quinta-feira, outubro 05, 2017

O porteiro da noite

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Certos filmes marcam uma adolescência. A primeira vez que vi O porteiro da noite, fiquei fissurado nos olhos verdes, no rosto esquisito e no corpo esguio da atriz principal. Não gostei do filme por conter uma atriz que era “o meu tipo”; a atriz acabou me conquistando por estar em um filme que me chocou e surpreendeu numa intensidade poucas vezes alcançada.
Rever este filme é confirmar minhas primeiras impressões. A veracidade da cena em que o porteiro e a mulher se reconhecem só é possível nos melhores filmes. 
Um famoso maestro e sua esposa vão a  Viena, onde a orquestra irá se apresentar, e se hospedam em um hotel. Lucia fica transtornada. O porteiro do hotel (Dirk Bogarde) é o oficial nazista que a torturara durante a guerra. O reencontro levará ambos a relembrar uma relação com toques de sadismo, masoquismo e otras cositas más, que nem Freud explica. O maestro precisa continuar a turnê e deixa a esposa sozinha no hotel.
O olhar da diretora Liliana Cavani é erótico, sensual e perturbador. A atitude de Lucia (Charlotte Rampling), arriscando a vida segura e feliz ao lado do talentoso marido, é mostrada sem emoções – a não ser as da própria personagem.
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Cena excitante e lírica é o flashback em que Lucia, o cabelo curto espicaçado, enfiada em calças e suspensórios, ostentando um despudorado topless, entoa e dança uma música em alemão, provocando os abobalhados oficiais nazistas.  
Inevitavelmente, um filme que toca em questões tão polêmicas suscitou reações tempestuosas e radicais na época. Uma parcela da crítica especializada estigmatizou o filme, incluindo o renomado Roger Ebert, que desceu a ripa no filme nesta resenha de 1975. No ano seguinte, a feminista Teresa de Lauretis defendeu a película de Cavani no artigo intitulado: "Night Porter: A Woman's Film?". 
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De minha parte, prefiro acreditar no meu instinto de cinéfilo e nas palavras de Teresa de Lauretis, no artigo supracitado: "Não é a experiência de Lucia (sua vitimização, iniciação e posterior inquebrantável sujeição a seu opressor-Pai-amante) que serve como metáfora para a infâmia perpetrada pelos nazistas para com a humanidade, mas o nazismo e as atrocidades cometidas nos campos de concentração que são a moldura alegórica escolhida por Cavani para investigar a dialética da relação macho-fêmea em nossa sociedade pós-nazista e contemporânea".

Em tempo: não recomendo a ninguém assistir este filme. Pode ser que você odeie e, depois, fique me odiando. Apenas, postei aqui uma pequena parcela das sensações que ele me provocou. Algo no filme me atrai, será que é por que eu entendo, ou tento entender, a paixão dessas duas almas perdidas? O tipo de amor sobre qual Castelo Branco imortalizou num sucinto e eloquente título: Amor de perdição.

Francesco

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Com trilha sonora de Vangelis e Helena Bonham Carter no papel de Chiara, o filme de Liliana Cavani conta a história de São Francisco de Assis. Todos os episódios importantes da vida de Francesco são representados no filme, desde o seu tempo como prisioneiro na guerra entre Assis e Perugia. O pai dele, um rico comerciante de tecidos, paga o resgate e libera os presos. A partir daí, a italiana Liliana Cavani traça a trajetória mística de um jovem que desafia o pai, abre mão da riqueza para se tornar um ícone da humildade e da bondade.
O relacionamento dele com Chiara, a prima de um de seus seguidores, é retratado como emblemático em sua transformação. Depois, é ela que se converte e se torna membro da comunidade que vive além dos muros, junto aos leprosos, sem condições de higiene mínimas. Com seu carisma e suas palavras edificantes, Francesco arrebanha um grupo que se veste com simples túnicas com capuz, e, em pouco tempo, torna-se uma preocupação para a Igreja local. Um cardeal chama Francesco e o envia ao papa, dizendo que só o sumo pontífice pode dar (ou não) a benção para a congregação.
Francesco tem alguns seguidores muito fiéis, mas à medida que as coisas vão evoluindo, surgem vozes dissonantes no seio dos franciscanos. Essa parte interessante do filme relata a exigência dos seguidores por regras menos rígidas.
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Francesco, o filme realizado em 1989 por Liliana Cavani, a diretora de O porteiro da noite, tem algumas cenas bastante impactantes e eficientes. Entre elas, a que Francesco rola desnudo na neve para aplacar as tentações. O momento em que ele aparece com as chagas de Cristo. Etc.

A delicadeza das interpretações é o ponto alto do filme, com destaque para Mickey Rourke na pele de Francesco.

Para enriquecer este post sobre o filme assistido no dia de São Francisco de Assis, uma breve resenha de uma obra instrutiva e lúdica:

Querido Papa Francisco: o Papa responde às cartas de crianças do mundo todo

Uma bela publicação das Edições Loyola, traz a resposta do Papa a perguntas de crianças do mundo inteiro. Algumas curiosidades sobre a vida pessoal do Papa Francisco são reveladas, como a de quando criança ele queria ser açougueiro quando crescer.

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quinta-feira, setembro 28, 2017

First Blood



FIRST BLOOD

O primeiro beijo. A primeira noite. O primeiro post do primeiro blog. O primeiro livro. O primeiro longa-metragem. Na vida como no cinema, tudo é aprendizado. Nem sempre se acerta em cheio na primeira vez.






Muitas vezes, a inexperiência fica sendo a marca do primeiro passo. Noutras, apesar das limitações e do baixo orçamento, a estreia revela características que vão acompanhar a carreira do diretor. Humor, ironia, originalidade, ritmo, edição dinâmica, habilidade com os atores, simplicidade, exagero, fantasia, consciência social, enfim, fatores que vão moldar o estilo e o talento do realizador.
O caso de James Cameron é sui generis. Ninguém imaginaria, assistindo a seu primeiro filme, que 15 anos depois ele faria Titanic, exclamaria "Eu sou o Rei do Mundo!" na festa do Oscar e levaria para casa a estatueta de Melhor Diretor. Piranha 2 – Assassinas Voadoras (1982) é o trash mais trash que você vai achar na locadora. Lance Henriksen investiga piranhas aladas mutantes sedentas por jugulares humanas, num banho de sangue e peitos, digo, efeitos toscos. Para compensar, na segunda tentativa, Cameron fez, a custos relativamente baixos, um pequeno clássico da ficção cientí­fica: O Exterminador do Futuro.
O neozelandês Peter Jackson, da fabulosa trilogia O senhor dos anéis e da não menos estupenda trilogia O hobbit, também começou, vamos dizer assim, com o pé esquerdo. Bad Taste (1988), sobre uma estapafúrdia invasão alienígena, não é exatamente uma obra respeitável. O mocinho é atingido na cabeça, abrindo um buraco no crânio. Parte de sua massa encefálica escorre, ele junta e põe no lugar. E otras cositas más, como a risível casa que levanta voo. Com Braindead (Fome animal, 1992), Jackson leva às últimas consequências sua capacidade de surpreender as retinas e embrulhar o estômago do espectador. Muda o estilo, mostrando sinais de maturidade, em Almas Gêmeas (1994).





Peter Bogdanovich, autor do clássico A última sessão de cinema (1971), orgulha-se de ter assinado um bom filme na estreia: o policial Na mira da morte (Target,1968). Na verdade, porém, Bogdnavich, escondido sob o pseudônimo de Derek Thomas, já havia cometido o esdrúxulo Voyage to the Planet of Prehistoric Women (68), em que astronautas descobrem em Vênus uma nova e bela raça de mulheres.
Sam Raimi, o responsável por blockbusters como Homem Aranha e suspenses irretocáveis como Um plano simples, foi, no início da carreira, um especialista em terror. O horripilante A morte do demônio (Evil Dead,1983) foi tão admirado que virou uma trilogia com Uma Noite Alucinante (Evil Dead 2) e Army of Darkness (1993) e consagrou o ator Bruce Campbell como o eterno anti-herói Ash.
O respeitado Francis Ford Coppola, de Apocalypse Now e da série O Poderoso Chefão, iniciou-se na arte da direção ainda estudante, com o patético Os amantes do nudismo (Tonight for Sure,1960), sobre dois homens, um que espia mulheres e outro que enxerga mulheres nuas em todos lugares.


 
De outras vezes, a energia da estreia vem acompanhada de um roteiro interessante, resultando em pequenas gemas que vale a pena garimpar. O diretor de Feitiço da Lua, Norman Jewison, estreou com Vinte quilos de confusão (40 Pounds of Trouble, 1962), onde um gerente de hotel, assediado pela sobrinha do patrão e às voltas com uma menina de oito anos abandonada pelo pai, resolve levar ambas a Disneylândia.
Alan Pakula, do consagrado drama Todos os Homens do Presidente e do suspense Acima de Qualquer Suspeita, iniciou a carreira com o esplêndido Os anos verdes (The Sterile Cuckoo, 1969), onde um tímido aluno é assediado por uma mulher mais velha. Spike Lee começou, com Joe’s Bed-Stuy Barbershop: We Cut Head (1983), sua filmografia marcada pela consciência social. Jonathan Demme, vencedor do Oscar por O silêncio dos inocentes (1990), disse ao que veio logo no debut: Confissões íntimas de um presí­dio feminino (Caged Heat, 1974), em que uma mulher inocente é presa e explorada sexualmente na prisão, atingiu patamares de cult.




Primeiros lançamentos podem se tornar cults instantâneos. Gosto de Sangue (Blood Simple, 1984), dos irmãos Coen, além de marcar o iní­cio de uma bela carreira, é uma memorável homenagem ao filme noir. Darren Aronofsky, o diretor do oní­rico Réquiem para um Sonho, estreou com o cerebral Pi, a história de um matemático e suas intrigantes descobertas. E o que dizer do surreal Eraserhead (1978), o primeirí­ssimo de David Lynch, o filme que todo cinéfilo gostaria de ver, mas ainda não viu? Cult dos cults, para mim, é outro filme difícil de conseguir, o primeiro de Peter Weir: The Cars that Ate Paris, feito na Austrália em 1974, retrata uma estranha cidade parasita que sobrevive economicamente provocando acidentes e vendendo as peças das sucatas.



Malfadada ou maravilhosa, grotesca ou séria, experimental ou linear, ambiciosa ou singela, cada estreia é sempre um marco. Mas o que vai definir o sucesso, em nossas vidas ou na carreira de um diretor, é a perseverança.

Mulher Maravilha

Resultado de imagem para wonder womanMaravilha de caráter.
Maravilhosa essência. 
Maravilhosamente pura.
Maravilha-me tanta coragem,
maravilha-me tanta força.
Maravilha de mulher.
Maravilhosa silhueta.
Maravilhosamente bela.
Maravilha-me tanta graça,
maravilha-me tanta leveza.
Maravilha de filme.
Maravilhosa história.
Maravilhosamente simples.
Robert Smith, me empresta um verso?
She's so wonderfully, wonderfully, wonderfully, wonderfully pretty!
Wonderful movie...
I wonder. Don't you wonder?
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FIRST CRUSH

GARBAGE 


FROM THE MOVIE 

"WILLIAM SHAKESPEARE'S ROMEO AND JULIET"

#1 CRUSH

I WOULD DIE FOR YOU
I WOULD DIE FOR YOU
I'VE BEEN DYING JUST TO FEEL YOU BY MY SIDE
TO KNOW THAT YOU'RE MINE

I WOULD CRY FOR YOU
I WOULD CRY FOR YOU
I WOULD WASH AWAY YOUR PAIN WITH ALL MY TEARS
AND DROWN YOUR FEAR

I WOULD PRAY FOR YOU
I WOULD PRAY FOR YOU
I WOULD SELL MY SOUL FOR SOMETHING 
                      [PURE & TRUE
SOMEONE LIKE YOU

SEE YOUR FACE EVERY PLACE
THAT I WALK IN
HEAR YOUR VOICE EVERY TIME
I'M TALKING

YOU WOULD BELIEVE IN ME
I COULD NEVER BE IGNORED

I WOULD BURN FOR YOU
FEEL PAIN FOR YOU
I WOULD TWIST A KNIFE AND BLEED MY 
                    [ACHING HEART
AND TEAR IT APART

I WOULD LIE FOR YOU
I COULD STEAL FOR YOU
I WOULD CRAWL ON MY HANDS AND KNEES UNTIL 
               [YOU SEE
YOU JUST LIKE ME

VIOLATE ALL THE LOVE THAT I'M MISSING
THROW AWAY ALL THE PAIN THAT I LIVE IN

YOU WOULD BELIEVE IN ME
I COULD NEVER BE IGNORED

I WOULD DIE FOR YOU
I WOULD KILL FOR YOU
I WOULD STEAL FOR YOU
I WOULD GIVE TIME FOR YOU
I WOULD WAKE FOR YOU
I'D MAKE ROOM FOR YOU

TO BE CLOSE TO YOU
TO BE PART OF YOU
'CAUSE I BELIEVE IN YOU
I BELIEVE IN YOU
I WOULD DIE FOR YOU


PRIMEIRA PAIXÃO

MORRERIA POR TI
DARIA A VIDA APENAS PARA TE SENTIR 
                    [AO MEU LADO
E SABER QUE ÉS MINHA

CHORARIA POR TI
LAVARIA TUA DOR COM TODAS AS MINHAS LÁGRIMAS
E AFOGARIA TEU MEDO

REZARIA POR TI
VENDERIA MINHA'LMA POR ALGO PURO E VERDADEIRO
COMO VOCÊ

VEJO TUA FACE EM TODO LUGAR QUE VOU
OUÇO TUA VOZ TODA VEZ QUE FALO

VOCÊ ACREDITARIA EM MIM
E NINGUÉM JAMAIS PODERIA ME IGNORAR

ARDERIA POR TI
SOFRERIA POR TI
TORCERIA UMA FACA E SANGRARIA MEU CORAÇÃO
ATÉ DESPEDAÇÁ-LO

MENTIRIA POR TI
ROUBARIA POR TI
RASTEJARIA A TEUS PÉS ATÉ VOCÊ VER

SOMOS IGUAIS

DEFLORE TODO O AMOR QUE ME FALTA
ACABE TODA A DOR QUE EU SINTO

VOCÊ ACREDITARIA EM MIM
E NINGUÉM JAMAIS PODERIA ME IGNORAR


MORRERIA POR TI
MATARIA POR TI
ROUBARIA POR TI
DARIA MEU TEMPO POR TI
ACORDARIA POR TI
DARIA ESPAÇO PRA TI

PARA FICAR PERTO DE TI
PARA SER PARTE DE TI

PORQUE ACREDITO EM TI.
ACREDITO EM TI.
MORRERIA POR TI.

tradução: Henrique Guerra



terça-feira, setembro 26, 2017

Trilha sonora de Atômica


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A trilha sonora do filme Atômica, do diretor ex-dublê David Leitch, resgata sucessos da década de 80, mesclados com covers e outras bizarrices.

Entre as covers, temos Blue Monday, do New Order, interpretada pelo Health, e Der Kommissar, do Falco, modificada pelo After the Fire.

Clássicos inesquecíveis dos anos 80: Major Tom, de Peter Schilling (vide abaixo); Cities in the Dust, do Siouxsie & The Banshees (banda em que Robert Smith do Cure foi guitarrista convidado por um tempo) e a pérola esquecida I Ran (So Far Away) do Flock of Seagulls.

Outros pesos pesados da trilha são David Bowie, The Clash e Nena. É mole ou quer mais?

Para terminar este post, uma constatação tardia. 

Não tenho vergonha de reconhecer: só agora me caiu a ficha e me tornei capaz de perceber o intertexto entre estas duas canções:





😜

segunda-feira, setembro 18, 2017

EMOJI - O FILME

Resultado de imagem para emoji o filmeUm de meus passatempos preferidos neste blog é escrever textos que façam um reles contraponto à unanimidade espinafrativa que certos filmes evocam. Afinal de contas, como bem frisou Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Quanto maior a so-called "unanimidade", maior é a minha vontade de levantar a mão, pedir a palavra e fazer o contraponto. Data vênia, Emoji - o filme tem pontos positivos. Basta trocar o "olhar crítico" pelo "olhar cinéfilo", coisa que eu defendo desde os primeiros posts deste blog.

Pois bem, eis que Emoji - o filme ganhou meia estrela no site do Roger Ebert. Ao que parece, o currículo do grego Tony Leondis como diretor de animação (que tem como ponto alto Lilo & Stitch 2) não desperta muito respeito nos críticos de plantão, ávidos por  ridicularizar o trabalho alheio. 
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Sem dúvida, Emoji demora um pouco a engrenar, mas melhora da metade em diante, quando o trio de amigos formado por Toca Aqui, Rebel e Gene (o Emoji protagonista, que não se "encaixa" por ser multifacetado) se reúne e parte em busca da reprogramação, cada qual por seu motivo. Os personagens do filme comentam que hoje em dia é mais importante "ser curtido" e ter popularidade do que ter amigos de verdade.

Emoji - o filme acaba se mostrando um curioso exercício de metalinguagem que nas entrelinhas critica a superficialidade das redes sociais.
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De quebra, os admiradores de "Hotel Transilvânia" terão uma surpresa agradável antes de Emoji, o filme: um curta que mostra o neto do Conde às voltas com um "cachorrinho" de estimação. Boa sacada da Sony que indica mais novidades para a franquia.

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sábado, setembro 16, 2017

GREAT FILM DIRECTORS - A TO Z

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Este livro ilustrado por Andy Tuohy e escrito por Matt Glasby apresenta um breve perfil de 52 diretores nascidos em diferentes países e diferentes décadas, alguns deles já falecidos, outros bem vivos. É um panorama vasto que contém alguns nomes esperados e também algumas surpresas, como Yasujiró Ozu, a dupla Michael Powell e Emeric Pressburger, Satyajit Ray, Ousmane Sembène e Wong Kar-Wai, oferecendo a possibilidade para o cinéfilo ampliar seus horizontes e procurar conhecer a obra desses "great", mas menos famosos, diretores de cinema.

Andy Tuohy é um conceituado ilustrador britânico que faz pôsteres sofisticados e modernos. O livro sobre os diretores pertence à coleção A to Z que inclui também GREAT MODERN ARTISTS e GREAT MODERN WRITERS. Para cada livro, ele faz uma parceria com um especialista da área, que entra com o texto, e ele faz ilustrações superoriginais.

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Neste livro sobre os cineastas, o texto é de Matt Glasby, crítico de cinema do London Critics' Circle.

A qualidade estética da obra é primorosa, e o formato é do tipo feito para leitores que não têm tempo para perder, e querem informação concisa e selecionada, sem tanta profundidade, mas também não superficial. Uma página de texto, outra de ilustrações e fotos. Tudo muito ágil e bonito. Do you know what I mean?

A estrutura é outra grande sacada do livro. Umas breves pinceladas sobre a obra e a vida do/a cineasta. Uma coluna chamada FILMS TO SEE, com os 5 filmes icônicos do/a realizador/a em questão, ladeada pelo quadro DID YOU KNOW?, que focaliza um fato curioso na carreira ou vida pessoal de cada um dos 52 diretores. Cada capítulo traz também o desenho feito por Tuohy além de citações dos filmes, fotos e cartazes.


Dá ou não dá vontade de ter na estante?

terça-feira, agosto 29, 2017

LIVE AND LET DIE











A franquia 007 continua sendo um grande sucesso, mas poderia se inspirar em filmes como este para recuperar um ingrediente importante: o senso de humor.
O James Bond anda muito sisudo hoje em dia. Não estou falando do ator em si, não estou apenas comparando Daniel Craig com Roger Moore, estou me referindo ao roteiro, à dosagem de ação, de aventura, com as cenas de alívio cômico.

O roteirista Tom Mankiewicz  se esmerou nesta parte. 007 - Live and Let Die contém algumas das cenas mais engraçadas da franquia, e também um dos personagens coadjuvantes mais queridos, e que, devido à acolhida do público, voltou a aparecer no filme seguinte: o impagável xerife J. W. Pepper, interpretado por Clifton James, falecido em abril deste ano.
Na parte da icônica perseguição das lanchas, o xerife Pepper tem uma atuação destacada, praticamente se torna o protagonista da história.
O clima do filme é todo permeado por um humor essencialmente britânico, que brinca com as palavras e com as idiossincrasias das personagens.
Desde o primeiro diálogo entre Bond e M (Bernard Lee), a verve cômica/irônica/satírica do roteirista domina a obra, sem, é claro, perder de vista as proverbiais cenas de ação inacreditáveis.

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Assistir a um filme realizado em 1973 também suscita outros prazeres: é voltar ao tempo em que se fazia cinema com cenas descaradamente gravadas em estúdio (cena de Bond na asa-delta, cena de Felix Leiter e Bond no barco), mas, em contrapartida, em que os dublês eram bastante exigidos. Nada de efeitos especiais digitalizados e o diabo a quatro. Tudo orgânico e visceral.
Falando em visceral, que tal mencionar um pouco do "enredo"?
O argumento é inspirado no romance homônimo de Ian Fleming, mas é tão fiel ao texto quanto são parecidas as capas das muitas edições da obra.
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Três agentes britânicos são mortos e Bond é escalado para investigar. Em pleno bairro Harlem de Nova York, se infiltra no covil do Sr. Big, temido chefe local, que usa a casa noturna Fillet of Soul como fachada para seus negócios escusos. James Bond tem sua pistola inutilizada por Tee Hee, que tem um braço mecânico e um alicate no lugar da mão. Na ocasião, conhece ali Solitaire (Jane Seymour), uma bela moça que tem o dom de ler o futuro nas cartas do tarô. Ela pede para Bond puxar uma carta e se surpreende quando ela é virada: é a carta dos amantes.

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Claro que Bond aproveita a deixa e vai acabar seduzindo a moça, apenas uma das três "Bond-girls" que ele leva para cama no filme. A namoradinha da cena inicial e também a agente da CIA, Rosie Carver (Gloria Hendry). Rosie é o apoio de Bond na ilhota de San Monique, no Caribe, dominada pelo misterioso Mr. Kananga, o tutor/protetor de Solitaire, e suposto sócio/amigo de Mr. Big. Outro personagem que surge em momentos chave do filme é o Barão Samedi, uma espécie de performer que volta e meia aparece nas circunstâncias mais bizarras (vide última cena).Resultado de imagem para live and let die

A direção é assinada por Guy Hamilton, que marcou época na franquia, realizando nada menos do que quatro filmes, três deles com roteiro de Tom Mankiewicz. Hamilton é o tipo do diretor pragmático que entrega o produto involucrado especialmente para o público-alvo, e, na percepção dele, o público de 007 queria se divertir, ver cenas apenas possíveis nos filmes da franquia. Hamilton faleceu em 2016 e neste artigo é chamado de um "importante arquiteto de nossa cultura pop contemporânea". 
Outra particularidade do filme é a música-título, de autoria de Paul McCartney e Linda McCartney, interpretada pela banda do casal, Wings, que não só toca na abertura e no final, como também ao longo da história.
A música fez tanto sucesso que até hoje está no setlist dos shows de Mr. Paul McCartney.

domingo, agosto 27, 2017

DUO RITTER & CORDELLA




No dia 26 de agosto de 2017, no Teatro do SESC, em Carazinho - RS, apresentaram-se os musicistas Alexandre Ritter (contrabaixo) e Fernando Cordella (cravo).

O espetáculo foi aberto com o Improviso sobre Sonnerie de Ste. Geneviève du Mont-de-Paris, de Marin Marais (1656-1728).

Em seguida, os dois explicaram a gênese do projeto, e Alexandre Ritter declarou sentir-se honrado com o convite para tocar na cidade natal de Cordella, que é o diretor artístico da OSINCA (Orquestra Sinfônica de Carazinho).






Johann Baptist Vanhal (1739-1813) compôs o concerto para contrabaixo com cravo que deu continuidade aos trabalhos. O concerto teve três movimentos: allegro moderato, adagio e allegro.

Ao término do concerto de Vanhal, o duo ausentou-se do palco para um intervalo.

Após o descanso necessário, na segunda parte do espetáculo, o duo apresentou o concerto para contrabaixo com cravo de Carl Ditters von Dittersdorf (1739-1799), também em três movimentos: allegro moderato, adagio e allegro.

Ao cabo da apresentação, o público aplaudiu de pé e pediu bis.

Em tempo: o próximo concerto promovido pela OSINCA será em 30 de setembro, na bela Igreja da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Carazinho - RS, com os solistas da OSINCA interpretando movimentos da 5ª Sinfonia de Beethoven, entre outras peças selecionadas.

quinta-feira, agosto 10, 2017

A Bandinha no Teatro do SESC - Carazinho - RS

Rosivaldo Cordeiro, virtuose das cordas radicado na França

O projeto Sonora Brasil, circuito 2017/2018, trouxe a Carazinho a banda formada por oito músicos amazonenses.


Banjo open-back e cavaquinho

De formação eclética, A Bandinha inclui militares reformados, maestros, professores universitários, músicos de renome e também um estudante (Paulo Dias, no trompete), cujo Trabalho de Conclusão de Curso terá como tema A Bandinha e a sua trajetória, incluindo a turnê dentro do projeto do SESC.



Maestro e flautista Cláudio Abrantes

O ingresso foi um kg de alimento não perecível.


No clarinete, o polonês Vadim Ivanov, radicado em Manaus

A nossa família compareceu inteira, apenas o pequeno de 5 anos, que havia acordado muito cedo, capotou antes mesmo de ouvir a percussão, que só começou a funcionar na terceira música do repertório.

Paulo Dias no trompete



A propósito, o setlist seguiu uma ordem cronológica e mostrou a evolução das composições, desde as quadrilhas do século XIX, com influências europeias e cinco movimentos, até o surgimento do xote, do choro e da lambada.



Jonaci Barros no saxofone

Carlos Alexandre no sousafone

Mas, diga-se de passagem, o caçula prestou bastante atenção no começo, tanto que cochichou para mim, apontando para o percussionista:

"Por que aquele não está cantando (sic)?".



O percussionista Ronalto Alves e Rosivaldo Cordeiro

Antes de cada música, o flautista Cláudio Abrantes e o especialista em instrumentos de corda (banjo, cavaquinho) Rosivaldo Cordeiro contextualizavam o compositor e a peça a serem executados.



A Bandinha executou dez peças formando um panorama histórico

Muito curiosa a história da verdadeira "lambada", surgida com a mescla de influências das fronteiras amazonenses com a Colômbia e o Peru.


Rodrigo Nunes no bombardino

Além dos três musicistas já citados, completam A Bandinha: Jonaci Barros (saxofone), Vadim Ivanov (clarinete), Rodrigo Nunes (bombardino), Carlos Alexandre (tuba ou sousafone) e Ronalto Alves (percussão).


Obrigado, SESC, obrigado, Bandinha!


Carlos Alexandre, sua incrível tuba
e o menino Félix com o CD "Jonaci e seu sax, na arte do Beiradão"



terça-feira, agosto 01, 2017

Em ritmo de fuga


Baby Driver, de Edgar Wright, é a antítese de Dunkirk. Os personagens têm nome (ou codinome) e  outros sentimentos além daqueles motivados por instinto de sobrevivência, patriotismo e orgulho.

É um filme simples sobre a importância da música, da audição e do amor.

Também os realizadores não poderiam ser mais díspares: Edgar Wright é o despretensioso e bem-humorado responsável por filmes de orçamento relativamente baixo, à exceção deste Baby Driver, que conta com um elenco de atores mais conhecidos e até oscarizados, como Jamie Foxx e Kevin Spacey.

O roteiro do próprio Wright faz o espectador criar empatia com o protagonista. Ele se autodenomina Baby, e é um jovem com cicatrizes no rosto que sofre de um problema auditivo, um zumbido que não cessa. Por isso, escuta constantemente músicas em fones auriculares.

O background do personagem é contando em flashbacks, que mostram o relacionamento conturbado dos pais e o acidente que deixou o então menino com as sequelas físicas mencionadas. As sequelas
psicológicas? Essas, jamais cicatrizam.



O trabalho que Baby executa é dirigir. E no mundo da superespecialização, Baby tem a sua especialidade: dirigir carros em fuga para quadrilhas de assalto a banco. 

Seu destino está inexoravelmente atrelado a Doc (Kevin Spacey), um figurão do mundo do crime que alicia Baby para fazer seus trabalhos sujos. Mas Baby está prestes a ficar quites com ele, e, assim, talvez libertar-se do jugo deste mafioso/fora-da-lei.

Nesse meio-tempo, Baby se apaixona pela garçonete Debora (Lily James), que inevitavelmente será envolvida no submundo.

Mas felizmente o casal de pombinhos não pretende ser uma nova versão de Bonnie & Clyde, nem dos doidos desvairados de Assassinos por natureza.



Ao contrário: Baby (Ansel Elgort) é um gentleman, um estranho no ninho com o coração selvagem. Não gosta de homicídios e se dedica a cuidar de Joseph, o seu tutor surdo e paralítico.

Após sua trilogia de sangue e sorvete (Todo mundo quase morto, Chumbo grosso e Heróis de ressaca), o diretor Edgar Wright começa uma ascensão irresistível aos blockbusters...

Espera-se que ele não deixe isso lhe subir à cabeça.