quarta-feira, setembro 12, 2018

O Babadook

O segundo filme de Jennifer Kent, The Nightingale (2018), acaba de receber dois prêmios no Festival de Veneza: o Special Jury Prize e o Marcello Mastroianni Award for Young Performer (pela atuação do jovem Baykali Ganambarr). Durante uma das sessões, um jornalista insultou a diretora.

Mas o assunto deste texto é o primeiro filme da australiana que aprendeu com Lars von Trier a importância de ser teimosa: The Babadook (2014).


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Reza a lenda que, após desiludir-se com a carreira de atriz, Jennifer Kent ofereceu-se para participar do staff do diretor dinamarquês nas filmagens de Dogville, e conquistou o cargo de assistente do diretor. Reza a lenda que o principal aprendizado de Jennifer no estágio foi a importância da teimosia.

E depois de muita persistência, conseguiu realizar o primeiro longa-metragem, inspirado num curta de sua autoria. The Babadook, produzido pela Causeway Films, foi divulgado em mais de 70 festivais e aclamado em muitos deles, como Sitges e Sundance.

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Com um elenco mínimo e cenários intimistas (nada a ver com o estereótipo dos filmes australianos), Jennifer Kent faz o espectador se embrenhar na assustadora história de Samuel (Noah Wiseman), menino de 6 anos que carrega consigo a culpa de ter nascido no dia da morte do pai, falecido enquanto levava a esposa à maternidade.

A mãe de Samuel, Amelia (Essie Davis), isolou-se no luto pela perda do marido, concentrando-se na rotina diária de criar o filho e trabalhar na casa geriátrica, praticamente sem vida social, e uma vida sexual (?) típica de uma pessoa solitária.

O cachorrinho de Samuel, a vizinha Gracie Roach (Barbara West), simpática anciã que às vezes cuida do garoto, a irmã de Amelia, a priminha de Samuel, o colega de Amelia na casa geriátrica e Oscar Vanek, o pai de Samuel que morreu há 6 anos e cujos pertences são guardados no porão da casa, completam o quadro de personagens deste horror gótico.

O roteiro é muito bem construído e na parte inicial apresenta Amelia como uma mãe dedicada e abnegada, que abriu mão da vida pessoal em prol de criar o filho. Apesar dos esforços da mãe, o menino Samuel, por sua vez, é problemático, obcecado em armas e violento na escola e na interação com outras crianças.

Amelia enfrenta a situação com estoicismo até que o filho começa a enxergar uma criatura chamada Babadook, personagem de um livro que surge misteriosamente em meio aos demais.

A história progride até em torno da metade do filme como um drama sobre perda, dificuldades para criar os filhos, medos inerentes à infância, etc.

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Daí em diante há uma reviravolta de tom e o foco no menino dá espaço para o foco na mãe. O filme de Jennifer Kent se torna um terror hardcore, daqueles de "scare the shit out of" até do mais corajoso espectador.

O forte de O Babadook é explorar ao máximo o tênue limite entre o que é delírio e o que é sobrenatural. À medida que a transformação de Amelia vai se consolidando, a fragilidade da situação de Samuel se escancara, e caberá ao espectador avaliar quem são os verdadeiros monstros da história.

Ridiculamente o filme não foi lançado nos cinemas e inexiste no Brasil em dvd e Blu-ray. Para ter acesso a algumas preciosidades assim, a alternativa do cinéfilo relutante é engolir em seco e aceitar as limitações patéticas dos serviços de streaming


terça-feira, setembro 11, 2018

O ataque dos vermes malditos

O diretor Ron Underwood começou na tevê e estreou no cinema com Tremors (1990), que em Portugal recebeu o título de Palpitações.  Misto de filme B, trash e terrir, O ataque dos vermes malditos atraiu um séquito de fãs que alimentou uma demanda por 5 continuações em longa-metragens e mais uma série televisiva. Disso tudo resultou que o filme foi alçado à inesperada condição de "cult".Resultado de imagem para o ataque dos vermes malditos

O ataque dos vermes malditos atualmente está disponível no catálogo da Netflix. Traz Fred Ward e Kevin Bacon como Earl e Val, a dupla de faz-tudos do pequeno vilarejo  de Perfection, Nevada. De alambradores a manejadores do lixo, incluindo a função menos nobre de drenar poços negros, os nossos heróis sobrevivem de um biscate em outro na inóspita paisagem do novo Oeste.

Rhonda (Finn Carter), uma estudante universitária, faz uma pesquisa sismográfica nas terras locais, e pergunta aos dois se sabem de algo que pode estar causando registros de tremores sísmicos nas redondezas.

As coisas começam a ficar bizarras quando um morador local é encontrado morto por desidratação no alto de um poste de luz. 

Logo tudo se precipita e ataques sangrentos começam a se intensificar, deixando os poucos moradores em polvorosa.

Alguns fatos são descobertos: as criaturas assassinas locomovem-se no subsolo, são cegas e se orientam pelas vibrações e sons das vítimas em potencial.

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Uma das coisas legais de Tremors é que as criaturas (batizadas de "graboids" por Walter Chang, o dono da mercearia onde o grupo de sobreviventes se refugia) são feitas em escala real, de um tipo de espuma. 

O ataque dos vermes malditos mescla ação, humor e ironia com efeitos especiais um tanto toscos, mas eficazes. Uma penca de personagens divertidos, incluindo os Gummer, um casal viciado em armas, completa a lista de ingredientes que explica por que o sucesso de O ataque dos vermes malditos resiste ao tempo.

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Uma palavrinha sobre a trajetória de Ron Underwood, o diretor: o auge de sua carreira no cinema aconteceu nos anos 90, em que realizou também Amigos, sempre amigos (1993) e Poderoso Joe (1998). Gradativamente foi perdendo o fôlego nessa competitiva indústria e retornou às origens, firmando-se como diretor de episódios para múltiplos seriados de tevê. 

domingo, setembro 09, 2018

Alfa

Com a fotografia esplendorosa ideal para IMAX 3-D, Alfa conta a história de Keda (Kodi Smit-McPhee), que durante uma caçada da tribo é dado como morto após ser jogado num penhasco por um bisão.
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Relutante, o chefe Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson), pai do adolescente, volta à tribo com a difícil missão de contar a tragédia para Rho (Natassia Malthe), a mãe do rapaz. O filme acompanha a saga do jovem em sua tentativa de voltar para casa em meio a perigos e intempéries.
           Com direção de Albert Hughes, que junto com o irmão gêmeo Allen assinou filmes importantes como Menace II Society e From Hell, Alfa pertence à estirpe de filmes sobre a relação ser humano e natureza, como, por exemplo, O urso, de Jean-Jacques Annaud. Outra característica que Alfa compartilha com O urso (1988) é o número de tomadas com pontos de vista originais e surpreendentes.

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Alfa também nos remete obviamente a outros filmes com foco na pré-história, como Guerra do fogo (1981, também de Annaud) e 10.000 a.C.
Alguém poderia afirmar que Alfa também estabelece um intertexto com Dirkie, perdido no deserto. Nos dois filmes, hienas perseguem os respectivos protagonistas. Dirkie fica perdido sob o sol escaldante do deserto, com a companhia de seu cãozinho, e vaga pelas dunas intermináveis na esperança de reencontrar o seu pai. O objetivo de Keda também é rever o pai, apenas o cenário é o gelo, e o bicho que o acompanha não é um cachorro. 
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Ao retratar a amizade de Keda e um lobo, Alfa se enquadra em mais uma ampla categoria ou “gênero” de filmes: aqueles que abordam esse estranho e forte vínculo que une seres humanos e alguns animais.

Por fim, o filme também me fez recordar uma canção do U2, A sort of homecoming, que seria uma boa trilha sonora para a saga de Keda em busca do retorno ao lar:

Uma curiosidade: Alfa, o fiel amigo de Keda, é interpretado por Chuck, que pertence a uma raça nova híbrida, o cão lobo checoslovaco, desenvolvida por meio do cruzamento de pastor-alemão com lobos.
Com todos esses ingredientes, não é à toa que Alfa mereceu três estrelas no site do Roger Ebert e torna-se um programa interessante para fazer com a família. Conferir as aventuras de Keda e sua amizade com Alfa pode ser um ponto de partida para discussões sobre história e respeito à natureza.

quarta-feira, agosto 22, 2018

Grease, nos tempos da brilhantina



Resultado de imagem para greaseVárias sequências do filme Grease, nos tempos da brilhantina ficaram imortalizadas, principalmente o dueto de John Travolta (ele, em meio aos amigos em plena arquibancada do Colégio de Ensino Médio Rydell) e Olivia Newton-John (ela, em meio às amigas no refeitório a céu aberto), com a canção Summer Nights, cujo refrão "Tell Me More, Tell Me More" sofreu uma paródia para ser utilizada pela Seven Boys numa famosa propaganda.

Mas uma revisita ao clássico possibilita constatar os motivos pelos quais Grease se imortalizou na cultura pop e é considerado o mais bem-sucedido musical de todos os tempos. Os produtores tinham um faro muito aguçado para o que cairia no gosto do público, apostaram na adaptação do espetáculo da Broadway para o cinema, escolheram o elenco ideal, o diretor que já conhecia Travolta, e que manteve o clima leve durante as gravações, além dos Bee Gees para música de abertura "Grease is the word".

Tudo isso é perceptível ao longo do filme.



Uma sequência de que as feministas podem se orgulhar é a em que Frenchy diz para Sandy (Olivia N-J), para consolá-la sobre o modo como ela foi tratada por Danny Zuko (John Travolta): 

"Homens são ratos. Presta atenção. Eles são as pulgas dos ratos. Pior ainda: são as amebas nas pulgas dos ratos".

No roteiro original: 

"Men are rats. Listen to me, they’re fleas on rats. Worse than that, they’re amoebas on fleas on rats. I mean, they’re too low for even the dogs to bite. The only man a girl can depend on is her daddy."


    - Frenchy, "Grease"


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    Na sequência ela convida a inocente Sandy para participar de uma "festa do pijama" na casa dela, em que várias moças iam passar a noite.

    Esse trecho do filme é o mais relevante em termos de investigar o "universo feminino", e contrapõe a rebelde e ousada Betty Rizzo (Stockard Channing) com a "certinha" Sandy, a australiana que é novata no colégio.

    Ela havia "ficado" com Danny nas férias de verão, mas o jovem mancebo, embora muito interessado nela, preferiu manter a pose de machão do que revelar seus sentimentos, magoando Sandy.

    Outras tramas paralelas são abordadas, como a rivalidade entre o grupo de meninos da Rydell e a gangue dos Scorpions, as fofocas na escola de que Betty está grávida, o esforço de Danny para tornar-se um atleta, tudo isso temperado com corridas de carros, e, é claro, vários bailes e festas, para Travolta e Olivia mostrarem seus grandes talentos como dançarinos.

    Para relembrar a qualidade musical do filme, este pout-porri, digo, pot-pourri, traz as 10 melhores canções de Grease:




    Em duas palavras: diversão garantida!


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    segunda-feira, agosto 20, 2018

    Bergman - 100 anos




    Owen Gleiberman, o crítico da Variety, declarou nesta resenha que este filme é "um dos mais honestos e transbordantes retratos sobre um artista do cinema" já assistidos por ele. Com o título em inglês de Bergman - a Year in a Life, o documentário da recém-cinquentona Jane Magnusson foca o prolífico ano de 1957, em que o cineasta sueco lançou Morangos silvestres e O sétimo selo, além de dirigir duas grandes peças teatrais e realizar um telefilme no entremeio, e aproveita para coletar um mosaico de depoimentos e fatos sobre a vida profissional e pessoal do célebre "helmer".

    A documentarista Jane Magnusson conta nesta entrevista a um site de Portugal que ela não é uma fã incondicional de Bergman e de que foi descobrindo, aos poucos, curiosidades sobre tudo o que Bergman produziu naquele fértil ano. A partir disso, sua decisão de realçar as façanhas de Bergman no ano de 1957 foi reforçada, e, com uma linha narrativa baseada nisso, ampliou o escopo ao retratar aspectos mais gerais e idiossincráticos de Ingmar Bergman, como, por exemplo, sua paixão por bolachas Maria, que ele usava para aplacar as dores de suas úlceras gástricas.


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    Diretora Jane Magnusson, foto do site Nordic Women in Film

    Para quem se interessar em saber mais detalhes sobre a realizadora, este perfil conta que Jane formou-se bacharel em Cultura moderna e mídia cinematográfica em 1992. Em 2010 consagrou-se na indústria fílmica sueca ao assinar o premiado documentário Ebbe - the Movie.

    Por sua vez, no site brasileiro Mulher no Cinema, Luísa Pécora escreveu apropriadamente que Magnusson "rejeita a tentação de só ficar no elogio ao gênio".


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    E o que eu, Henrique Guerra, do blog brasileiro, gaúcho e carazinhense olhar cinéfilo, no ar há 15 anos, penso sobre o filme de Magnusson?

    Assisti ao filme numa sessão do Clube de Cinema de Porto Alegre, emborasmente tenha sido a primeira vez neste ano que compareci a uma sessão do clube. Essa infrequência decorre de um problema geográfico momentâneo: estou morando no interiorrrr.

    Apesar de estar meio "sumido", fui muito bem recebido pelos membros do clube, ouvi a interessante introdução de nosso colega Paulo Casanova e acompanhei a sessão na icônica Sala 8 do Espaço Itaú, a mesma em que já assisti a De tanto bater, meu coração parou, por sinal, o primeiro post do blog olhar cinéfilo no endereço do blogger (antes era weblogger).

    Fiquei feliz ao observar que existe muita gente nova comparecendo às sessões do clube e senti-me ainda um pertencedor a esse intimista ambiente cineclubista.

    Mas pare de fazer digressões, meu caro. 

    E o filme, Henrique Guerra, o que você achou do filme?

    Já chego lá, impaciente leitor.

    Não sem antes afirmar que, aprioristicamente, um cinéfilo não precisa "achar" nada sobre um filme. Ao cinéfilo cabe assistir e cultivar sua paixão. Cada fotograma ou cena a que temos a honra de assistir em uma sala escura é motivo de regozijo. Se estamos em companhia de outros cinéfilos que comungam do mesmo sentimento, tanto melhor.

    Sei que existem cinéfilos e cinéfilos, e muitos deles são muito exigentes.

    Não é o meu caso.

    Em todo caso, mesmo se eu fosse muitíssimo exigente eu teria apreciado o filme de Magnusson.

    Até que enfim, Henrique Guerra, a sua tão esperada "opinião pessoal"!

    Sim, o filme passa rápido. Entre detratores e admiradores, vão aparecendo na tela parentes, ex-companheiras, ex-pupilos, atores que participaram de seus filmes e peças teatrais, que vão desmistificando e humanizando Ingmar Bergmann. Não é preciso ser um especialista em Bergman para apreciar o filme de Jane Magnusson. Ao contrário: é uma boa iniciação ao cinema dele. 

    Não entendo sueco, mas aprecio a musicalidade do idioma.

    É uma pena que esta entrevista não traga legendas em inglês:


    Megatubarão

    Resultado de imagem para meg movieVolta e meia chega às telonas um filme que parece caça-níqueis, mas que na verdade tem uma história bem interessante por trás. É o caso de Megatubarão, cuja produção,
    depois de ser engavetada e ficar no "limbo" por um bom tempo, enfim foi realizada, sob a direção do versátil cineasta Jon Turteltaub.

    Versátil aqui parece um elogio, mas na verdade é um eufemismo para "aparentemente sem personalidade", ou seja, um cara cuja filmografia não parece ter um foco ou um "quê" de autoria. Mas tem força na indústria? Ah, isso ninguém pode negar, E desta vez teve o bom faro de escolher uma boa história para contar, e a perseverança para transformá-la em filme.

    O material original é a série de livros de Steve Alten, que foi iniciada por The Meg. O livro de 1997 investiga a estranha suspeita de que um animal pré-histórico ainda vive em nossos dias. E eis que o animal em questão é o megalodonte, um tubarão-branco de tamanho avantajado, que predou os oceanos primevos.
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    Formado em Educação Física, Mestre em Medicina Esportiva e Doutor em Educação, Steve Alten trabalhava como gerente-geral de uma empresa da indústria das carnes quando foi despedido, numa sexta-feira 13, em 1996. Vendeu o carro para publicar um livro que escrevera aos fins de semana e a altas horas da noite, após anos de trabalho: THE MEG, a novel of  deep terror.
    Quatro dias depois de ser demitido, seu agente literário trouxe a ele uma proposta de uma Editora. A casa editorial Bantam Doubleday oferecia sete dígitos por dois livros. Essa é a história de sucesso de mais este "self-made man" do circuito literário norte-americano. O livro atraiu fãs no mundo todo e possibilitou ao autor desenvolver sua carreira.

    Na versão do cinema, o roteiro ficou a cargo do trio Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber.

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    Os destaques do elenco são Jason Statham, mergulhador especializado em resgates, que encarna o herói Jonas Taylor, e Li Bingbing, a oceanógrafa Suyin Zhang, cujo pai, Dr. Minway, é o braço direito do bilionário Jack Morris, financiador de uma ousada missão que investiga a existência de uma seção mais profunda da Fossa das Marianas. Também marca presença a megatatuada modelo australiana Ruby Rose.

    A ideia de ter um núcleo "chinês" no filme foi uma boa jogada de marketing, levando em conta o grande mercado que representa a China.


    Do ponto de vista de ação e aventura, Megatubarão é um filme que tem ritmo e cumpre suas funções. No quesito "criatura x homem", apenas a sequência final, em que o megalodonte se aproxima de uma praia lotada, reserva algumas sensações do tipo de pavor que se esperaria de um filme assim.


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    Em outras palavras, o filme é mais bem-sucedido em sua parte de resgates submarinos. Quando o assunto é evocar medo de uma fera, bem, o bicho é tão grande que vai engolir um humano antes de a pessoa perceber o que está acontecendo. Além disso, o bicho é puro efeito digital, não há um tubarão mecânico como houve em Tubarão (1975). Para fazer o contraponto, deixo aqui o link da entrevista do supervisor dos efeitos especiais de Megatubarão, tentando (literalmente) vender o seu peixe.

    Seja como for, o "terror" evocado pelo filme de Turteltaub não se
    compara ao terror que até hoje sentimos ao ver Tubarão de Spielberg, ou até mesmo ao assistir a algum documentário da Nat Geo Wild nas "quintas-feras", do tipo "Quando os tubarões atacam".

    Ainda assim, Megatubarão tem o mérito de trazer a ideia de Steve Alten às telonas e de chamar a atenção para a importância do equilíbrio nos mais diversos ecossistemas de nosso planeta.

    domingo, agosto 19, 2018

    Dirkie - Perdido no deserto

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    Imagine um filme angustiante.

    Agora, eleve a sensação de angústia à décima potência.

    Assim, terá uma ideia da experiência de assistir a Dirkie: Lost in the Desert.

    Estou numa fase de minha vida de resgate.

    E um dos resgates é este: filmes que marcaram a minha infância.

    O tempo em que eu ia, sozinho, ao Cine Brasília, o cinema de rua de minha cidade natal, Carazinho, para assistir ao filme em cartaz nas matinés dos sábados. 

    Não importava o título, importava o hábito.



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    Religiosamente aquele menino franzino comprava o seu ingresso e procurava um lugar estratégico, com uma criança baixa na frente, ou um lugar vazio.

    Muitas vezes eu tinha que trocar de lugar, pois algum retardatário corpulento chegava e se abancava bem na minha frente.

    Mas esse problema era de fácil solução.



    Bem diferente da situação vivida pelo menino Dirkie DeVries (Wynand Uys, filho do diretor Jamie Uys), de 8 anos.

    O garoto sul-africano sofre de asma, e o pai dele, o pianista Anton DeVries (Jamie Uys, acumulando funções) (sim, o sobrenome certo é Uys, apesar de na época o filme ter sido lançado com o crédito de "Hays"), resolve enviá-lo para uma temporada em outra cidade. A mudança de ares fará bem à saúde do garoto, que põe na mala o remédio para asma, um despertador que toca sempre que ele precisa tomá-lo. O menino vai levar junto em sua jornada o cãozinho da raça Cairn terrier.

    Para a empreitada, o pai de Dirkie contrata os serviços de Tio Pete (Pieter Hauptfleisch), piloto de monomotor que gosta de caçar e chama Anton de "sissy" (maricas), por não apreciar o extermínio dos animais da fauna local.

    O roteiro é veloz e furioso, e demora muito pouco para que o avião precise fazer um pouso forçado em pleno Deserto do Kalahari. Analise o trailer a seguir para ter uma noção:



    "Mayday, crash landing" é a última frase do Tio Pete, que sofreu um ataque cardíaco, motivo da queda.

    A partir daí, o garoto Dirkie e seu inseparável cãozinho serão submetidos a aflições, privações e provações contínuas em sua implacável luta pela sobrevivência.

    O sol inclemente, a falta de água e alimento, a convivência com hienas, elefantes, cobras, escorpiões são apenas alguns dos perigos enfrentados pelos dois indefesos amigos. 

    Buscas são empreendidas com a ajuda de helicópteros, mas o tempo vai passando, e as pessoas ao redor de Anton aconselham o pai do garoto a dá-lo como morto e esquecê-lo.

    De todas as imagens que ficaram no meu cérebro, sem dúvida a mais angustiante é a do menino caminhando sem rumo no meio do deserto, cenas que se repetem ao longo do filme, nas mais variadas circunstâncias, e após um sem-número de aventuras.

    Apesar da forte improbabilidade de que alguém queira assistir a este filme, não vou cometer spoilers e contar mais do que já contei.

    Consegui esta preciosidade num site britânico de filmes raros.

    O filme é de 1969/1970, mas deve ter passado no circuito comercial brasileiro uns dez anos depois disso, quando eu tive a oportunidade de assisti-lo aquela única vez, e a força e a simplicidade daquelas imagens ficaram gravadas no meu cérebro e ajudaram a forjar a minha "resiliência" cinéfila, a capacidade de suportar até as cenas mais angustiantes e apreciar o que o filme oferece de melhor. 


    Segundo Jacob Knight, este filme deveria ser intitulado Trauma Infantil: o Filme.

    Já o blog Planet Nerd, ao resenhar este filme que passou num ciclo intitulado "Fucked Up Kid's Movies" classifica Dirkie como o mais sádico "filme infantil" já imaginado.

    Curiosidades sobre os bastidores de Dirkie podem ser encontradas neste post do site do Ensovoort, periódico de estudos culturais da África do Sul. A referida página traz, além dessas curiosidades, uma minuciosa análise da filmografia de Jamie Uys escrita pelo especialista Jan-Ad Stemmet.

    Em tempo: o cineasta Jamie Uys tem no currículo outro grande sucesso mundial: Os deuses devem estar loucos, comédia premiada no circuito de festivais internacionais.

    Ex-professor de matemática, iniciou-se no cinema realizando documentários, entre os quais o aclamado Beautiful People, sobre a fauna e a flora africanas.

    Uma palhinha do filme na versão brasileira:





    quinta-feira, agosto 16, 2018

    DEL TORO COMEMORA A DECISÃO DO JUIZ

    O cineasta Guillermo Del Toro está de alma lavada.

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    De acordo com a análise do Sistema Judiciário dos Estados Unidos, mais especificamente da Califórnia, não houve violação de direitos autorais na criação do filme

    A forma da água.
    David Zindel ficou a ver navios.

    O juiz considerou muito vagas as semelhanças apontadas com Let Me Hear You Whisper, peça teatral escrita pelo pai dele, Paul Zindel.




    A íntegra da decisão do juiz pode ser lida aqui.

    Estoura a champanhe, Del Toro.

    Agora você pode beijar o seu Oscar e admirá-lo na estante com mais alívio.

    segunda-feira, julho 09, 2018

    sábado, junho 02, 2018

    THE DURUTTI COLUMN

    Continuando a série de posts com meus textos para o zine Wall of Sound, segue o primeiro dos três textos que escrevi para o Wall of Sound #2.


    Eu avisei que eram bandas esquisitas e obscuras.

    Mas, nem por isso, menos brilhantes!








    Esta canção, Requiem Again, é mencionada no texto e se tornou trilha para o filme Jerry Maguire.

    Nobody said it was easy


    No surprises


    sexta-feira, junho 01, 2018

    CORRA!

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    Corra!, dirigido e escrito por Jordan Peele, ganhou merecidamente o Oscar de Melhor Roteiro Original no Oscar 2018. Em vários momentos do filme o espectador tem a certeza de estar assistindo a algo inovadoramente refrescante, uma lufada de oxigênio e originalidade no cinema norte-americano. E digo mais: se o lobby do Guillermo Del Plagio não fosse tão grande, Corra! deveria ter ganho Melhor Filme.

    Disparadamente é o melhor filme de 2017.

    Só agora pude assisti-lo, pois moro numa cidade do Planalto Médio gaúcho onde inexistem salas de cinema. E mesmo se elas existissem aqui, tenho lá minhas dúvidas se esse filme teria sido escolhido para entrar em cartaz. Não é decididamente um blockbuster, um filme para as massas. É um filme para outro tipo de massas: as encefálicas.

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    Provocador, dinâmico, surpreendente, bizarro e engraçado.

    Assustador, polêmico, envolvente, estranho e divertido.

    Passa rápido. Tem conteúdo.
    Vale a pena debater.
    Tem assunto para ser debatido.

    É a prova cabal que tudo começa com um belíssimo e original roteiro.

    Um roteiro pode ter influências, é claro.

    Não pode é chupar ideias descaradamente.

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    Peele afirma que a principal influência é o filme Esposas em conflito (The Stepford Wives, 1975), baseado na obra homônima de Ira Levin (vide pôster abaixo). Foi realizado um remake em 2004 com o título brasileiro de Mulheres perfeitas.

    A premissa que em Levin era uma crítica social ao machismo foi reciclada por Peele e transformada num libelo contra o racismo. O começo de Corra! lembra muito o começo de Adivinhe quem vem para jantar: uma moça branca vai apresentar aos pais o namorado negro. Os pais da moça branca não sabem que o namorado é negro. O negro está preocupado com isso. Outros paralelos podem ser traçados entre Corra!, o filme de Jordan Peele, e Adivinhe quem vem para jantar, de Stanley Kramer, como o estranho comportamento dos empregados negros da casa em relação ao namorado negro da "filha da patroa". Mas o principal é que os dois filmes têm excelentes e merecidamente premiados roteiros que funcionam em seus respectivos gêneros.

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    Corra! é um suspense-terror com pitadas de humor branco e negro, Adivinhe quem vem para jantar é um precursor das comédias românticas com fundo social. Kramer em 1967 contribuiu muito para o debate da igualdade racial, assim como Peele, meio século depois, em 2017, chutou o pau da barraca e colocou o dedo na ferida de novo, de um modo inesperado e necessário. 

    Corra! é como mãe!, o tipo de filme que não dá vontade nenhuma de fazer "sinopse". O herói (nome do ator) vai visitar a família da heroína (nome da atriz) e blablablá, blablablá...

    Tipo, o que acrescenta uma sinopse num filme de suspense? Mais provável é que o sujeito cometa um spoiler involuntário e deixe alguém indignado por entregar alguma das muitas surpresas.

    Então, assista ao filme assim mesmo, sem saber outros detalhes além do que já captou por aí.
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    domingo, maio 20, 2018

    MADRUGADA DOS MORTOS RELOADED: o texto original de 2004

    • Segue o texto sobre a refilmagem do clássico gore de George Romero.
    • O remake de Madrugada dos mortos marcou a parceria de dois talentos da indústria que hoje se tornaram diretores influentes: Zack Snyder e James Gunn. 
    • O texto abaixo foi resgatado do primeiro endereço deste blog, originalmente publicado em 26 de abril de 2004.
    • O filme, dirigido por Zack Snyder e com roteiro de James Gunn, já ganhou outro texto no blog, publicado em 2017.

    MADRUGADA DOS MORTOS


    Os manuais de roteiro ensinam: o roteirista tem dez minutos para fixar o personagem principal, estabelecer as linhas gerais da história e, o mais importante, puxar a plateia para dentro do filme. Está comprovado cientificamente: ao cabo de dez minutos de projeção, o espectador já decidiu se fez ou não um bom investimento ao comprar o ingresso.
    Nesse aspecto, “Madrugada dos Mortos”, de Zack Snyder, é um filme exemplar. O começo é trepidante. A heroína: uma enfermeira. A história: desde quando filme de mortos-vivos precisa de uma? Captar a atenção da plateia: a aparente calma da aurora está sob ameaça. Há uma presença estranha na casa da enfermeira e seu companheiro. Ah, sim: é a menina da casa ao lado. Em vez de um "Bom dia", que tal uma mordida nas carótidas?
    A mulher se tranca no banheiro. A mulher consegue escapar. Está na rua, olha a seu redor. É o fim do mundo como ela o conhece. O caos. O apocalipse. Umas pessoas atacam as outras, alucinadas. Outras estão em estado de choque. A moça pega o carro e foge dali. Mas há algum lugar para ir??
    O roteiro foi escrito em cima do filme homônimo de George Romero. A exemplo do original, situa a maior parte da ação no shopping. A reciclagem caprichou no formol ‘intertextual’: citações de “O Iluminado”, “Tubarão” e “Mad Max 2”. Os dias dos zumbis lerdos, em câmera lenta, de George Romero, terminaram. No amanhecer do novo século, os zumbis são velozes, furiosos e vorazes. 





    Seres rastejantes

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    Sábado chuvoso e frio no invernal outono do RS. Cenário perfeito para aumentar a cultura trash.

    Responda, bem rápido: qual a indústria de cinema no mundo que dá mais liberdade criativa a seus roteiristas e diretores? Se você respondeu Hollywood, acertou.

    Há muito tempo os figurões dos estúdios aprenderam que vale a pena investir em diretores que mostram uma "centelha criativa", um algo a mais, um talento que desponta.

    Bons diretores e roteiristas começaram com trashs incomensuráveis. Que o digam James Cameron e Peter Jackson, com seus respectiva e inigualavelmente trashs Piranha 2 - Assassinas voadoras (1981) e Trash - Náusea total (1987).

    Claro que
    Seres rastejantes (Slither, 2006) é um trash diferente do citado hipertrash de Peter Jackson. É um trash hollywoodiano, onde baixos orçamentos comparativamente não são tão baixos e onde se conseguem bons serviços por preços módicos.

    Um ator de renome (Michael Rooker), efeitos de primeira qualidade com orçamento relativamente baixo, uns rostinhos bonitos, uma trama com romance, traição, proteína, sumiço de cães e gatos, e, é claro, o principal ingrediente: roteiro e direção de um promissor talento.

    Estamos falando de ninguém menos que James Gunn, o atual responsável pelo sucesso da franquia Guardiões da galáxia.

    Postas todas essas preliminares, vamos ao que interessa: o filme.


    O roteiro mistura elementos de vários clássicos da ficção e do terror, põe tudo no liquidificador e bingo: temos um trash que, se não tem nada de incrivelmente inovador, ao menos cumpre à risca a sua função social de entreter um pai e seu filho pré-adolescente numa tarde chuvosa de sábado.

    A pessoa nota de longe que esse tal de James Gunn tem bala na agulha (sem trocadilho) quando o assunto é fazer uma mixórdia de gêneros: começando com uma ficção do tipo "infecção espacial" à la Invasores de corpos, vai migrando para uma contaminação mais generalizada, ao estilo de uma Invasão zumbi. A propósito, o título do filme em Portugal é:



    Consta que James Gunn se inspirou em dois filmes de David Cronenberg da década de 1970 e também um mangá de terror. Mas é claro que tem umas pitadas de Lovecraft e de George Romero. Pela ambientação numa cidadezinha do interior e pela natureza das criaturas, também lembra um pouco um trash tri-legal de 1990 com Kevin Bacon: O ataque dos vermes malditos!

    É essa mescla inusitada que sustenta o interesse, além de um bom humor um tanto irresponsável que permeia o filme, mas com um acréscimo importante: uma louvável e irônica crítica aos famigerados caçadores de cervos, raça que, infelizmente, ainda existe não apenas nos EUA, mas também em terras tupiniquins.

    Uma coisa que fica bem clara é que James Gunn como diretor é um excelente roteirista, ou seja, dá para notar que ele já tinha mais experiência numa das habilidades. Escreveu, por exemplo, o roteiro de Madrugada dos mortos (2004), de Zack Snyder. Em Seres rastejantes, James Gunn participa também como ator, no papel de um professor que conversa com a sua colega professora Starla Grant (Elizabeth Banks) e desperta o ciúme do marido dela.

    Diga-se de passagem, o que James Gunn faz em Seres rastejantes é algo bem diferente do que Del Toro fez em A forma da água. Esta é a diferença entre inspiração e influência e plágio velado: as influências e inspirações são utilizadas para influenciar e inspirar, não para copiar personagens principais e dar nova roupagem a um enredo.

    A propósito, nesse caso da acusação de plágio de Del Toro, a defesa dos produtores se pronunciou, e, por meio de uma inteligente combinação de palavras, não negou o plágio, apenas disse que não houve plágio passível de prova ou indenização. Vamos aguardar os acontecimentos e torcer para que tudo não acabe com um "acordo" com cláusula de confidencialidade... Qualquer acordo nesse caso será muitíssimo suspeito. Digno de seres rastejantes.





    sexta-feira, abril 20, 2018

    Adeus à linguagem 3D


    Assistir ao filme Adeus à linguagem de Jean-Luc Godard é como entrar num museu de arte moderna.


    A gente nunca sabe se o artista é um gênio ou um doido, ou simplesmente um enganador.

    O quanto há de arte por trás desse estilo "experimental"?

    O som entrecortado no começo do filme dá uma sensação inquietante, será que o Blu-ray veio com problema?

    Pelo menos o 3-D é forte mesmo.

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    Não sei que câmeras Godard utilizou, parece que foram câmeras pequenas, sem parafernálias e gruas.

    Eis que o resultado é de um 3D de fato, não de um 3D convertido.

    Também não sei o que dizer sobre este filme. Não que ele provoque um vazio, um monte de pontos de interrogação; não, apenas, como eu disse, não sei se o Godard está senil ou se cada vez melhor.



    Na entrevista que veio como extra, Godard, um senhorzinho muito arguto, porém de fala meio titubeante ou trêmula, tartamudeia respostas a perguntas ininteligíveis.

    A entrevista foi feita em francês, mas as legendas em inglês permitiram-me anotar alguns trechos.

    Então, o que você ler entre aspas a seguir são palavras de Godard que foram legendadas e agora vertidas livremente ao português.

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    SOBRE A HISTÓRIA DO FILME

    "A história é simples. Entre os personagens, tem um homem e uma mulher, e, a certa altura, quando eles estão se desentendendo, aparece um cachorro, e o cão restabelece o equilíbrio."

    MENÇÃO A HITCHCOCK

    "Apliquei a teoria de Hitchcock: para que as pessoas entendam, fale duas vezes. Por isso, são dois casais."

    ROTEIRO

    "O roteiro não vem antes da filmagem, mas sim após a montagem."

    MENSAGEM DO FILME

    "A mensagem é a ausência de mensagem."

    3D

    "O 3D me permite estar nesta área, nesta paisagem."

    O Blu-ray traz também um ensaio sobre o filme, de autoria de David Bordwell. O ensaio é um bom auxílio para tentar entender a arte por trás de Adeus à linguagem.

    Bordwell nos informa que o nome do cachorro é Roxy e usa a interessante terminologia Couple 1 e Couple 2 para se referir aos dois casais.

    O ensaio é dividido em 3 partes: Desmantelando a cena; Agressão e digressão; Planos e volumes.

    Em Planos e volumes, a função e a estética do 3D no filme são esmiuçadas.

    É um ensaio bastante útil.

    Mas, afinal, que tipo de filme traz junto um ensaio escrito por um intelectual?

    Por si só, isso já diz bastante sobre o filme.

    Ah, e agora enfim já sei o que dizer sobre o filme!

    É o tipo de filme que é preciso ver mais de uma vez para que tudo fique mais claro.

    O problema é que ver uma vez já foi difícil.

    Então, ver de novo não está exatamente na pauta urgente.

    Será que eu fui claro?

    Claro, "difícil" não é necessariamente sinônimo de ruim.

    Denso, hermético, são aproximações no campo semântico.

    Semanticamente, é um filme difícil. 

    E se a mensagem é a ausência de mensagem,

    que tal uma resenha que é a ausência de resenha?



    sábado, abril 14, 2018

    Os amores de uma loira


    Este post é dedicado à memória de Milos Forman. Texto inédito no blog, sobre um filme da "fase tcheca" do diretor, que depois migrou para os EUA.
               
    Andula trabalha numa fábrica de roupas e calçados do interior da Tchecoslováquia. A oferta de homens no mercado anda baixa – a proporção é de 16 mulheres por mancebo. A cidade comemora a visita de uma companhia de reservistas com um baile. As adolescentes lamentam a idade e a aparência da mercadoria – mas quem não tem cão, caça com gato. Três reservistas “velhos e fedorentos” oferecem uma garrafa de vinho a Andula e suas amigas. Andula, entretanto, está de olho no carinha mais interessante do pedaço: o jovem pianista. Fim de baile. O pianista atrai Andula a seu quarto, sob o pretexto de “ler sua mão”.

    Os amores de uma loira é um título enganoso. A loira em questão não é promíscua ou devassa. Simplesmente uma adolescente sedenta de paixão. Uma semana depois do encontro, Andula vai de mala e cuia para Praga, atrás do pianista. O interrogatório a que é submetida pela mãe do pianista é hilário.




           Misturando desilusão com risadas em rápidos 85 minutos, Os amores de uma loira concorreu a Melhor Filme Estrangeiro em 1966. Chamou a atenção de Hollywood para o seu diretor. Milos Forman é um bom exemplo de cineasta europeu que se adaptou à indústria sem perder a alma. Continuou fazendo filmes de seu interesse e de grande qualidade. Levou o Oscar de Melhor Diretor em duas oportunidades: Um estranho no ninho e Amadeus. Realizou o ótimo O mundo de Andy, com Jim Carrey. Para o cinema não se perder como arte necessita de cineastas íntegros como Milos Forman.

    Alguém aí pode se perguntar: por que se importar com filmes tchecos preto & branco da década de sessenta? Qual o propósito de assistir e, pior, resenhar um filme "velho"? Demonstrar cultura, ser diferente?

    A resposta, meu amigo, o vento está soprando. Hoje, o cinema é consumido quase completamente na sala de projeção. Pouco ou nada do que se vê sobra para comentar ou debater.

    Cineastas como Milos Forman desconstroem uma frase que já esteve em voga: "É um bom entretenimento se você desligar o cérebro”. Os filmes de Forman entretêm e ao mesmo tempo deixam o cérebro ainda mais ligado. E outra maneira de manter o “cérebro sempre ligado” é conhecer um pouco da história do cinema.



    domingo, abril 01, 2018

    THE BAND OF HOLY JOY

    Este é o segundo de uma série de posts com textos dos fanzines Wall of Sound e Planet of Sound.

    Os textos eram produzidos, enviados via correio, depois datilografados e montados na cópia máster. Em seguida, cópias eram feitas com xerox.

    Esta é capa do Wall of Sound #1, no qual foram publicados os textos do Throwing Muses e também o reproduzido abaixo, sobre a Band of Holy Joy.





    The Band of Holy Joy continua ativa, mais informações no site oficial da banda. As faixas do inesquecível álbum manic, magic, majestic hoje podem ser compradas digitalmente no site Bandcamp.









    ESTA PÁGINA FOI ESCANEADA DO 1º NÚMERO DO ZINE
    WALL OF SOUND,
    EDITORA-CHEFE: JUSSARA MARIA ROCHA DAS NEVES