quarta-feira, agosto 28, 2019

A vida invisível: o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

No século XXI, o Brasil ainda não teve um filme entre os cinco finalistas que concorrem ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A última vez que isso aconteceu foi em 1999, com Central do Brasil.

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Com A vida invisível, de Karim Aïnouz, adaptação do livro A vida invisível de Eurídice Gusmão, de Martha Batalha, há uma esperança de terminar com essa seca. E, quem sabe, também de ganharmos o nosso primeiro Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Um sonho a mais não faz mal.

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Num ano particularmente inspirado de nosso cinema, A vida invisível chega com as credenciais de ter sido agraciado com o prêmio Un Certain Regard, no Festival de Cannes, e ter recebido resenhas elogiosas em importantes revistas, como Hollywood Reporter, Screen Daily e Variety.

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Para representar o Brasil na disputa, o filme de Karim Aïnouz passou por uma peneira difícil, superando outros pesos-pesados como Bacurau e Sócrates, que ganhou 4 estrelas no site do finado Roger Ebert.

A história do Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é uma eterna história de "bater na trave". Até agora nunca a bola entrou.

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O prêmio foi instituído pela Academia em 1948, e tivemos até agora apenas 4 indicações:

1963 - O pagador de promessas, perdemos para a França (Sempre aos domingos)
1996 - O quatrilho, perdemos para a Holanda (Antonia)
1998 - O que é isso, companheiro?, perdemos para a Holanda (Karacter)
1999 - Central do Brasil, perdemos para a Itália (A vida é bela)

 Neste gráfico podemos ver que a Itália lidera, seguida por França, Espanha, Dinamarca, Holanda, Suécia e antiga União Soviética. 

Entre os sul-americanos, a vizinha Argentina já levou em duas oportunidades e o Chile, uma.

Como às vezes os filmes são coproduções, a contagem por país pode mudar conforme a fonte. 

Outra diferença é que, no formato atual, com 5 países concorrentes, a contagem começa apenas em 1956. 

Antes havia uma espécie de "Oscar Especial/Honorário", como mostra a estatística oficial da Academia: 

FATOS SOBRE O OSCAR DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO

PAÍSES COM MAIS INDICAÇÕES E PRÊMIOS
[Atualizado até a 91º cerimônia do Oscar (3/19)]



PAÍSES COM MAIS INDICAÇÕES

 ([#] indica número de prêmios) 

37 França  [9 (+ 3 prêmios Honorários)] 

28 Itália  [11 (+ 3 prêmios Honorários)] 
19 Espanha  [4] 
16 Suécia  [3] 
13 Japão [1 (+ 3 prêmios Honorários)] 
12 Dinamarca  [3] 
11 Alemanha  [2] 
11 Polônia  [1] 
10 Hungria  [2] 
10 Israel  [0] 
9 México  [1] 
9 União Soviética  [3] 
8 Alemanha Ocidental [1] 
7 Argentina  [ 2] 
7 Bélgica [0] 
7 Canadá  [1] 
7 Holanda [3] 
7 Rússia  [1]


PAÍSES COM MAIOR NÚMERO DE PRÊMIOS  ([#] indica número de indicações) 


11 Itália  [28]  (+ 3 prêmios Honorários) 
9 França  [37]  (+ 3 prêmios Honorários
4 Espanha  [19] 
3 Dinamarca  [12] 
3 Holanda  [7] 
3 Suécia  [16] 
3 União Soviética [9] 
2 Argentina  [7] 
2 Áustria  [4] 
2 Tchecoslováquia [6] 
2 Alemanha [11] 
2 Hungria  [10] 
2 Irã  [3] 
2 Suíça  [5] 
1 Argélia  [5] 
1 Bósnia & Herzegovina  [1] 
1 Canadá  [6] 
1 Chile  [2] 
1 República Tcheca  [3] 
1 Alemanha Ocidental  [8] 
1 Costa do Marfim  [1] 
1 Japão  [13] (+ 3 prêmios Honorários
1 México  [9] 
1 Polônia  [11] 
1 Rússia  [7] 
1 África do Sul  [2] 
1 Taiwan  [3]

Observe também que em seu banco de dados, a Academia conta o ano da produção dos filmes, não o ano da festa de premiação, critério adotado pela nem sempre confiável, mas quase sempre disponível, Wikipédia.

 Quando os prêmios honorários são contados, o Japão aparece com 4 vitórias.

Por sua vez, este artigo compara o número de indicações de cada país com a sua população. Nesse quesito, a Dinamarca lidera, com maior número de vitórias per capita.

Em 2020, um ponto que conta a nosso favor nessa corrida pelo tão cobiçado Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é que o livro de Martha Batalha é um sucesso internacional que já foi traduzido para muitos idiomas. E o filme também está sendo distribuído mundialmente. 

Nesta entrevista, o diretor Karim Aïnouz fala entre outras coisas do encontro com a escritora Martha Batalha e que ela gostou bastante do filme.


A vida invisível passou pela primeira etapa. Ainda tem um longo percurso pela frente, mas sonhar não custa nada. Será que agora vai?

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