de médico e louco, todo mundo tem um pouco".

A trajetória do protagonista enerva porque torcemos por ele, para que tudo comece a fazer sentido em sua vida, para que ele se recupere, para que seja tudo verdade.

Mas o filme acaba usando alguns subterfúgios para "enganar" a plateia desavisada. (Claro que jamais vão conseguir "surpreender" uma pessoa que já bebeu da fonte, conforme já mencionei lá no início.) 

Considero esse tipo de recurso (mostrar uma coisa "como sendo" real que depois se comprova ser "imaginação" de um personagem) uma espécie de "golpe baixo" narrativo.

Seja como for, Fratura tem lá seus méritos por manter a tensão e a dúvida até o final. E uma informação que ajuda a entender a "reviravolta" final é que o diretor o considera uma tragédia com pitadas de terror

Ele conta que acrescentou um detalhe que não estava no roteiro, ou seja, aquele olhar de "cair a ficha" que Sam Worthington faz no finzinho foi ideia do diretor Brad Anderson, não do roteirista Alan B. McElroy, de Halloween 4 e da franquia Pânico na floresta.

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quarta-feira, outubro 16, 2019

A ganha-pão

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Com direção da experiente irlandesa Nora Twomey, A ganha-pão, atualmente em cartaz na Netflix, é um filme multipremiado que nos faz mergulhar na realidade árdua de Parvana, uma menina afegã de 11 anos, que vive na Kabul sob controle do Talibã. 

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A menina acompanha o pai, um ex-professor que teve a perna amputada devido a ferimentos na Guerra Soviética-Afegã, em seu ofício de vendedor ambulante. O pai dela é preso injustamente, e a menina precisa se fazer passar por menino para conseguir alimento para a família.

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O elemento fantástico do filme brota quanto Parvana entretém o irmãozinho Zaki com histórias mirabolantes de um garotinho em busca de recuperar as sementes roubadas pelo perverso Rei Elefante.

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Mas a perversidade do mundo real é mais intensa e, à medida que os confrontos entre facções e a guerra civil recrudescem, Parvana e seus familiares precisam sair de Kabul. Será que ela conseguirá resgatar o pai da prisão?

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É uma animação que vale a pena assistir junto com os filhos, para que eles conheçam outras realidades e valorizem muitas coisas singelas que em geral costumamos "take for granted", como ter o direito a viver uma infância digna e em um ambiente de paz e harmonia.

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Quem se interessar mais, existe um site sobre o filme que disponibiliza vários materiais, inclusive um Guia de Estudo. Em tempo: o filme é uma adaptação do livro escrito pela canadense Deborah Ellis.

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terça-feira, outubro 15, 2019

Coringa

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Joaquin Phoenix já ameaçou várias vezes abandonar a carreira. Fez bem em não cumprir as ameaças. Se, porém, deixar de atuar após encarnar o Coringa, tudo bem. Dificilmente alcançará o mesmo nível de atuação em outro papel.

O atual companheiro de Rooney Mara lança mão de todos os seus trunfos para representar o papel. E as "deficiências" ou "deformações" de seu corpo, desta vez, só ajudam na caracterização do personagem. 

O eterno mano mais novo de River na pele do Coringa acaba de terminar a mais surpreendente transformação: o patinho feio metamorfoseou-se em cisne. A atuação dele será motivo de estudo por anos a fio.

Mas nem só de boas atuações vive um filme. 



O roteiro tem citações interessantes. Por exemplo, é inegável o intertexto com Réquiem para um sonho. Além de uma conturbada relação mãe e filho, o filme de Darren Aronofsky (atualmente em cartaz no Netflix) apresenta a obsessão da mãe de Harry (Jared Leto, que, por sinal, já viveu o Coringa no filme Esquadrão Suicida) em ir a um programa de tevê.

A mesma obsessão é alimentada por Arthur, o patético humorista que tenta ser engraçado, mas não consegue. 

Discorrer sobre detalhes do roteiro é incorrer no mais infame dos pecados resenhísticos: a súbita e infame inserção de spoilers infames.

Por essas e outras que ultimamente me reservo o direito de não fazer "sinopses" aqui.

Mas não será um spoiler infame mencionar que a rotina de Arthur é um tanto conturbada, e que ele tenta sobreviver e sustentar a casa ganhando uns trocos como pode.

Gotham City está à beira da convulsão social, uma mistura de Equador com Hong Kong, e o submundo parece estar à espera de um líder, de um símbolo, de alguém que se oponha aos líderes "fascistas" da cidade.

Todd Phillips, o diretor, é um especialista em comédias tipo besteirol. A sua carreira pode ser uma metáfora da trajetória do Coringa: cansado de inutilmente tentar fazer os outros rirem, chuta o balde e mira a violência extrema.

Algumas redes de cinema negaram-se a exibir Coringa com medo de que gerasse violência real. 

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A coisa mais assustadora durante a sessão em Passo Fundo foi a reação da plateia a uma cena que põe em xeque as características físicas de um personagem.

Sem dúvida, como você reage àquela cena diz muito sobre quem você é.

Eu reagi com pasmo, terror e surpresa. 

Mas não me senti à vontade para achar graça.

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No frigir dos ovos, é o que eu sempre digo: ao final e ao cabo do filme, há coisas a serem debatidas?

Em se tratando do Universo DC Comics, há muita coisa, muitos detalhes, muitas dúvidas.

Em se tratando de metáforas ao mundo real e as relações humanas, também.

O hiperviolento Coringa suscita reações e provoca debates.


sexta-feira, outubro 11, 2019

Nada de bandeja

Nada de Bandeja | Site Oficial Netflix 

Este é o tipo de produto no qual a Netflix se destaca. Uma série documental rápida e repleta de atrativos para quem gosta de esporte, geografia, antropologia, etc. São muitas as disciplinas que se entrecruzam nesta bem realizada série, que vem sendo muito elogiada pela "crítica especializada".

O foco é a paixão pelo basquete da comunidade de Chinle, município situado na reserva do povo Navajo, no Estado do Arizona, nos Estados Unidos.


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Cada jogador é focado em um momento, enquanto a rotina de treinos e jogos é contrabalançada com as dificuldades econômicas e as aspirações acadêmicas de cada um. O craque do time é Cooper Burbank, que tem um índice de acertos de arremessos absurdo.

Ao longo da temporada, sob a batuta do novo e exigente técnico, o time infantojuvenil vai se entrosando e aspirando a conquista do tão sonhado campeonato estadual.


Cooper Burbank Wiki, Family, Chinle Wildcats Captain, Basketball or Nothing

Como já mencionado, são muitas as interfaces que podem atrair alguém a assistir esta série. À emoção do esporte soma-se a herança cultural e histórica do povo Navajo. Um dos episódios mostra o gerente da equipe fazendo uma corrida em meio ao cânion por onde os antepassados foram obrigados a deixar suas terras, com grandes perdas humanas.

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Eu sou suspeito para falar, porque o basquete é um dos meus esportes prediletos, tanto para jogar quanto para assistir. Então naturalmente senti-me atraído pelo título Basketball or Nothing, mas é preciso frisar que o título brasileiro ficou muito bom. Nada de bandeja é um título melhor que o original. As pessoas só lembram de falar em tradução quando é para criticar. Nada mais justo que se fale também para elogiar.